Autor: Léo Luz 24/10/11
Depois de poucas semanas desde a primeira vez que ficamos, já estamos namorando. Desde lá nos vimos apenas cinco vezes. No total ficamos juntos pouco mais de 100 horas, e já estamos completamente apaixonados, fazendo planos a curto, médio e longo prazo. Juntos, ficamos bobos, esquecemos do mundo, da chuva, dos carros. Enquanto eu fecho os olhos quando ganho cafuné, ela olha para o vazio, aproveitando cada momento um com o outro. Cada cafuné, cada carinho, cada abraço, cada olhar, cada mão segurando a outra, cada gesto é cheio de significado, saudade, sentimento, vontade. Nada é involuntário e vazio. Tudo faz sentido. Como se estivéssemos em um filme.
Se alguém estivesse nos filmando o tempo todo não iria nem precisar mandar repetir as cenas. Nosso namoro é o tempo todo como aqueles clipes com trilha sonora que toda comédia romântica possui, onde o casal anda de mãos dadas, se beija na chuva, corre, deita na grama, se abraça, senta na praia vendo a lua etc. Nosso filme já teve o começo complicado, a mocinha dividida entre o mocinho e outro sujeito, já teve outras mulheres lindas tentando o mocinho, já teve pessoas mentindo e inventando coisas, já teve de tudo nessas poucas semanas.
E o melhor de tudo é que ela é a mocinha ideal. Ela olha pro vazio quando me abraça, bota a mão contra a minha no vidro do ônibus ao nos despedirmos, faz suspense para me pedir em namoro, faz piadas típicas das mocinhas eloquentes e descoladas das comédias românticas, que pedem cafuné na hora certa e são diretas na hora certa. Aquelas mocinhas de filme que são menininhas pra pintar a cara do namorado com hidrocor ou pra sair correndo na rua, mas ao mesmo tempo dão conselhos profissionais e sérios quando seus amados precisam.
É exatamente assim que ela é. A protagonista ideal da comédia romântica ideal escrita por um roteirista genial. Essa é ela. Linda, inteligente, engraçada, eloquente, safada na medida certa, menininha, madura. Daquelas que fazem você se apaixonar no primeiro beijo, e, no segundo, já querer se casar com ela. Mas essas coisas só acontecem em filme. Por isso ela é uma mocinha de filme, para que eu não me sinta idiota me apaixonando no primeiro beijo e querendo me casar com ela já no segundo. E eu, o típico mocinho de comédia romântica: atrapalhado, bobo, infantil, metido a engraçadinho, sem jeito, apaixonado e tentando usar frases bonitas e falas ensaiadas. E ela, como toda mocinha, gosta de mim como se eu fosse bonito, alto, forte, eloquente e esperto. Na verdade ela acha isso, mas toda mocinha acha isso do mocinho.
Enfim, somos o casal ideal das comédias românticas. Um cara normal e uma mulher extraordinária que acha o cara também extraordinário, quando ele é só um cara normal. Bom, o que quer que eu esteja fazendo pra ela pensar isso, não posso parar. Vai que ela descobre que eu sou uma farsa? Não posso correr esse risco.