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Em um ano muita coisa pode mudar 15/01/10

Há exato um ano eu estava trocando de emprego. Pra ser mais preciso, era meu primeiro dia em um novo emprego. Estava também exultante pelo fato de o Fluminense ter contratado Fred e mantido o Conca. Eu também estava ansioso com a estréia da máquina tricolor no campeonato carioca. Eu ainda não tinha terminado a faculdade, e adivinha?, ainda não terminei.


O Fred continua no Flu, e o Conca também. Minha expectativa pelo início do campeonato é a mesma. Também saí de um emprego tem pouco tempo e a faculdade continua lá. Quase nada mudou, a não ser alguns cabelos brancos a mais e mais um instrumento musical abandonado e outro tomando seu lugar.


Ah, mais algumas coisas mudaram. Hoje em dia eu não dirijo mais em paz. Tem sempre uma co-piloto do meu lado me dizendo o que fazer, pra onde virar e onde estão os pedestres que, perigosamente, insistem e fazer cara de quem vai atravessar a rua correndo a qualquer momento, obrigando minha co-piloto a falar, a cada dois minutos “olha a moça na calçada”. Mudou também que antes eu usava, impune e alegremente, bermuda ou calça xadrez com camisa listrada, deixava a barba crescer até o umbigo e xingava todos os motoristas de ônibus, táxis e similares.


Mas por que isso mudou? Entrei pra IURD? Virei Senador? Estilista. Não. Hoje faço exatos 365 dias de namoro com a co-piloto do parágrafo aí de cima. Apesar de co-piloto, personal stylist e chorona profissional, ela fez meu ano não ser um dos piores. Uma namorada dedicada, amorosa, carinhosa, atenciosa e companheira. Com essa mistura, salvou meu ano de 2009 e espero que salve muitos outros mais. Graças a ela eu não uso mais xadrez com listrado e faço a barba pelo menos a cada duas semanas, o que já é um grande avanço. E graças a ela, hoje, eu me sinto o namorado mais amado e mais importante do mundo. Obrigado por fazer eu me sentir muito mais importante do que eu sei que sou e por fingir que não tenho os defeitos que eu sei que tenho. Te amo.

p.s.: Eu te amo, mas a parte do co-piloto eu dispenso.

 

 

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Lançamento – O macho do divã!! 10/12/09

Pessoal, sei que estou sumido, que ando meio relapso, que o MST já tentou invadir esse blogue umas três vezes, enfim, eu sei que abandonei vocês. Mas foi por uma boa causa! É chegada a grande hora!

 

Nesta quarta-feira, dia 16 de dezembro, às 19h( vulgo sete da noite), será o lançamento do meu primeiro (espero que de muitos) livro. O nome do livro é O macho do divã, e se forem fazer piadinha, lembrem-se de que vamos nos encontrar quarta e eu sou faixa rôxa de Kung Fu. Bom, o lançamento vai ser uma livraria bacana no Leblon, a Livraria DaConde. A livraria fica na rua Conde de Bernadotte, 26, loja 125, no Leblon. Fica pertinho do Teatro Leblon e do Shopping Leblon. Ah, e nesse link aqui você tem um mapa de lá.

 

Vai ter comes e bebes, e claro, muito livro pra vender. Aliás, deixem o espírito de Natal invadir seus corações e comprem muitos livros: para vocês, pra dar de presente, pra dar no amigo oculto, só pra dar, enfim, comprem que em alguns anos vocês vão estar vendendo estes exemplares autografados em um sebo da cidade por dois reais. É um investimento e tanto.

 

E ainda hoje vou criar um evento no Facebook e postar aqui, e assim a editora fizer o convite – espero que ainda hoje – eu mando pra todo mundo. Espero todos vocês lá, de verdade. Eu comecei a escrever aqui mas como essa merda não dá dinheiro, resolvi escrever um livro e agora que dei esse passo, gostaria da presença de todos vocês. Lembrando que depois de quarta, o livro vai poder ser comprado diretamente comigo, aqui mesmo pelo site. Só falta algum webdesigner de bom coração e desapegado de bens materiais fazer um banner pra mim.

 

O livro traz várias crônicas – algumas inéditas, outras editadas. Mas se você gosta de me ler, vai gostar muito do livro. É isso, pessoal. Espero vocês lá. E quem não for, favor me enviar o atestado de óbito do parente em primeiro grau. Fora isso não tem desculpa.

 

 

UPDATE: Link para o evento no Facebook aqui. Confirmem!

 

UPDATE 2: Aqui embaixo o convite, bonitão.

 

Macho no Divã convite

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Seboso e o cuecão 05/11/09

           Jonas era uma criança normal. Como toda criança míope, na vida de Jonas o esporte foi posto de lado, substituído pela leitura e pelo videogame. E mais tarde, fato que mudaria sua vida para sempre, pela internet. Aos catorze anos Jonas teve alguns segundos de fama, quando uma foto sua levando um cuecão (quando alguém puxa a cueca de outrem pra cima, causando exatamente a dor que eu sei que você pensou agora); quando sua foto levando o cuecão foi capa de uma revista semanal de circulação nacional, em uma reportagem sobre bullying.

            À época, a rotina de Jonas se resumia à rotina normal de uma criança de óculos, gordinho, cabeçudo e sardento: apanhar dos amigos da escola, ler quadrinhos e fingir dor de cabeça pra não ter que fazer aula de educação física. Naquele 14 de março de 1991 a vida de Jonas ia começar a mudar. Para ele, apenas mais um aniversário: chuva de ovos na escola e algumas meias de presente. Mas eis que, ao chegar em casa, o objeto que faria sua vida tomar um novo rumo estava lá, esperando por ele: um computador. O pai de Jonas havia comprado um em uma viagem à Europa e achou que o filho ia gostar. E ele não só gostou como aquilo passou a ser sua vida.

             Em alguns meses, Jonas programava páginas hpg.net cheias de gifs saltitantes e barulhentos, e modificava os códigos de jogos como Carmen San Diego e outros. Em um ano ele já participava de dezenas de BBS´s e já dominava uma dúzia de linguagens de programação. Montou um blog, e por alguns anos ficou conhecido como “consertador de computador” e “fazedor de site”. Mas de repente, não mais que de repente, como diria o poeta, as coisas mudaram. Seu blog começou a ter milhares de acessos diários. Centenas de comentários. E duas equipes de reportagem o procuraram para ele falar sobre o blog e, pela segunda vez, Jonas foi capa da maior revista semanal do Brasil, graças ao seu blog.

             Depois de quatro anos com o blog, Jonas havia se tornado uma espécie de guru da internet. Seu blog não era nada demais – muito pelo contrário. Eram resenhas de games e piadinhas para nerds. Mas mesmo assim ele agora era endeusado. Programas de auditório, entrevistas, palestras… E com a chegada do Twitter, Jonas passou a ser A sumidade virtual brasileira. Seu blog tinha mais visitas diárias que a tiragem de pequenos jornais, e o dinheiro que ele ganhava com anúncios no blog dava pra ajudar a mãe a pagar as contas. Mas se Jonas ganhasse com o blog um décimo do que ele dizia que ganhava, ele já seria um homem rico a essa altura. Mas a vida era boa: presentes, viagens, festinhas… A vida de blogueiro famoso era tudo o que ele sempre quis.

            Em blogcamps e outros eventos de internet, Jonas reinava: fotos, pedidos de links, puxação de saco e gente implorando conselhos eram coisas normais para Jonas nestes eventos. A vida de Jonas era perfeita, em sua opinião: ele se achava famoso, bem sucedido e tinha um ar eterno de James Bond que acabou de salvar o mundo e agora só está tomando um Martini no bar. Jonas havia feito faculdade de Análise de Sistemas, mas pouco trabalhou com isso. Seu blog (e seus trinta e cinco mil seguidores no twitter) era sua vida. Até que uma carta chegou por debaixo da porta.

             A carta era um convite para uma festa de comemoração dos dez anos da turma que se formou com ele no segundo grau. Era a oportunidade ideal! Ele iria se vingar! Agora ele era poderoso, famoso, conhecido, dava palestras e aparecia em revistas! Sem pestanejas Jonas aceitou o convite. Ele estava animado. Ia ser engraçado ver a cara daquela gente agora que ele era um sucesso.

             No dia, Jonas se atrasou um pouco de propósito, pra fazer uma entrada triunfal. Mas já na entrada, as coisas começaram a dar errado.
   
- Seu nome, senhor? – Perguntou a mocinha simpática na entrada.
- Jonas Medeiros – respondeu nosso herói
- Bom, senhor, o Pedrão disse que os crachás não vão ter os nomes, mas os apelidos. Qual era seu apelido?
- Apelido? Sei lá, eu não tinha apelido! Não vou usar um crachá com apelido! Que absurdo! Meu nome é Jonas Medeiros e é isso que vai ter no crachá! Você não sabe quem eu sou, menina?
- Não, por que? Deveria saber? – Perguntou ingenuamente a menina, diante da cara de “essa gente não conhece nada. Só deve ver novela…”.

         Antes que a mocinha pudesse argumentar, alguém gritou lá de dentro.

- Graaaaaande Seboso! – Gritou Pedrão, vindo em sua direção.

          E enquanto a mocinha tinha um ataque de risos, Pedrão pegou um crachá e escreveu com uns garranchos: “SEBOSO”, e pendurou no pescoço de Jonas, que, como queria causar boa impressão, não iria bater boca com o valentão da sala logo na entrada. Mas não perdeu a chance de alfinetar.

- Porra, Pedrão, você ainda não aprendeu a escrever não? Que letra horrorosa! Tá fazendo o que da vida, balconista de fast food?
- Seboso, Seboso, sempre fazendo piadinha. Eu sou médico, seu babaca. Com doutorado em cirurgia cerebral e professor da UFXX (insira aqui as siglas do seu estado). E você, tá fazendo o que da vida? Nerd do jeito que tu era, deve ser Gerente de alguma merda da Microsoft, Google, essas porras.
- Médico? Uhm, maneiro. Que bom. Não, não, eu trabalho pra mim mesmo. Eu tenho um blog. O nerd4eva.com. Conhece?
- Blog? Uhm… Legal, bacana. Não, conheço não. Mas eu também quase não entro na internet, não conheceria nem se fosse o mais famoso do Brasil!
- Mas é – respondeu um irritado Jonas.
- É? Que merda, eu tenho que me manter mais informado.

         Pedrão respondeu e abraçou Jonas, e alguns segundos depois eles chegaram onde as pessoas estavam. Do meio da multidão irrompe um rapaz. Jonas não o reconhece, mas ele parece bem enturmado.
- Cara, nem acreditei que era você na capa daquela revista! Ah, desculpa, eu sou o Felipe, namorado da Carol, que estudou com vocês. Tava ali tomando uma cerveja e me mostraram a revista. Nem acreditei que você vinha, bicho!

          E antes que Jonas terminasse de fazer um sorrisinho orgulhoso e pegasse a caneta para autografar a revista, alguém jogou um exemplar no seu colo: era a revista da reportagem sobre bullying, e lá estavam na capa, ele, com a cueca enfiada até os pulmões, e Pedrão, com um sorriso sádico, suspendendo Jonas no ar pela cueca. A risada foi geral. Jonas saiu de fininho pra pegar um Dry Martini.
    Em alguns minutos estavam todos ali. A turma toda. Era como se fosse uma pequena representação da sociedade como um todo: havia médicos, engenheiros, professores, administradores… Até que chegou a fatídica hora.
- E você, Jonas, tá fazendo o que da vida? Aposto que abriu alguma dessas empresas que foram vendidas por milhões de dólares na internet. – Perguntou Sarah, que à época era a bonitinha fútil da sala, hoje gerente comercial de uma grande rede varejista.
- Bom, eu.. é… eu trabalho pra mim mesmo e…

          Antes que ele pudesse terminar a frase, Pedrão praticamente gritou:

- Galera, ele é dono do nerd4eva.com! Porra, o maior blog do Brasil! – Disse Pedrão que, apesar de não conhecer o blog de Jonas, estava orgulhoso de ter ao seu lado o maior blogueiro do Brasil.
   
           Como diria o narrador de Max Payne, o silêncio era tão palpável que dava até para cortá-lo com uma faca. As pessoas se entreolhavam, esperando alguém falar alguma coisa. Mas não adiantava: ninguém conhecia o blog de Jonas. Dentre as setenta pessoas ali presentes, nem umazinha sequer conhecia seu blog. E quando Jonas tentou falar que havia sido capa da revista com o blog, alguém falou que “ah, eu lembro disso. A reportagem sobre como ganhar dinheiro na internet, né?! Meu filho já ganha umas duzentas pratas com o blog dele, com só dezesseis anos”.
   
- E você vive disso? Porra, pra você só fazer isso deve dar muito dinheiro, uns dez paus por mês? – Perguntou Rafael, outro rapaz da turma.

           Jonas só havia ganho dez mil reais uma vez, quando ganhou uma competição de hackers. Mas ele se safou, dizendo que não gosta de falar de valores, mas que a grana dá, sim, pra viver. E nos próximos quase cinqüenta minutos, Jonas tentava fazer com que alguém o reconhecesse: falou de twitter, da revista, do blog, dos Blog Camps etc. Mas ninguém sabia o que era twitter, Blog Camp nem nada disso. Eles começaram a ligar para os amigos, filhos, esposas, maridos, mas ninguém a não ser um ou dois filhos adolescentes sabiam quem era Jonas. Irritado, Jonas perdeu o controle e desembuchou:

- Vocês são uns ignorantes! Não conhecem internet, não conhecem nada! Vocês deviam se informar mais! Eu tenho o maior blog do Brasil, sou o maior blogueiro do país, porra! Seus imbecis!

               Ao acabar de falar, Pedrão andou em sua direção, cabisbaixo.

- Desculpa, Jonas. – Disse Pedrão. – Eu sempre soube quem você era. Só fiquei com vergonha de falar na frente de todo mundo…
- Porra, até que enfim. Onde você já ouviu falar de mim então? Meu Nick é NinjaDragonXXX.
- Mas eu me lembro de você com outro nome. Estranho.
- É? Qual? Eu uso alguns outros Nicks como…

               Pedrão interrompeu Jonas e, correndo em sua direção, gritou:

- SEBOSOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!! – E enquanto gritava, puxava a cueca de Jonas até tirá-lo alguns centímetros do chão…

 

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Listando egos 30/10/09

nerd_e_gostosa

 

          Como eu sei que meu público de mais de oitenta mil leitores diários é composto por gente normal, que trabalha e não tem tempo pra ficar no tuiter, antes de começar o texto, farei uma breve explanação. Tá ouvindo, porra?! Depois vai dizer que não entendeu! Seguinte. O Twitter (aka tuiter) é, podem dar chilique a vontade, um microblogue. É uma página onde várias pessoas falam, algumas escutam e ninguém se entende. Pra ler o que uma pessoa escreve, você vai lá e “segue” ela, e a partir daí, o que ela escreve aparece na SUA página inicial, também chamada de timeline. E assim vai, seguimos alguns, outros nos seguem, quando queremos parecer importantes começamos a “desseguir” pessoas pra ter mais seguidores do que seguidos, enfim, the human nature as itself.

          Mas então, agora que você já sabe tanto sobre tuiter quanto qualquer blogueiro com visitas na casa dos cinco dígitos diários, vamos ao que interessa. Como deu pra perceber, o tuiter virou uma zona. Se você segue 400 pessoas, tem gente ali que fala muito, e tem gente que fala pouco. E se você queria achar uma pessoa, tinha que ir na lista de seguidores e ver um a um. Eis que o tuiter, para agradar os web-carentes, resolveu criar as “listas”.
           Bom, macacada, o que são as listas? As listas servem para você classificar seus seguidores, e criar (tcharam!) listas! É, isso mesmo, que nem seu msn. “Amigos”, “família”, “trabalho” etc. Só que, temos aqui um pequeno pobrema, como diria nosso presidente. No período mezozóico, quando começamos a usar Orkut e msn, classificar as pessoas era bem simples. Amigos, família, trabalho, amigos da namorada etc. Simples assim. Mas com o tuiter é diferente. A maioria dos seguidores de QUALQUER PESSOA, é composta por gente que não conhecemos pessoalmente. Família? não, por enquanto as mães, pais e avós estão se divertindo nos enviando correntes pelo Orkut e nos enchendo de emoticons no msn. Eles ainda não conhecem o tuiter. E aí? Como se diz em tuites, #comofas?
          É aí que entra a sensacional e inspiradora frase que acabei de ouvir no msn da capixaba Dani Mart (www.twitter.com/danimart), que, sabiamente acabou de me dizer que “esses lists servirão para definir como as pessoas vêem as outras…”. PUM! Na mosca! É isso aí! Na nossa lista de, suponhamos, 500 pessoas, vamos fazer umas continhas. Vamos botar 50 em “amigos”. 20 em “trabalho”. 100 em “referências”. E 100 em “notícias”. Sobraram aí 230 pessoas sem classificação. E é aí que entra a frase da querida Dani: as classificaremos da maneira como as vemos. “Engraçados”, “queridos”, “gatas”, “interessantes” etc. Mas será que as pessoas nos vêem como NÓS nos vemos? Será que elas também nos acham inteligentes? Será que nos acham engraçados? Bom, na minha opinião, as listas vão gerar um bocado de egos feridos e de gente se descobrindo “legal” em vez de muito engraçado, ou “gostosa” ao invés de inteligente e politizada. E você? Tá em quantas listas? Em quais? Postem aí embaixo as listas que vocês estão e digam se é assim que vocês se vêem. Vou listar abaixo as listas que eu to, pra vocês perderem a vergonha.

- “Em breve no Zorra Total” (espero que isso seja um futuro convite…)
- “Funny” – são seus olhos…
- “Gente boa” – Novidade…
- “Jaz bebeu comigo” – Eu não bebo, mas tá valendo a intenção, rs.
- “Família” – Essa foi foda, porque é da família do meu afilhado. Essa eu quase chorei, foda!
- “Os interessantes” – Ainda bem que é homem, se fosse mulher minha namorada me quebrava os córnos”
- “Pessoas com conteúdo” – Gente, assim eu fico metido…
- “Feras na Internet” – Tá, né.. Só se for fera neném, Se eu for presidente você vai se dar bem.
- “Mais visitados” – Ahã, imagino os menos visitados…
   

          E mais duas da Papo de Homem, a revista online que eu escrevo. Gostei de todas, ninguém me acha nada que eu não sabia que fosse. Nem modesto. Inté.

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Um mundo sem blogues (calma, sem festa, é só ficção) 21/10/09

            Eram três da tarde e Jayme acabara de acordar. Como de costume, antes de escovar os dentes ou tomar café, ligou o computador e, enquanto este inicializava, aproveitou pra ver as estatísticas do seu blogue pelo celular. O barulho do seu smartphone de três mil reais se espatifando no chão só não foi mais alto que o grito que Jayme soltara. Noventa e cinco visitas no dia anterior, mostrava o contador. Noventa e cinco. Jayme costumava ter, em média, quinze mil visitas diárias no seu blogue. Enquanto dava o chilique, o computador ligou e ele foi conferir. Como suspeitou, os números estavam errados: foram 99 visitas.

            Imediatamente Jayme entrou no Twitter e em Fóruns especializados para saber se houvera algum bug com seu contador, e se deparou com algo estranho: dezenas, centenas, milhares de blogueiros “profissionais” se faziam a mesma pergunta: pra onde foram as visitas do meu blogue? Ao longo do dia, menos de vinte visitas. A maioria vinda de links velhos ou buscas sem sentido. No Twitter, o silêncio dos seus dezenove mil seguidores era tão palpável que dava até pra fazer um nó de marinheiro com ele. Somente alguns blogueiros se falavam entre si, todos comentando o problema das visitas.

            Jayme resolveu ligar para Peixoto, seu amigo pessoal e um dos maiores blogueiros do Brasil. Peixoto era analista de sistemas e com certeza descobriria o que estava acontecendo. Qual fora sua surpresa quando, ao telefone, Peixoto lhe dissera que ontem, em seu blogue, só houve 122 visitas, quando a média diária era de vinte e cinco mil visitas. Peixoto havia rodado anti vírus, programas de diagnósticos, entrou em contato com seu provedor, enfim, fizera tudo o que lhe estava ao alcance para, minutos depois, se deparar com a triste e dolorosa verdade: os contadores estavam certos.

            Desesperadamente, Jayme e Peixoto começaram a contatar seus leitores fiéis por e-mail, MSN ou twitter, sem sucesso. Nenhum deles havia respondido. Foi quando Peixoto se lembrou de telefonar para uma delas, no que foi atendido pela mãe da menina, aos prantos. A pobre menina, dizia a mãe, foi encontrada de manhã, de frente para o computador, com os olhos vidrados, imóvel, com uma expressão demente, babando e balbuciando gemidos ininteligíveis. Horas depois, em um Shopping com acesso WiFi que os blogueiros costumavam freqüentar, eles perceberiam que o quadro era pior do que achavam: todos os seus leitores foram encontrados catatônicos, praticamente retardados, em frente aos seus computadores.

            Certos de que aquilo era apenas coincidência, ou alguma peça pregada pelo Mr. Manson, eles tentaram contatar outros blogueiros do Brasil quando irrompe no ar a música do plantão da Globo. E por mais que todos eles tenham atendido seus celulares ao mesmo tempo, a música era na TV, e não um ring tone. O plantão noticiava um estranho acontecimento: milhares de pessoas ao redor do mundo foram encontradas na manhã da última terça feira completamente débeis mentais, atônitas e com uma espécie fortíssima de autismo, e continuava dizendo que nenhuma delas falava, andava ou demonstrava qualquer sinal de consciência.

            Atônitos, os blogueiros ficaram horas ali, parados, sem saber o que fazer. Alguns foram para casa, outros foram beber batida de côco com cidra. Algumas ligações depois, a constatação: todos, simplesmente todos os leitores de blogues do mundo estavam daquele jeito agora. TODOS. Depois de dez semanas, o resultado para estes blogueiros foi devastador: cheques de cinco ou dez dólares no adsense, prestações de videogames atrasadas e mães ameaçando botá-los para fora de casa se eles não arrumassem um emprego. E eis que, para surpresa geral, os blogueiros se levantaram, limparam os farelos de fandangos da barriga e foram à luta.

            Mas o que eles sabiam fazer? Escrever? Só uma meia dúzia deles. Então eles tentaram fazer o que sabiam de verdade: blogues. Mas com todos os leitores de blogues do mundo transformados em samambaias, a tarefa seria das mais difíceis. Muitos bateram na porta de grandes empresas para oferecer seus serviços, para criar e alimentar um blogue.

 

- É, eu faço blogue. – Disse Peixoto, numa humildade não vista desde que fora eleito o aluno mais fedorento da sua classe em 85.

- Blogue? Blogue é tipo um diário na internet, Né!? – Responde o diretor de marketing da empresa

- Não, um blogue é um site, onde você escreve coisas, dá notícias e

- Notícia? Então você é jornalista? – Interrompeu o diretor.

- Bem, não. A gente dá notícias que a gente lê na mídia…

- Isso eu faço sozinho.

- Mas então, num blogue você escreve, faz resenhas, textos.

- Então você é escritor?

- Bem, também não. Eu escrevo, mas não sou escritor.

- Porra, então você quer o que? Um blogue não serve pra nada então!

 

            E esta foi a tônica das conversas. Como as pessoas que liam blogues estavam daquele jeito agora, era difícil explicar para as pessoas “normais” para que servia um blogue. E como elas não sabiam, os “famosíssimos” blogueiros de outrora agora não passavam de um bando de esquisitões que mal sabiam explicar o que sabiam fazer da vida. E, numa dessas ironias da vida, o tempo ia passando sem que se criasse um blogue sequer. E o pior: ninguém estava sentindo falta.alguns blogueiros conseguiram empregos como revisores, outros como digitadores e aos poucos eles foram se acostumando. Para a roda do mundo, algumas centenas de milhares de pessoas não fizeram muita falta. Eram menos de 0,1% da população mundial. Em alguns meses a economia se restabeleceu e tudo voltou ao normal. Menos a vida dos blogueiros.

            Sem seus leitores e fãs, eles agora não passavam de anônimos, cuja falta não abalara em nada a economia, a mídia ou a sociedade em geral. Se fossem médicos, arquitetos, advogados ou jornalistas em seus lugares, em alguns dias todos estariam com ocupações novas em algumas semanas. A sociedade reconheceria que, sem eles, não poderia prosseguir, logo os realocaria às suas funções. Mas eles? Por que a sociedade sentiria falta de algo que só era conhecido por uma parcela ínfima da população. E não sendo isso o suficiente, as pessoas que não sofreram a demência súbita sequer sabiam quem eras aquelas pessoas ou o que elas faziam. E cada vez mais, para eles, o cenário era desolador: lan houses vazias, blogueiros com trinta quilos a menos fazendo bicos consertando computadores ou tentando, sem sucesso, fazer com que as pessoas visitassem seus blogues.

            Jayme acordou meio tonto. Não se lembrava de nada, só de ver as visitas do seu blogue no celular e depois desmaiar. Noventa e poucas visitas! Isso ele se lembrava! Correu pro computador e soltou um grito de alegria. Elas estavam lá: 18.345 visitas. O susto com o número errado no celular foi tanto que Jayme desmaiou, bateu a cabeça na cadeira do computador e teve aquele sonho maluco. Que medo! Um mundo sem blogues! Onde blogueiros não são conhecidos! Nada de salas de imprensa, viagens de graça nem festinhas de marca de celular! Que horror! Jayme estava bem mais tranqüilo de saber que tudo não passava de um sonho. Mas, por via das dúvidas, fez um concurso público pra trabalhar no Detran. Nunca se sabe.

 

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O que não se guarda na caixa 30/09/09

 

As primeiras mulheres de um escritor são mulheres invejadas. Os primeiros adjetivos as descrevem, as primeiras narram o romance, as primeiras declarações falam do amor que o escritor sente por elas. Mas conforme o escritor – e seu ofício de escrever – vão envelhecendo, as coisas vão mudando. Os adjetivos rareiam tal qual nosso cabelo aqui na lateral, perto da orelha e as declarações ficam mais esparsas, até que uma mulher descobre que era tudo mentira e que namorar um escritor não tem lá essa graça toda. E do mesmo jeito que um humorista que chega em uma festa e é intimado a contar piadas, é esperado de nós, por parte das namoradas, textos quase que diários. No mínimo semanais, quando o trabalho nos aperta o pescoço. E quando não escrevemos hoje com a frequência que escrevíamos àquela época, as idéias na cabeça dela pulam que nem balões de pensamentos desenhados pelo Maurício de Souza. E as divagações sobre a falta de constância literária-amorosa são muitas, quase nunca verdadeiras.

Como escritor, escrevemos menos pois amadurecemos, e o que antes era uma diversão livre, agora se torna um ofício. Não vou dizer que é um sacrifício escrever, longe de mim, é até muito fácil, mas não é mais uma brincadeira de adolescente. E com tantas obrigações de criar textos e conteúdos diversos, uma carta que antes era escrita em um tempo vago, para aprimorar o estilo, hoje não mais o é por estes motivos, pois o estilo é aprimorado para pagar as contas, e o tempo vago não passa de uma longínqua lembrança dos tempos de menino. E acabamos – eu acabo, pelo menos – com medo de escrever um texto de amor, pois não quero que aquele texto seja mais um texto qualquer o qual eu me obrigo a escrever. Caso fosse esta a verdade, ninguém perceberia a diferença. Eu seria capaz de escrever uma carta de amor para qualquer criatura deste planeta, e quem lesse me acharia o mais apaixonado dos apaixonados. O treino constante traz isso. Mas para a mulher que eu amo eu não quero isso. Não quero um texto "profissional". E acabo não escrevendo.

E como homem, escrevemos menos pois já não temos necessidade de auto-afirmação como tínhamos quando meninos. Não nos é mais prioridade desfilar nosso talento em longas e sofridas cartas de amor. E no meu caso específico, escrevo menos para a mulher que eu amo porque aprendi, com o tempo, que uma carta de amor nada mais é que um texto como qualquer outro. Não é prova de amor. Não para alguém que poderia muito bem fazer uma "profissionalmente". E mais que isso, aprendi também que amor não se prova com flores, nem cartas nem textos.

O amor adolescente sim, se prova assim. O amor maduro se prova quando você se pega discutindo com ela os cachorros que vocês terão quando se casarem, já que ela tem medo de cachorros grandes. O amor se prova ficando na chuva, pois o guarda-chuva dela é pequeno, e não queremos que ela molhe os pés. O amor se prova quando você para para pensar e quase desiste do sonho de morar em uma casa com quintal, já que ela tem medo de insetos e de ladrão. O amor se prova quando você perde, de uma hora pra outra, a mania que tinha desde os cinco anos de idade, de arranhar a calça jeans com as unhas fazendo barulho, porque ela tem nervoso como gente que tem nervoso de unha no quadro negro. E o amor se prova, principalmente, quando um escritor não usa sua habilidade de trabalho para fazer uma carta só pra agradar, só porque ela pediu ou só para os outros verem. Cartas ficam guardadas em uma caixa velha e empoeirada, e podem ser encomendadas a qualquer escritor de meia tigela como eu por aí. Mas o resto, o resto não é o que fica em caixas nem o que está nos cadernos: o resto é o que faz você pensar na casa, nos cães, na unha na calça jeans e, acima de tudo, quando mesmo pensando assim, você para seu trabalho e escreve um texto pra ela, como eu estou fazendo, só pra ver ela sorrir com mais intensidade amanhã. Isso sim, é amor. 

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Quem ri por último não tem Twitter 24/09/09


Por Leonardo Lanna (@microcontoscos)

“Humor no Twitter é como fazer sexo no carro. É rápido, tem pouco espaço e vez ou outra aparece alguma coisa gozada”

Escrevi isso após alguma reflexão sobre a presença massiva de humoristas (amadores e profisisonais) na rede social sensação do momento. (#chupa Orkut). Não há dúvidas que o uso do Twitter como diário, que o Mr. Manson definiu como “tweet de raiz”, ainda domine grande parte do conteúdo do microblog, mas é inegável o fato de que o humor venha cada vez mais roubando a sena cena.

Basta perceber que a maior parte dos humoristas de stand-up comedy e da TV estão presentes, seja para divulgar suas agendas, seja para twittar suas piadolas. Dessa forma o Twitter acaba por virar uma espécie de laboratório de humor onde os humoristas testam a receptividade de uma nova gag ou a aceitação de uma nova piada. E assim como num show o retorno do público é fundamental. No Twitter ele acontece através dos retweets (RT) que funcionam como o aplauso para o humorista twitteiro.

Claro que não são somente os profissionais que brilham (as vezes brilham bem menos do que se esperaria de quem vive disso), os amadores ganham cada vez mais seguidores mostrando aquilo que o brasileiro sabe fazer de melhor: sacanear os outros. Em homenagem aos humoristas profissionais, os amadores criaram a hashtag #standupbr para designar uma piada infame, funciona como aqueles solinhos de bateria típicos de stand-up (tum dum tsss)

A peculiaridade de aceitar somente 140 caracteres faz do humor no twitter um desafio para o humorista, mas o dinamismo da coisa compensa. Basta uma notícia ser publicada para já estar virando piada segundos depois. E neste ponto saem perdendo os programas de humor semanais da TV (CQC, Pânico, Casseta, etc), pois se em algumas horas é capaz de se esgotarem as piadas sobre uma notícia, imagine em uma semana. Um outro aspecto que retroalimenta o humor no Twitter é o conteúdo do próprio Twitter. As gafes de celebridades são um prato cheio para os engraçadinhos de plantão, e frequentemente isso acaba indo parar na mídia tradicional, como no famoso caso da Xuxa.

Enfim, se você quer rir um pouco durante o dia no trabalho siga os piadistas de plantão. Tenho certeza que vai ser muito mais interessante do que saber que o @huckluciano acabou de tirar uma meleca ou que a @leah_sandy deu uma topada na mesinha de centro.

 Aqui vai uma lista de alguns "comediantes" que eu sigo e recomendo. Nem todos sempre tão engraçados mas assim como uma faxineira de motel se você procurar bem vai acabar achando alguma coisa gozada.

@microcontoscos, @rafinhabastos, @marcoluque, @danilogenitli, @lapena, @casseta, @frcomedy @revistamad, @samara7days @meumundocaiu, @nairbello, @christianpior, @tiodino, @nigelgoodman, @ulissesmatos, @revistamad, @mrmanson, @na_kombi, @gs_santana, @fabiorabin, @oceara, @leoluz, @mussumalive, @fabioporchat, @diogoportugal, @zenasemp, @gduvivier e muitos outros.

Ajudem a reparar essa injustiça (e a minha memória píscea) postando nos comentários bons Twitters de humor para completar essa lista!

Leonardo Lanna é autor do twitter e blog @microcontoscos, colabora em blogs de humor e é credor de Leo Luz.

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Viagra? Bigode? Terno preto? Que nada, só um relógio pode fazer de você um homem de verdade! 20/09/09

 

Há inúmeras pesquisas, teorias e simples opiniões cretinas – como esta – sobre o momento que marca a passagem da infância para a idade adulta. Em bom português,o momento em que o sujeito vira um homem de verdade. Os judeus têm o Bar Mitzva, e os machões dizem que, ao perder a virgindade (da maneira, digamos, ortodoxa), o menino vira um homem. E há quem fale em coisas como o primeiro emprego, a entrada na faculdade, comprar os clássicos que, durante anos, você vai dizer que leu, voltar a comprar brinquedos, enfim, são muitas as teorias sobre a entrada na idade adulta. Até hoje eu nunca havia parado pra pensar nisso. Até hoje.

Hoje foi dia de garantir a vaga no céu: passei o dia com a namorada no Shopping. E loja vai, loja vem, resolvi comprar um relógio. Eu não costumo usar relógio, nem sei por quê. Não usava quando criança e até hoje não o fazia. Acabou que eu comprei um. E, na hora de pagar o estacionamento do Shopping, ao ver meu pulso com o relógio estendido com a nota de cinco reais para a moça, foi que tive O estalo: não era o braço de um rapaz, de um jovem. Era o braço de um homem, sério, adulto, de relógio! E me atentei que este é o momento em que um sujeito vira um homem de verdade: quando ele passa a usar relógio. Ou, se você é uma pessoa normal e já usava relógio antes, o momento que o sujeito compra um relógio de ponteiros. E se você já usa relógio de ponteiro, você nunca vai ser um homem, só pra deixar de ser palhaço e parar de atrapalhar o texto dos outros.

Qualquer pessoa pode comprovar a minha teoria. Se você vai a uma reunião de trabalho, e lá está um jovem, vinte e poucos anos, bermudão xadrez e brincos nas orelhas. O que você vai achar? Que deve ser filho do chefe, claro. Mas e se esse mesmo rapaz, com a mesma bermuda e os mesmos brincos, está usando um relógio. De ponteiros. Aí a coisa já muda de figura. Ele pode ser algum gênio excêntrico ou um criativo que, dado o alto nível das idéias que ele sempre dá, possui uma licença tácita para se vestir do jeito que bem entender, enquanto você, sem relógio, está suando até agora por causa da viagem de metrô às sete da manhã dentro desse terno preto.

Eu fui para o Shopping um rapaz de vinte e poucos anos, com óculos estilo máscara de garotão e ouvindo música. Sem relógio. E voltei um sujeito de quase trinta, com óculos estilo aviador e ouvindo o boletim da bolsa de valores na rádio CBN. Com relógio. Meu braço direito esticado segurando o volante com aquele relógio preto era, definitivamente, o braço de um homem sério e adulto. E sim, eu uso relógio no braço direito. Relógio no braço direito não é coisa pra qualquer um. Só os audaciosos, tenazes e brilhantes o usam dessa maneira. As melhores mulheres estão com homens que usam relógio no braço direito. Einsten, Da Vinci, Átila o Huno, Jonh Lennon e Napoleão estão entre os adeptos desse uso. Portanto, além de virarmos homens ao usar relógio, viramos Grandes homens.

Enfim, eu falava do relógio. Vocês podem reparar. Homens com relógio são levados mais a sério. Você pode ter um notebook debaixo do braço, a chave de um Porsche no bolso ou uma mensagem de texto no celular da Luana Piovanni dizendo "vem logo pra casa, amor, senão vou começar sem você e deixar você chupando… o dedo. Beijuca!". Nada disso lhe garantirá olhares respeitosos das outras pessoas no recinto. Mas um relógio, um simples e comum relógio de ponteiros, lhe faria subir ao patamar de sujeito sério e respeitado. E um relógio pode ser a diferença entre um sim e um não de uma mulher. Entre o "você começa na segunda" e o "gostamos muito de você mas a vaga era pra outro perfil". Ou até mesmo entre o "quem é esse babaca de brinco que você tá namorando, Giselda?", e um "Giselda, oferece um copo do meu Whisky pro garoto enquanto a gente se conhece melhor". Pense nisso e compre um relógio. Ou troque esse seu que mais parece um comunicador Power Ranger por um relógio sério. Acredite, a sua vida vai mudar.

 

N.A.: Antes que os engraçadinhos encham o saco nos comentários, só um adendo: apesar de não usar relógio antes, eu JÁ era um homem sério antes. Não só sério, claro, mas homem também. Eu sou a exceção que confirma a regra. Tenho dito, papo findo.

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Como ter um blog de sucesso, ou, como fazer inimigos na internet com um simples post 14/09/09

Ontem eu li um post no blogue do Cleiton Souza sobre Como Ganhar Dinheiro na Internet e me inspirei. Achei que também posso dar algumas dicas, blogueiro de sucesso absoluto que sou.  Como ele falou do lado financeiro, eu vou falar da parte de conteúdo. O que você deve fazer para ter um blogue de sucesso, ser convidado para todos os eventos de graça, ter mais pedido de post pago que a Miriam Bottam tem de pedido de casamento, enfim, para se transformar em um ícone da blogosfera brasileira, quiçá mundial. São dicas simples e diretas, e se você seguí-las ao pé da letra, seu lugar na próxima campanha da Coca Cola ou da Nike com blogueiros já está garantido. Não seja tímido, não fique com vergonha, não tenha pudores. No pain no gain. Estas quatro dicas são os pilares de um blogue de sucesso. Imprima e cole no monitor. E reze pra elas toda noite. Vamos lá.

 

  • 1. Não seja criativo

 

Criatividade não é legal. Originalidade é para os poetas e pras frases sobre "porque devo ficar no Big Brother". Se algumas fórmulas já funcionam, não há necessidade de se arriscar. Vou listar algumas fórmulas criativas, originais e eficazes.A maior prova de que criatividade não leva ninguém a lugar nenhum é que eu kibei a idéia do Cleiton Souza e fiz um post sobre o mesmo tema.

A primeira são os Flagras. Você já deve tê-los visto por aí. Eles não precisam ser engraçados, não precisam fazer sentido, não precisam nem ser verdadeiros, é suficiente que sejam flagras. Podem ser flagras que MSN, de Twitter, de Orkut, de Facebook, de sinal de fumaça, não importa. Uma dica: utilize frases fora de contexto sem pena. Perguntou àquele seu amigo o que ele vai fazer com o celular velho, agora que ganhou um novo e ele respondeu que vai dar pra alguém? Lasque um flagra de MSN: "Fulano diz: vou dar pra alguém". Também funciona inventar flagras.

A segunda boa fórmula são as Fotos com Legenda. Pegue uma foto qualquer – repito, qualquer – faça uma piada ruim a respeito dela e lasque na legenda. Batata. Coisas como uma foto de um sujeito na praia e uma legenda "ficar de costas pro sol é bom pra queimar a rosca" ou de um casal abraçado com a legenda "Que babaca. Porque será que o [nome do dono do blogue] não quis nada comigo?" são bons exemplos. E você ainda pode fazer uma frase completamente nonsense. As pessoas vão ver e não vão entender. Então elas vão rir muito e repassar, com vergonha de dizer que não entenderam, mas na esperança de comprovar que todos são tão burros quanto ela e que também não entendam porra nenhuma. E em pouco tempo sua legenda idiota e sem sentido vai estar correndo o mundo.

Esta dica pode de alçar do mero anonimato à fama  absoluta em algumas horas. Polemize de graça. Não importa se você concorda, se fulano é legal ou se você não entende nada sobre aquele assunto. Polemize. E não pegue leve. Luciano Huck deu TV de Plasma pro seguidor número não sei qual no tuiter? Fale mal. Não importa se o tuiter é dele, se o dinheiro é dele e se você não tem nada a ver com isso. Alguém da "blogosfera" foi chamado pra trabalhar na TV? Fale mal do lazarento! Não importa se ele/ela é talentoso(a), escreve bem, fala bem, não importa! Fale mal, crie uma tag no tuiter falando mal da criatura! A massa gosta de polêmicas, vide as milhares de brigas clássicas entre blogueiros "famosos".

As Notícias Comentadas são a prova de que o clássico funciona. A fórmula é simples. Pegue uma notícia que por si só já seja ridícula e comente. Simples. Quer ver como é simples? Vou parar de escrever e vou agora, às 9:53 do dia 14 de setembro de 2009, e vou lá na página de notícias bizarras do Terra ou alguma outra, e vou pegar  dois exemplos. Peraí. Voltei. Bom, dois exemplos de notícias bizarras por si só, com comentários idiotas e óbvios, mas que fazem sucesso.

 

Manchete: Americano é preso ao ser flagrado em ato sexual enquanto dirigia

Comentário: O Ministério da Saúde adverte: trocar o óleo com o carro andando pode ser prejudicial à saúde.

 

Manchete: Rabo de girafa de Lego é furtado pela quarta vez na Alemanha

Comentário: Imagina se fosse uma estátua de Lego da Beyoncé…

 

 

Como vocês viram, as notícias já são ridículas, e os comentários são completamente idiotas. Mas isso não faz a menor diferença. As pessoas estarão rindo da notícia, e seu comentário vai pegar carona neste estado de consciência alterado delas. Não se preocupe em fazer comentários inteligentes ou espirituosos. Esta fórmula já levou blogueiros do mais puro e solitário anonimato à folha de pagamento de uma grande emissora brasileira que não é o SBT, nem a Record, nem a Band, nem a TVE nem a CNT.

Escreva Manuais, Testes e afins. Testes e manuais são sucesso mais garantido que vídeo de ex BBB fazendo sexo. Não precisa ser criativo, claro. Faça coisas como Manual do Namoro à Distância, um Manual ensinando os ners a pegar mulher ou um Teste idiota pra saber se você vai pro céu ou pro inferno. O povo adora teste e manual, e essa merda vai ficar rolando na internet pra sempre, até alguém fazer um Power Point com ela e dizer que o texto era do Dalai Lama ou do Verissimo. Teste. Funciona.

A última dica é Defenda Blogs Como se Defendesse a Sua Vida. Alguém falou que os blogs em sua maioria são de má qualidade? O Saramago falou que não lê blogs? Você acha um absurdo as pessoas lerem mais a Veja do que seu blog? Não deixe isso impune, faça uma campanha, um blog, enfim, deixe o ódio tomar conta de você e tome isso como ofensa pessoal. Não importa se 90% dos blogs que tão aí são uma merda mesmo, se o Saramago já vendeu porrilhões de livros ou se a Veja, independente de gostar ou não, possui dezenas de jornalistas treinados escrevendo nelas, e não nerds de cabelo sebento comendo biscoito de chocolate que se acham o próprio Woody Allen de trás dos seus teclados imundos e de seu computador mais caro que o meu apartamento. Nada disso importa, a blogosfera é santa e perfeita, e ninguém tem o direito de falar mal dela! Tome uma atitude!

 

  • 2. Divulgação é para os fracos. Spam é a última moda.

 

Nada de ser educado, divulgar seu blogue em comunidades relacionadas ou discretamente. Use a boa e velha tática "enlarge your penis" de divulgação. Seu blog é de crônicas, e a comunidade de crônicas no Orkut, por exemplo, tem mil pessoas. Mas a comunidade "Gostosas liberais com fotos de biquini no perfil" tem duzentas mil pessoas? É lá que você vai divulgar seu texto sobre a idealização dos ídolos e de como a nossa sociedade impõe uma obrigação aos famosos de serem perfeitos. Acredite, funciona. Mande mensagens no tuiter a cada meia hora. Implore para as pessoas te retuitarem. Mande mensagens citando famoso no final, só pra eles te lerem. Crie fakes e retuite a você mesmo. Comente em outros blogs. Mas nada de blogs que tenham a ver com o seu. Comente em blogs de culinária, eróticos, de notícias bizarras, religiosos etc. Qualquer blog com um bom número de visitas é um alvo em potencial. Faça cartões de visita, camisas, camisinhas, bonés, bottons etc. Não perca uma oportunidade de citar seu blogue. No dentista, na noitada, comendo alguém, jogando boliche, qualquer lugar é lugar pro jabá.

 

  • 3. Se venda

 

Ter um blogue e não ganhar dinheiro com ele é coisa de amador. Faça do seu blog um carro de Fórmula 1: espalhe banners, anúncios adsense, parcerias, posts pagos e patrocínios. Sem moderação. As pessoas vão entender que trabalhar é coisa do século XX. Elas têm que aceitar as tendências e entender que viver do seu blogue é o trabalho do futuro. E ele não precisa ser bom, afinal, não falta por aí gente incompetente trabalhando e ganhando dinheiro, concordam? E as pessoas vão ser compreensivas e vão clicar nos anúncios de enfeites de casamento, no banner do Sagrado Coração de Maria e vão achar que aquele seu post falando bem do novo filme da Xuxa foi espontâneo.

 

 

  • 4. Bajule quem pode te ler, e fale mal de quem não vai ficar sabendo

 

Quando for puxar saco de alguém, linque a pessoa. Ela vai ficar sabendo. Quando for falar mal, NUNCA linque. É a tática dos grandes blogueiros no tuiter. Pra falar bem eles botam o "@" antes do nome, aí a pessoa lê. Mas pra falar mal eles "esquecem" de botar, então a pessoa provavelmente não vê. Não tenha vergonha, muita gente boa e de blogue famoso faz isso. Mas há uma exceção: quando for criticar uma celebridade sem credibilidade, como um ex BBB ou algum blogueiro famoso por pegar posts de outros blogues sem dar créditors, cite nominalmente e linque o sujeito. Se ele responder, você vai ficar com fama de corajoso e ainda vai arrebanhar a simpatia e a solidariedade dos outros blogueiros que não tiveram "coragem" de falar o que você falou. Outra tática é bomprar briga com quem é pouco mais conhecido do que você, e puxar saco dos que são muito mais conhecidos. A polêmica vai render bons frutos, e você passa a ser lido só por causa delas, idependente do que você escreva.

 

Todas estas dicas foram cientificamente testadas e comprovadas. Pegue uma lista qualquer de maiores blogues e comprove que a maioria deles seguem estas dicas. Há exceções, claro. O Interney criou o Interney Blogs, por exemplo, que é uma espécie de condomínio de blogs. Os condôminos lá não seguem essas dicas. Eles fazem conteúdo criativo, com textos bacanas, sem fotos com legendas nem flagras. Mas é por isso que nenhum deles tá na MTV, nem em programa aos sábados de tarde na TV nem nada disso. Logo, eles não são bons exemplos para você que quer ter um blog de sucesso e despontar no Jô em alguns meses. Siga essas dicas e espere o sucesso chegar. É questão de tempo…

 

p.s.: eu não estou cavando uma vaga no condomínio do Interney. Jamais faria isso. Mas por via das dúvidas, mandem esse post pra ele. Abraços.

 

 

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Desconferência do BlogCamp RJ – Dicas de produção textual 07/09/09

Bom, alguns de vocês já devem saber que eu dei uma "palestra" no BlogCamp aqui no Rio, ontem. Foi uma palestra com bate-papo, onde muita gente participou. Mais ativamente, participaram a Ana Cláudia, do blog Futuro do Presente, o Caribé, do Entropia, e o Roney, do Meme de Carbono, que antes de ser contido pelos seguranças do evento com armas de eletrochoque ameaçava sequestrar o microfone e só parar de falar no Natal.E com a participação da galera, mais efetiva por parte destes que eu citei e de mais algumas que participaram menos, como a Renata Fern, dom Bem à Vontade, tudo correu muito bem e o pessoal gostou. Ou então não gostaram e mentiram. Enfim, foi bem bacana, as pessoas gostaram das minhas dicas e das baboseiras que eu disse. Mas, como eu não levei apresentação nem nada pra botar no projetor, vou tentar resumir aqui o que eu falei lá, pra quem quiser roubar, assinar, vender e ficar rico ler com mais calma, mandar pros amigos ou até mandar praquele blogueiro mala que vive te pedindo link. Bom, vamos lá:

 

1 – Título

 

Vou cometer uma ousadia. Vocês podem achar exagerado, mas pra mim, 80% do sucesso de um texto se deve ao título. Na internet então, esse percentual pode ser até maior. Em um jornal ou em uma revista, você já pagou por aquilo. Você vai ler mesmo que o título não agrade muito, porque você comprou aquela publicação e teria que fechar e pegar outra se não quisesse ler. Em um blog ou site, é só ir pra outro site e pronto, você perdeu o leitor em um simples alt + f4. O Nizan Guanaes tem uma frase que eu acho muito boa, na qual ele diz que "outdoor é chupa meu pau". O que ele quis dizer foi que o outdoor é uma mídia rápida, curta, e se você não prender a atenção do leitor rápido, já era. Assim é o título. Se o cara não gostar do título, já era. Ele não vai ler seu texto, e você pode estragar um texto sensacional com um título ruim. O título tem que ser impactante, mas sem estragar a suspresa. Deve fazer o cara pensar "mas o que esse cara vai dizer?", e não fazer o leitor, pelo título, já saber do que você vai falar e como você vai falar, porque aí ele vai embora.

Evite título auto-explicativos e simplistas, como "o problema do blabla", "um casal blablabla" ou "o que eu penso sobre blablabla". Uma dica que tive quando comecei a escrever e que sigo O TEMPO TODO, é de só escrever o título quando o texto tiver terminado. Isso pra mim é tão automático que não raro eu posto um texto sem título, e só me lembro de botar um depois. Vou botar aqui embaixo quatro exemplos de títulos meus que eu considero bons, e que são exemplos disso o que eu falei.

 

"Isso nunca me aconteceu antes"

"O Homem maduro e a Bunda"

"Campanha ‘Ajude um amigo veado a sair do armário’"

"Aqueles filhos da puta"

 

São títulos instigantes e que ao mesmo tempo não contam a história do texto antes. Vamos em frente.

 

2 – Suspense e surpresa – A teoria do Hitchcock

 

Antes de falar do assunto propriamente dito, vou explicar a vocês como o Hitchcock  definia suspense e surpresa. Imagina que tem duas pessoas jantando em um restaurante. Tem uma bomba debaixo da mesa. Você sabe que tem a bomba, eles dois não. A bomba vai explodir em dez minutos e, enquanto eles conversam, você vê a contagem regressiva. A bomba explode. Isto é suspense. Agora imagine um casal em um restaurante. eles estão conversando quando, de repente, uma bomba explode. Isso é surpresa. A relação disso com este tópico é que eu vejo muita gente por aí confundindo. O suspense prende o leitor, a surpresa liberta. O suspense faz o leitor querer ver como vai acabar, e a surpresa faz o leitor querer parar de ler para pensar no que acabou de acontecer.

Se o seu texto é sobre um casal diferente, que nunca daria certo, cujos pais se odeiam e um gosta de Fresno e o outro de música sacra, JAMAIS faça um título como "um casal diferente" ou "quem diria". Porque já no título eu sei o que vai acontecer. E se eu já sei, por que eu ia ler? Se você vai, em um conto, fazer um final surpreendente, NUNCA faça nenhum movimento nessa direção durante o texto. Pelo contrário. Puxe a atenção do leitor para outras coisas, insinue que um deles ama outra pessoa ou algo assim. E nunca esqueça: o suspense prende o leitor, enquanto a surpresa liberta.

 

3 – Início, meio e fim

 

Pronto, o seu título fisgou o leitor. Ele já está lendo o seu texto. Isso quer dizer que ele vai ler até o final? N-Ã-O. Você tem, no máximo, seis linhas pra fazer ele ficar. É isso mesmo, seis linhas. em uma crônica, ou qualquer texto com mais de vinte linhas, a proporção é a seguinte: o início representa 40% do texto. O meio, 10%, e o final, 50%. O início deve ser muito bom. No meio, sustenta-se as idéias, pra no final deixar o leitor boquiaberto, pois assim ele volta, lê de novo e compra um Home Theater no banner do submarino no seu blogue. Se o incício for ruim, ele vai embora. Se o fim for ruim, ele não volta. Uma boa dica pro final é fazer um fechamento que remeta ao resto, mas sem ser lição de moral ou moral da história.

 

4 – Linguagem simples

 

É um erro comum de quem começa a escrever achar que uma linguagem rebuscada vai fazê-lo parecer culto e um bom escritor. Ledo e Ivo engano. Vai fazer você parecer um idiota que tenta esconder a falta de talento atrás de proparoxítonas e vozes passivas cheias de adjetivos. Se a sua linguagem natural for rebuscada, use. Se não for, não use. Simples assim. Na internet, o mérito de um texto é se comunicar com o leitor. Não é pra ixcreve axim, mas tente usar uma linguagem coloquial, bem próxima à linguagem verbal. Leia Verissimo, Stanislaw Ponte Preta, Millôr ou o Dapieve. É possível, sim, escrever bem e escrever de maneira simples, direta e objetiva. Deixe a pompa e as proparoxítonas pros poetas e pras croniquinhas do Bial no Big Brother. Escrever certo não significa escrever difícil. Lembre-se disso.

 

5 – Cotidiano / Identificação

 

O que faz uma pessoa gostar de um texto, com doze letras? Identificação. Simples assim. As pessoas lêem, repassam e entopem nossos emails somente com textos com os quais, de alguma maneira, elas se identificaram. Escreva sobre coisas cotidianas, coisas do dia-a-dia. A probabilidade de alguém gostar do seu texto sobre viagens de ônibus que inspiram textos é maior do que a dele gostar do seu texto sobre a clonagem da última tartaruga não sei o que das Ilhas Galápagos. A não ser que ele seja um cientista, porque vai se identificar. Se você ler os textos aí embaixo, vai ver que a imensa maioria dos comentários é de gente dizendo que aquilo também acontece com elas, que também já pensaram nisso ou que têm um amigo que já passou por isso. Identificação é um ingrediente mágico, abre os corações dos leitores e fazem eles pordoarem até viadagens como frases tipo "abrir o coração dos leitores".

A identificação, além do que eu já disse, provoca uma coisa muito interessante e que pode decretar o seu fim: a reciprocidade. Pode parecer besteira, mas não é. Ler sobre um tema que lhe é comum faz você se sentir próximo do autor, uma pessoa que nem ele, que anda de ônibus, que se apaixona por amigas ou que tem preguiça de acordar cedo pra fazer exercício. E é muito mais fácil você ler alguém que é como você do que ler alguém que more em um castelo na França e faz chover…

 

6 – Inspiração é para amadores

 

Bom, nem precisava explicar. Inspiração é pra amadores. E poetas. Um escritor profissional – seja ele de livros, colunas ou de blogue – deve criar uma rotina para escrever. Criar o hábito. O Verissimo não se inspira duas vezes por semana pra escrever os textos pr’O Globo. Se você quer fazer de escrever o seu ganha pão, escreva. A qualquer hora, em qualquer lugar, com gente olhando, vendo jogo de futebol ou com uma mulher rebolando no seu colo. Se force a escrever, se dê temas, como tédio, amizade ou qualquer outro. Uma dica boa é uma artimanha que o Woody Allen usa, e que eu me apropriei também. Ele diz que, sempre que tem uma idéia, ele anota num papelzinho e joga em uma gaveta. Então, faça isso. Teve uma idéia? Tal situação dá um texto? Anota e guarda pra uma emergência, pra um branco. Brancos acontecem, mas é aí que alguém se prova um verdadeiro escritor. Quando você tem um branco e começa um texto do ZERO, inventando um tema na hora.  Faça exercícios, leia jornais e escreva sobre três notícias aleatórias. Pegue uma crônica de alguém e escreva uma com o mesmo tema. Claro, não publique, isso é feio. Mas vale como exercício.

 

 

Bom, pessoal, é isso. Essas foram as dicas que eu dei no BlogCamp, e eu espero que ajude vocês. Todas me ajudaram muito. Mas se não funcionar com você, não se sinta culpado. Deixe pra se sentir culpado quando eu ganhar um Nobel de Literatura. Aí você vai até poder dizer que me lia antes de eu ficar indecentemente rico, metido e inacessível, mas que eu devo ter dado pra alguém famoso, porque eu nem escrevia tão bem assim…

 

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