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Escreva bem e traga a pessoa amada em poucos textos, ou, Algumas dicas para pegar mulheres fingindo que escreve bem 17/02/11

 

 

          O post de hoje é em homenagem às mulheres. Ontem eu postei no Twitter que se os homens quisessem conquistar mais mulheres, começar a escrever – bem – é a melhor opção, se você não for forte, bonito, músico, sarado, primo do Wando ou rico. E como sou um sujeito benevolente, vou usar minha genialidade e meu talento em prol as mulheres, que tanto sofrem com este problema hoje em dia. As academias, os anabolizantes e o Boston Medical Group podem resolver quase todos os problemas que afligem os homens mas que atingem – ou deixam de atingir – as mulheres. Mas dizia eu que as mulheres têm reclamado que os homens escrevem cada vez menos. Nada temam, Super Mouse é seu amigo, vai salvá-las do perigo.

            Por isso, agora vocês lerão o incrível manual “Escreva bem e traga a pessoa amada em poucos textos, ou, Dicas para pegar mulheres fingindo que escreve bem”.

 

1.      Escreva. Simples assim, escreva. Homens escrevem tão pouco que o que quer que você escreva será visto com imensa benevolência pelas mulheres, e qualquer erro – acredite, qualquer – será relevado só pelo fato de você já ter lhe escrito algo. Mas então porque você deve continuar lendo? Porque se a pequena em questão tem outros pretendentes que também escrevam pra elas, seus erros não serão tão perdoados assim e você vai ficar a ver navios.

2.      Sem clichês. Nada de comparar olhos/boca/cabelos com flores/cores/galáxias/estrelas/sol/lua/demais fenômenos da natureza. Sem trechos de Los Hermanos, sem ditados populares, sem suicídios/homicídios e sem comparações com outras mulheres. As mulheres perdoam mais facilmente um texto não tão bom mas esforçado do que um metido a escritorzão citando frase de compilação de revista de adolescente. Acreditem.

3.      Fale sacanagem de leve. Não é pra falar que da primeira vez que a viu já a imaginou nua, na cama, algemada, vestida de colegial e com um tubo de KY na boca. Mas faça piadinhas, elogie o decote que ela usava e diga que só olhou de relance, no espelho do carro enquanto dava a marcha-ré pra estacionar no restaurante. Fale que ela é tão interessante que você ficaria com ele mesmo se ela não fosse tão gostosa (se ela não for gostosa, minta. Ela vai gostar de ser enganada). O objetivo deste tópico é fazer ela achar bonitinho você falar disso sem te achar um tarado e levar spray de pimenta no próximo encontro.

4.      Nunca, jamais, diga pra ela não ligar porque você não sabe escrever. Amigo, quando escreve pra ela você é o Vinicius de Moraes. Ela te lê como se você fosse William Shakespeare, mesmo se você deixar um “agente” ou “saldade”. Acredite, ela vai querer acreditar que foi ato falho. Essa atitude looser de pedir desculpas pelo que escreveu só vai fazer ela te achar um babaca e ir atrás de um marombeiro que escreva “sinema oje, gata?”. Portanto, independente do que você escrever, aja como se você fosse o Gabriel Garcia Marquez.

5.      Não fale sério o tempo todo. Fale sério quando tiver que falar, mas descontraia. Quantas vezes você ouviu de uma mulher que ela adora homens que a façam rir? Falar sério e fazer mulher chorar usando metáforas com estrelas, sonhos e amor eterno é fácil, fazê-la rir em um texto romântico, ISSO é o golpe de misericórdia. O humor baixa a guarda e tira o spray de pimenta da bolsa dela.

6.      Construa o anti-clímax. Use a teoria básica do humor: baixe a expectativa para depois fazê-la subir. Fale, por exemplo, que não pretende ligar pra ela para chamá-la para sair. Termine a frase com um ponto e faça um “p.s.:”, ao fim do texto, pedindo email, MSN, Facebook, Orkut e Twitter. Ela vai gostar da espirituosidade.

7.      Seja direto. Não seja oblíquo. Se você quer, diga que quer. Se gosta, diga que gosta. Saber que você gosta dela, que a acha bonita ou quer sair com ela, é uma coisa. LER isso, é completamente diferente. Entenda isso e tenha certeza: esta é a parte que ela vai sublinhar de vermelho, e essa vai ser, depois da frase engraçadinha, a que ela vai contar pras amigas.

 

          Com essas dicas básicas você já garante que ela vá reclamar menos que você não escreve, e vai aumentar suas chances de fazê-la não levar o spray de pimenta na bolsa. E acreditem, funciona. Vejam pelos comentários das mulheres aí embaixo. E vão botando suas sugestões aí embaixo que eu adiciono no texto. E se nada disso der certo, o Boston Medical Group tá aí pra te ajudar. Até a próxima.

 

ADENDO 1.

Seja brega na medida certa. Mulheres gostam de breguices mais do que admitem. Seja brega na medida certa e faça uma gracinha depois, ou seja só brega mesmo. Mas de leve, deixando claro que foi um lapso. Ou, melhor, seja brega brincando: cite Wando, Elymar ou Magal. Ela vai curtir, vá por mim.


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O Homem Maduro e a Bunda 16/02/11


É perfeitamente possível estimar a idade de um homem, ou pelo menos a idade mental dele, a partir do tamanho da bunda da sua companheira. Mas quando eu digo tamanho entendam que me refiro ao conjunto “tamanho + beleza”, até porque se você namora uma lutadora de Sumô a minha primeira frase cai por terra.

Há muitas maneiras de se medir o grau de maturidade de um homem. Se ele joga playstation, por exemplo, ele é um imbecil imaturo. Afinal, qual adulto maduro e sóbrio hoje em dia não tem – ou pelo menos deseja ter – um Xbox? O número de proparoxítonas em uma frase, as gírias que ele usa, a migração das cuecas estilo boxer e sunguinha para as confortáveis samba-canção, até alcançar a perfeição: a liberdade absoluta, enfim, são muitas as maneiras de se medir a maturidade de um homem. Mas nenhuma se compara à bunda de sua companheira.

Quando se é jovem, leia-se aqui adolescente, o tamanho da bunda é o que importa. Você só quer saber de bolinar aquelas colinas frondosas e arredondadas da gatinha ao seu lado, e isso é tudo o que importa pra você. Não importa caráter, beleza do rosto, voz, nada. Só a bunda. Você só olha pras bundas, só pensa nas bundas, e alguns só falam com as bundas. E além de bolinar, você precisa que seus amigos saibam que você está bolinando aquele monumento à lascívia da, digamos, Claudete. Você quer que todos vejam sua (dela) bunda. É só isso o que importa.

Já quando abandonamos a adolescência e adentramos (parem de pensar em bundas) na vida adulta, lá pelos vinte e pouquinhos, já temos plena consciência de que a bolinação é questão de tempo e não nos apressamos mais atrás das bundas enormes, carnudas, gostosas, polpudas, deliciosas, enfim e voluptuosas. Nos preocupamos com o futuro. Com as bundas mais ajeitadinhas, que não tenham uma tendência a aceitar a gravidade de maneira passiva e complacente. Pensamos além. Pensamos que aqueles montes verdejantes e empinados de hoje podem virar os pântanos empertigados e arenosos de amanhã. E nos preocupamos então com o formato e a, digamos, consistência das bundas.

 

Chegando aos trinta já vimos, tateamos, mordemos, beliscamos, bolinamos e apalpamos tantas bundas que isso já não é mais a prioridade em nossas vidas. Nem mostrar pros amigos, porque agora, ao contrário do que pensávamos aos dezoito, nós já temos consciência de que nossos amigos querem e vão tentar apalpar e mordiscar as nossas (delas) bundas. Então agora fazemos questão de não fazer tanta propaganda. A bunda para o sujeito que chega aos quase trinta é como desembaçador traseiro ou quinze porta objetos: você não deixaria de comprar um carro que não tivesse isso, mas se tiver é muito melhor.

Nessa fase da vida queremos sossegar, e os rostos e o caráter rivalizam com as bundas em importância. Até porque, aos quase trinta já temos criatividade e experiência o suficiente para saber que outros, digamos, atributos menos aparentes das mulheres são tão ou mais importantes que a bunda. Mas, como eu disse aí em cima, se encontramos um carro confortável, confiável, fiel, com quinze porta objetos, desembaçador traseiro e nove encostos de cabeça nos bancos traseiros, tanto melhor.

Depois do trigésimo ano de vida todo homem faz, inexoravelmente, dezoito anos de novo. E volta a querer bundas grandes, bundas enormes, bundas carnudas, etc. Exatamente como na adolescência. E arruma amante gostosa, paga plástica pra mulher e volta a comprar revistinha de sacanagem. E dos trinta aos cinqüenta o homem se mantém nos dezoito.

E aos cinquenta ele volta à realidade, e faz cinquenta e um. Nessa fase da vida os joelhos já não têm a firmeza de antes, as costas já não têm a rigidez de outrora e a cabeça te deixa na mão sempre que você precisa. O que você menos quer agora é usar as palavras “firmeza”, “cabeça” e “deixar na mão” na mesma frase.

Então a bunda passa a ser como um rolex: ele vê as horas do mesmo jeito que seu relógio de dez pratas do camelô veria, mas todos sabem que você tem um rolex. Você sabe que já não vai mais usufruir daquela bunda como dantes o faria, mas quer que todos saibam que se você quisesse – ou pudesse – aquela bunda estaria em maus lençóis, completa e ilimitadamente a mercê de sua lascívia e de seu desejo ardente e pulsante.

Depois dos sessenta o ideal seria uma bunda que lavasse, cozinhasse, passasse, trouxesse seus chinelos, fizesse um café nem fraco nem forte, não passasse na frente da TV na hora do futebol e não pegasse o caderno B do jornal enquanto você lê o resto, afinal de contas, o jornal é uma unidade, e quem está lendo agora é você. Aqui a bunda se torna indispensável, e chega a ser perigosa.

Aos que têm um coração fraco ou nervos delicados, sugiro nessa fase da vida esquecer que a bunda existe e criar novas formas de diversão e luxúria, como a bocha, a alimentação aos pombos em praças e o deixamento de toalha em cima da cama sem barreiras. Esse último, porém, só deve ser executado na ausência da patroa, principalmente se ela, na juventude, era uma orgulhosa dona de uma bela bunda. Mulheres assim costumam se tornar donas de casa matronas, e algumas até violentas. Meu conselho, a partir desta idade, é se resignar, comprar um travesseiro em formato de bunda e contratar uma enfermeira gostosa para dar inveja nos amigos. E se você for casado, arrume uma empregada gostosa que lave, passe e cozinhe que sua mulher não irá se opor. Até porque, nessa idade ela vai preferir a bunda da empregada na reta do que a dela. Se bem, na sua idade, a reta já não é lá tão reta…

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A incrível Geração X-men 15/02/11

 

 

            Alguns fenômenos que vieram a reboque do novo milênio – a partir dos anos 00 – são indiscutivelmente úteis e nos fazem até parar pra pensar em como vivíamos sem elas antes, como o laser que substitui o motorzinho do dentista, a comida congelada e a Marjorie Estiano. Outros nos são um tanto quanto indiferentes, como os marcadores de livro fosforescentes, o jeans roxo e os anéis de polegar. Mas outros, sinceramente, outras poderiam nunca ter nos brindado com suas presenças trágicas. Um desses fenômenos que mais me chama a atenção, de modo negativo, é o que chamo de “Geração X-men”.

            A geração X-men tem avós da Geração Baby Boomers e pais da geração X ou até da Y. Ou seja, avós hippies maconheiros ou avós ex-militares/policiais repressores. O retrato dessa geração são as descrições que fazem de si mesmos nas redes sociais. Faça um teste. Pegue os perfis de 20 conhecidos seus entre 17 e 25 anos e leia. As descrições já dão um panorama do que estou falando. “Sincero”, “verdadeiro”, “honesto”, “odeio falsidade”, “não me arrependo de nada que já fiz”, “medo é para os fracos” e “falo tudo na cara” são descrições bem comuns. Me desculpem o trocadilho, mas para uma geração sem medos, que não mente e nunca desiste, nenhum epíteto é melhor do que Geração X-men.

            Mas agora me pergunto? E como nós, pessoas normais, que mentimos, temos medo e não falamos tudo na cara, ficamos? Nós somos discriminados, tratados como leprosos no século dezenove, olhados de lado como fãs do Crepúsculo. Eu, por exemplo, tenho medo de avião. E admito. Até o ano passado, com 30 anos, eu nunca tinha andado de avião. E no dia que falei isso no meu antigo emprego, aconteceu exatamente o seguinte:

 

- Mas por que você tem medo de avião?

- Porque tenho, ué.

- Mas é mais seguro do que carro.

- Mas carro se der merda para no acostamento.

- Mas cara, quase não tem acidente de avião hoje em dia.

- Não interessa, eu tenho medo. Aquela porcaria pesa toneladas, E VOA! Porra!

- Ah, então você tem medo de voar?

- Não. Já pulei de bungee jump e quero fazer curso de vôo livre. Não tenho medo de altura nem de voar, só de avião. De não poder sair a hora que eu quero.

- Isso não tem o menor sentido.

- Mas não tem que ter sentido. Você tem medo de barata, por exemplo. Barata não morde nem faz nada, e você faz um escândalo quando vê uma.

- Não é medo, é nojo. Eu não tenho medo de nada.

- Ok, então eu também tenho nojo de avião. Pensando bem, aqueles banheiros usados por todo o tipo de tarado com fantasia com banheiro de avião. E aqueles sacos de vômito impermeáveis? Aposto que eles reciclam aquilo. Que nojo.

 

            Então, amigo, se você é uma pessoa normal, que não é sincero o tempo todo, que não fala tudo na cara, e que tem medo de alguma coisa, corra para as montanhas. Se abrigue, leve provisões, água e transfira a assinatura do jornal e a TV à cabo pra lá. Nunca admita nada disso em público, invente que aquela cicatriz no seu braço foi uma facada de um assaltante. Peça a um amigo para fingir uma briga virtual com você e fale tudo na cara dele. Ah, e da próxima vez que estiver nervoso por andar de avião, diga que é porque você acabou de ver uma barata entrando na aeronave. Você se passará facilmente por uma pessoa normal.

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A guerra do pop contra os intelectualóides 14/02/11

 

 

            Em algum lugar entre o fim da década de noventa e hoje, o pop passou a ser sinônimo de ruim. Antigamente uma coisa era pop e ela era boa ou não. Hoje em dia, se um filme, música ou livro é pop, vem o carimbo junto “produto pop, não consumir antes de virar cult”. Sou um fervoroso defensor do pop em qualquer atividade artística. Adoro blockbusters, música pop e best-sellers. Conheço gente que compra livros pela lista de Best-sellers. É lá que eles vêem o que NÃO DEVEM comprar. Isso me soa tão inteligente quanto escolher as marcas que vamos consumir de acordo com os comerciais de TV, e comprarmos as que menos anunciam. Comunistice aguda pura.

            Eu entendo que uma das características principais do pop é ser simples, dada sua acessibilidade ao grande público. Porém, os intelectualóides de jornalzinho de poesia de faculdade de Letras se acham acima das pessoas normais, logo, se pessoas normais lêem, assistem ou escutam algo, isso não lhes é digno. Se você pensa assim, tenho algo importante a lhe falar: grande parte – eu disse grande parte – dos “clássicos” que você lê, assiste ou escuta não estariam nem nas prateleiras de “Saldão: 2,99”, se suas assinaturas não fossem assinaturas “clássicas”.

            Ontem consegui, finalmente, ver o segundo filme da saga Crepúsculo. Nunca havia visto porque nunca havia passado na TV quando eu estava perto, e eu não tenho o costume de baixar filmes. E lhes digo algo chocante: o filme não é ruim. Não fossem os clichês e as atuações tão carregadas nas tintas, o filme seria muito bom. O roteiro é bom, a fotografia é linda, a história é muito – repito: muito – bem elaborada e os conflitos são muito bem colocados na trama. De forma bem melhor do que muito filme badalado cult, podem ter certeza. Ainda falando em filmes, um filme que eu gosto muito, um não, três, é o Harry Potter. Podem dizer o que quiserem, mas eu quero ver esses escritores vomitadores de filósofos obscuros criarem um mundo tão cheio de magia (sem trocadilho), tão bem confeccionado e tão rico.

            Por que a arte feita para entreter é tão marginalizada, mas a “arte” feita para masturbar o ego do autor é aclamada? Filmes, músicas e livros nitidamente feitos como, me desculpem o termo, punheta de ego do autor são cultuados e viram tatuagem nas costas intelectualóides de jovens que nunca escreveram uma linha, mas que criticam livros e filmes com a propriedade de um David Mamet. Agora vou cometer suicídio e perder todos os trinta e dois mil leitores diários que tenho: filmes como Ammelie Poulain ou Corra, Lola, Corra – idolatrados pelos pseudo-intelectuais e pelas menininhas de 14 anos, não passariam nem no cinema se fossem escritos hoje em dia e lançados por um estúdio nos Estados Unidos como blockbusters.  São filmes bons, mas estão longe de serem as obras primas que muitas pessoas acham que eles são.

            Enfim, querem um conselho? Deixem o preconceito de lado e leiam, assistam e ouçam tudo. Mesmo que seja pra falar mal depois, mas consumam, sem preconceito. Vocês vão descobrir que Harry Potter é muito melhor do que muito livro obscuro com pornografia como pano de fundo pra parecer moderno; vão descobrir que os Russos são legais, mas que as traduções brasileiras os fazem quase ininteligíveis e que 80% dos seus amigos que dizem que os leram na verdade não entenderam nada; vão descobrir que o que importa em um filme é a história, e não os malabarismos visuais, psicológicos e intelectualóides do diretor/roteirista; e vão descobrir que a arte que realmente muda a vida das pessoas é aquela que é feita pensando no espectador/leitor/ouvinte, e não aquela feita para desfilar referências de faculdade de filosofia. Divirtam-se.

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Sobre bipolares, moda e hemorróidas 11/02/11


         

 

         Tem um tempo que eu quero escrever sobre esse assunto. Antes de falar queria falar que a medicina, nos últimos 30 anos, evoluiu incomensuravelmente. Principalmente a medicina que trata de distúrbios mentais e psicológicos, cujo nome eu não me lembro nem vou procurar no Google pra parecer letrado. Admito que transtornos sérios e incômodos, que acabavam com a vida das pessoas, hoje são tratados e contornados, e as pessoas podem viver uma vida normal.

            Porém, com o avanço da medicina e com a popularização dos remédios de tarja preta no Brasil, aconteceu com as doenças e transtornos mentais um fenômeno, no mínimo, temerário: passou a ser “cult” e virou moda possuir um transtorno desses, como Déficit de Atenção, Transtorno Bipolar ou algum outro. Antes que comece a gritaria, eu tenho DDA, e posso falar sobre o que estou falando.

            Assim como já houve a moda da depressão e a moda do remédio para dormir, estamos na época da Moda do Transtorno Mental. Nunca houve tantas pessoas bipolares, com DDA etc. E o lado negro disso é, além de muito perigoso, absolutamente ridículo: se usar isso como muleta.  Pessoas irritadiças e inconstantes procuram dezenas de médicos querendo provar que são bipolares; pessoas distraídas e avoadas se convencem de que tem DDA para ter uma desculpa para serem distraídos e avoados com receita médica.

            Isso sem falar no orgulho das pessoas em dizer que possuem algo assim. Querem que eu prove? Vamos lá: entre no Orkut aí. Procure “DDA”, e veja quantos membros possui a maior comunidade sobre o assunto. Dezenas de milhares. Agora procure “Transtorno Bipolar”. Mais dezenas de milhares. Agora procure “hemorróidas”. Achou algum? Algo do tipo “Tenho hemorróidas e sou feliz”, ou “Quem tem hemorróidas também ama”?. Não. Doença é doença, não é motivo nem de orgulho, nem de vergonha. Mas praticamente todos os dias esbarramos com alguém se orgulhando de ser bipolar ou DDA. Ontem mesmo vi na TV uma mulher que dizia para uma pessoa que falava que a filha desta mulher era mal-educada, que “a minha filha é bipolar! É hereditário!”. Pelo amor de Deus, ela é só uma criança de no máximo dez anos, nitidamente mal-criada e mal-educada. E como ela vai ser, crescendo com uma mãe que usa uma doença como desculpa para ser mal-educada e “rebelde”?

            É lamentável pessoas, ao invés de tentarem ser pessoas boas e normais, arrumarem uma desculpa médica para suas atitudes grosseiras e mal-educadas, ou esquecidas e irresponsáveis. Eu já perdi mulheres, empregos e amigos por causa do meu DDA, mas nunca – NUNCA – usei isso como pretexto. Nunca. Sempre tentei contornar e me mediquei conforme a receita. Nunca me orgulhei de ter DDA, e não me acho melhor do que ninguém por isso. Isso é idiota, irresponsável e mau-caráter.

Ouvir uma mãe falar, em rede nacional, que a filha de no máximo dez anos é bipolar, quando na verdade ela só estava sendo UMA CRIANÇA, que como toda criança e teimosa, birrenta e resiste a receber ordens de estranhos, me faz lamentar muito os avanços da medicina nesta área. Talvez se ainda tratássemos esquizofrênicos e bipolares com eletro choques e DDAs ainda fossem tratados como imbecis, avoados e irresponsáveis, o mundo estaria livre dessa gente. O que nos resta é esperar a próxima moda e torcer para a próxima doença do verão ser a hemorróida. Pelo menos vamos nos vingar rindo quando elas sentarem de ladinho no metrô ou botarem a almofadinha na cadeira do trabalho.

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Jovem, aliste-se na sua tribo ou A Ditadura das Tribos (com trocadilho) 10/02/11


            Foi-se o tempo em que a vida era fácil, as mulheres eram menos independentes e mais acessíveis e as balas de Tamarindo não derretiam dentro do carro. Quando eu era moleque havia – como sempre houve – as “tribos”. Havia os boleiros, os playboys, os nerds, e os caras como eu era, sem tribo. Eu era um pouco nerd, um pouco boleiro, um pouco playboy, e isso era socialmente aceito. Não existia um Serviço de Alistamento em Tribos onde você era obrigado a escolher a sua aos 12 anos, como é hoje em dia.

            Hoje em dia se aceita o sujeito ser viciado, ser veado, ser negão e virar judeu, ser árabe e virar evangélico, ser torcedor do Botafogo, se aceita até o cara ser comediante stand up, mas experimente não ter uma tribo definida. Você será um pária na sociedade. É terminantemente proibido gostar de coisas que façam parte de diferentes grupos. Você não pode gostar de Raimundos (roqueiros) e jazz (nerds cults).

            Outro dia me aconteceu uma coisa no mínimo curiosa. Eu entrei em um lugar – que não vou dizer onde é para preservar a idiotice das pessoas. E neste lugar havia pessoas que mais pareciam manequins de lojas temáticas do que pessoas de verdade. Tinha a manequim da loja hipster, de wayfarer verde, all star vermelho cano longo, cabelo avermelhadom calça apertada e chapéu. Tinha também um manequim de loja gay: óculos da vovó com brilhantes na haste, camisa coladinha no corpo, calça no meio da canela, cachecol e anel no polegar. (Não é preconceito, mas segundo um estudo da University of South Pelotas, 76% dos homens que usam anel no polegar são gays, e 24% ainda não são porque estão atrasados pra exposição de arte moderna iraniana onde vão encontrar os amigos do grupo de poesia). Ou seja, estereótipos não faltavam.

            E eu tava lendo um livro chamado Game of Thrones, que é uma epopéia estilo Senhor dos Anéis que tá chegando no Brasil, ou seja, bem popzão mesmo. E eu estava vestido como me visto todo santo dia: calça jeans, all star, um rayban aviator (porque eu acho que sou o Stallone Cobra) e uma camisa listrada qualquer. Foi quando fui interpelado:

 

- Por que você tá lendo esse livro?

- Oi?

- Por que você tá lendo esse livro?

- Porque eu quero?

- Não combina com você.

- Como você sabe? Você me conhece?

- Não, mas não combina com seu estilo.

- Meu estilo? Eu to de all star e calça jeans. Que estilo?

 

- Ah, você parece inteligente. Do tipo de gente que lê (aqui ela falou cinco autores que eu não achei nem no Google depois)

- Ué, mas eu não posso ser inteligente e ler um livro comum? Eu sou escritor, tenho que ler tudo.

 

- Mas você não vai escrever essas coisas, né? (a título de curiosidade, a série já vendeu dezenas de milhões de livros no mundo todo)

- Não. Vou escrever livros pseudo-intelectuais pra babacas que lêem coisas que não gostam pra parecer inteligentes e rotulam as coisas como boas só quando são complicadas e difíceis de encontrar.

- Essa gente é fogo, mesmo. Não agüento esse pessoal que rotula tudo. Fico putíssima.

 

            Nessa hora eu fingi que meu telefone tocou e me levantei. Cacete, cadê o meu direito de ler Harry Potter e ouvir Miles Davies? De torcer que nem um retardado pro Fluminense, xingando e berrando, e depois ver Monty Python? Eu quero usar all star e ouvir Leo Jaime sem ser incomodado! Qual o problema em não ser 100% alguma coisa? Só tem duas coisas que eu sou 100%: homem e Tricolor. Só. Mas sabem o que é pior? Muitas dessas pessoas devem fazer coisas de fora dos seus nichos escondidas. No recôndito de seus lares, adolescentes punks escutam Justin Bieber, encantadas. Aposto que milhares de cult moderninhos escutam Rihanna e Lady Gaga. Não tenho dúvidas de que muitos cineastas wannabe adoram comédias românticas e vêem todos os blockbusters.

            Enfim, antigamente era muito mais fácil gostar das coisas. Não tínhamos que preencher cadastros em tribos e provar que somo verdadeiros cult-moderninhos pra comprar um Wayfarer, nem provar sermos gays pra usar brincos. Quando só o Sting e a Funai se preocupavam com as tribos, o mundo era um lugar melhor…

 

             

 

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Você é escritor? Isso passa… 09/02/11


 

 

            Como vocês sabem, comecei ontem o desafio de escrever um texto por dia, e falei sobre os mitos do ato de escrever. Pra continuar no tema, hoje vou falar sobre a relação do escritor com a sociedade, com as outras pessoas. Quando digo escrito, não me refiro somente ao sujeito que publicou um ou mais livros e vive disso. Me refiro a qualquer um que escreva com freqüência e leve o ato da escrita a sério.

             Para começar que o ofício de escritor é visto por muitos como uma coisa meio mágica, superior. O escritor é visto de maneira diferente, aqui com desdém, acolá com um respeito quase reverencial. Uns os vêem como um vagabundo que só quer escrever, outros o vêem como um gênio que consegue botar no papel o que os pobres mortais não conseguem.

     E as mulheres? É nesse ponto que a natureza nos recompensa por não sabermos jogar futebol e por perdermos a virgindade depois dos 21. Homens em geral escrevem pouco para as mulheres, então a chance de aquela gostosa que você quer pegar jamais ter recebido uma cartinha sequer de um homem são altíssimas. Essa é a sua hora, amigo. E se ela tiver recebido aquelas cartas cheias de clichês, frases de compilações de melhores frases de amor etc, é aí que entra sua eloqüência e originalidade de escritor. Não há mulher que não se derreta com uma carta/texto bem humorado, e ao mesmo tempo galanteador. Go and get´em, Tiger!

     Na sociedade em geral, quanto a trabalhar escrevendo, só tenho uma frase a lhe dizer: quando tiver que fazer o próximo cadastro em um hotel ou loja, experimente escrever “escritor” no campo “profissão”, e observe. Aposto cem reais que a frase da pessoa que ler vai ser uma dessas três: “Você não tem emprego?”, “Quantos livros você escreveu?” ou “Amigo, tem que botar a profissão de verdade. O campo ‘hobby’ é na próxima linha”. Acredite, falar para as pessoas que você é escritor causa estranheza. Experimente. Mas depois que a fase de te acharem vagabundo passar, virão as perguntas. Se prepare.

    A clássica máxima já possui, hoje, centenas de complementos, e eu acrescento o meu: todo brasileiro é técnico de futebol, médico e escritor. Todo mundo acha que tem uma estória genial pra contar e que “eu escrevia muito bem mesmo, mas parei. Eu devia ter continuado”. Praticamente todo mundo. E essa característica tem dois lados, igualmente chatos: todo mundo vai revisar, criticar e dar pitacos nos seus textos, e todo mundo vai querer que você leia os textos deles, como se estivessem te entregando um manuscrito de Machado de Assis. O cabra nunca escreveu nada maior do que assinatura em cheque e se acha o verdadeiro editor. E ainda usa frases como “o leitor pode se ofender”, “não tem público pra isso no Brasil” ou “é, até que não tá ruim”. Durma com um barulho desses, amigo. Ser escritor é bacana, mas, assim como a rapadura, não é mole não.

 

 

 

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Desafio um texto por dia – Texto de hoje: mitos da escrita 08/02/11

 

 

            Bom, pra provar a minha teoria de que inspiração não existe, a partir de hoje vou postar um texto por dia aqui no Ego. Só postar não, escrever, porque eu não tenho textos de backup. E o texto de hoje vai ser exatamente sobre isso: mitos do ato de escrever. Que fique claro que vou dar a minha opinião, o que não significa que elas sejam a verdade absoluta. Não neste caso.

            O primeiro mito é o mito da inspiração. Ok, eu sei que é legal falar isso, que as mulheres adoram um escritor que encontra inspiração na natureza ou no meio da rua. Eu sei que falar “pô, hoje eu não to inspirado” é bacana e te livra de ter que escrever. Mas desculpa acabar com a sua ilusão: inspiração não existe. Não neste sentido de ser algo anterior e necessário ao ato de escrever. Inspiração existe para músicos e poetas, e mesmo assim, ela não é condição sine qua non.

Conheço compositores que escrevem letras de música a hora que querem, sem mistérios nem charminhos inspiracionais. Amadores podem se dar ao luxo de ter inspiração para escrever uma carta para a namorada ou um poema. Escritores profissionais fazem o que deles se espera: escrevem. Eles sentam e escrevem. Pode demorar, pode ser trabalhoso, árduo, mas isso nada tem a ver com inspiração. Imagine a seguinte cena:

 

- Emergência! Perfuração por arma de fogo no tórax, doutor. O pulmão direito foi perfurado e a bala está a dois centímetros da coluna. Vamos levar para a sala de operação!

- Olha, não vai dar.

- Não vai dar o que?

- Pra operar ele.

- Como assim, doutor Guedes?

- É, não vai dar. Não to inspirado. Sei lá, me deu isso de repente. Eu pego o bisturi e não vem nada. Nadinha. Eu olho pra esse sangue todo, o buraco da bala e nada. A inspiração me abandonou…

 

Consegue imaginar a cena acima? Nem eu. Então, se você é escritor, senta a bunda na cadeira e escreve. Deixa o papo de inspiração pra mesa do bar ou pra usar como desculpa pra ir pro bar encher a cara.

O segundo mito é que se você não sofre escrevendo, você não é um escritor. Esse mito é embasado em algo que eu chamo de A Aura do Escritor. É a aura que, quando alguém diz que é um escritor, automaticamente todos o vêem como mais inteligente e perdoam suas excentricidades. Mais uma vez: escrever pode doer se você está escrevendo um desabafo, uma carta para a namorada. Mas se você é ou pretende ser pago para isso, nem comece a alimentar esse mito.

Escrever dói na medida em que qualquer atividade intelectual é árdua na maioria das vezes. Mas não precisa causar sofrimento. E, ao contrário do que muita gente pensa, o fato de o escritor dizer que sofreu escrevendo não faz a obra melhor do que se ele tivesse escrito no ônibus ou enquanto jogava poker online com os amigos. Ter que sofrer para escrever é mais ou menos isso:

 

- Ô Paulo, que que você tem?

- Cara, to acabado. Aquela declaração do Imposto de Renda do Dr. Cézar acabou comigo.

- Como assim? Foi muito grande?

- Não, não, mas cara, acabou comigo. Porra, to exaurido. Mas me livrei, parece que tirei um peso das costas. Não agüentava mais.

- Paulo, o Dr. Cézar é ambulante e vende Bíblias. A declaração dele é de isento e nosso escritório só faz porque ele é da Igreja do dono do escritório. Ele não tem nada pra declarar, você deve ter demorado quinze minutos!

- E daí, cara? Foram vinte minutos de pura exaustão! Ah, acho que vou sair pra tomar um chop.

 

Então, se você é ou pretende ser pago pra isso, deixe esse papo de sofrimento pra tirar onda com menininhas em aniversário de prima adolescente.

O terceiro mito é um dos meus preferidos: escrever bem é escrever difícil. Esse mito advém dos intelectualóides que sempre dizem estar relendo os clássicos que nunca leram. Esse mito é interligado aos anteriores. Para os pseudo-intelectuais, quanto mais o escritor sofrer para escrever e mais complicada for sua escrita, melhor. Minha dica é: só use uma proparoxítona depois de pensar durante dez minutos em um sinônimo. Escrever bem é escrever claro, e não escrever complicado. Os grandes mestres escreviam de maneira simples e clara, como Machado, Drummond, os Verissimos – pai e filho – e muitos outros.

Infelizmente as pessoas acham que algo direto e claro é sinônimo de má qualidade pois, se seu texto é acessível ao público médio, ele não é bom. Quem pensa assim é leitor de resumo, que lê comentários na internet sobre um livro e sai vomitando críticas sem embasamento. Então, seja simples, direto e, acima de tudo, claro. A não ser que você esteja escrevendo um suspense ou algo do tipo e queira propositadamente confundir o leitor, não o confunda. Ele vai te agradecer, e você vai ganhar leitores de verdade, e não leitores de resenha.

Bom, é isso. Vocês sabem mais algum mito sobre o processo de escrever? Manda pra cá que eu falo disso amanhã, ou depois. E se você concorda ou discorda, deixe seu comentário aí embaixo.

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Quem peida em público não precisa de psicanálise 03/01/11

 


          A sociedade chegou a um tal ponto que já não conseguimos, muitas das vezes, distinguir o que é convenção social e o que é instinto, ou, para os puristas, um comportamento, digamos, natural. Conceito básicos como amor, família, incesto, sexo e higiene estão na fronteira entre o instintivo e o socialmente convencionado. E até que ponto conseguimos controlar nossas atitudes, mesmo sabendo que algo seja ou não uma convenção? Até que ponto não andamos pelados na rua por respeito a uma convenção?
          Andar pelado é um exemplo forçado, admito, mas há outras convenções que verdadeiramente regem a vida de algumas pessoas. E, me desculpem a repetição, até que ponto isso é bom? Até que ponto somos felizes seguindo convenções muitas vezes sem o menor sentido?
          Hoje eu estava assistindo uma série nova aqui no Brasil chamada Justified, cujo personagem principal é um delegado que revive o estilo dos velhos delegados cowboys: chapéu, botas e a habilidade de sacar o revólver antes do inimigo. Assim que comecei a ver, pensei “Cacete, vou comprar um chapéu desses!”. Mas depois parei pra pensar em o quão ridículo seria eu, no Brasil, sair na rua de chapéu de cowboy. Mas espera aí, cara-pálida, ridículo para quem? Para gente que se pendura em ganchos espetados no próprio corpo? Para religiosos fervorosos que dentro dos seus lares batem nas mulheres e nos filhos? Para mulheres que se fingem de boas moças para os namorados, quando são verdadeiras devassas longe deles? Para jovens que se tatuam e usam roupas extravagantes somente para chocar? Eu, de chapéu de cowboy, seria ridículo para homens e mulheres escravos da estética, que gastam milhares de reais por ano em academias em nome somente da estética, e não da saúde? E então, depois de pensar nisso, decido que vou comprar um chapéu e mandar às favas as opiniões alheias.
         Verdade é que, em uma linguagem grosseira, quem peida em público não precisa de psicanálise. Um sujeito que anda de chapéu de cowboy no Rio de Janeiro compreende, perfeitamente, a fronteira entre a convenção e o natural, e não se deixa amarrar pelas convenções idiotas e preconceituosas. Há uma distância abissal entre respeitar a opinião alheia e pautar a sua vida por ela. Você não tem o direito de sair por aí ofendendo as pessoas, mas de sair de chapéu de cowboy você tem! É menos ridículo do que se drogar ou beber até cair? Pese na balança: socialmente, você vai ser mais discriminado por usar um chapéu de cowboy do que por beber até cair. Faz sentido? Nenhum. Portanto, daqui pra frente, respeite a opinião dos outros, não fira seus direitos, mas mande às favas as convenções estúpidas e as opiniões impregnadas de preconceito. Compre um chapéu de cowboy e saia com ele em pleno Jardim Botânico! E se você conseguir peidar sem feder muito, dê um peido bem barulhento em público e economiza anos de psicanálise. Não que eu faça isso, claro. Um amigo faz e me contou que funciona.

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Mais chuva e menos USB, ou, VIVAM DE VERDADE! 22/12/10

 

          O tema é clichê. Muito já se falou sobre essa coisa de vida online, vida offline, saia da internet e vá ler um livro etc. Mas eu vou falar também. Vou dar uma visão de alguém que trabalha com redes sociais, e detesta do fundo do coração cada uma delas. Pra começo de conversa, eu acabei de excluir meu Orkut. Pra quem não acredita, procura lá por Léo Luz ou Léo Alcoforado. Não tem mais. Por que eu fiz isso? Porque eu quero, cada vez mais, tirar minha vida da internet. Nada dessa palhaçada de privacidade não. Quando eu digo vida, quero dizer contato com as pessoas e coisas. E é exatamente esse o ponto do meu texto.

           Na internet é muito fácil ser popular. É muito fácil ser amado, ser o amigão, o cara que todos queriam conhecer. Mas essa facilidade é falsa. Ela se dá simplesmente porque na internet você só mostra às pessoas seu lado bom. Você não convive. Não divide nada. Não conversa horas a fio pessoalmente, olhando na cara. Na internet é muito fácil ajudar as pessoas achando um link ou ensinando uma bobeira qualquer sem importância.

           Mas na internet as pessoas não precisam do seu guarda-chuva em dia de chuva. Na internet ninguém precisa de cafuné depois de um dia cansativo. Na internet ninguém te pede pra ensinar origami, pra ensinar a fazer mágica com moeda ou pra trazer um guaraná quando você for na padaria comprar cigarros. Na internet não dá uma piscadinha pruma amiga que tá triste, você não cobre a sua namorada com o lençol porque agora tá frio, mas quando ela foi dormir tava calor e ela está descoberta. Na internet seu namorado não fica chateado porque ele chegou cansado do trabalho e você foi ficar no computador.

           Na internet é mais fácil pedir desculpas. É mais fácil aparecer depois de semanas sumido. Então, amigos, escutem este jovem velho de trinta anos: fiquem menos na internet, e mais com seus namorados, namoradas, amigos, família, porteiros, o que seja. Dêem mais atenção pra quem se importa e cuida de vocês DE VERDADE. Não pra quem lembra de você só porque o Orkut lembrou do seu aniversário. Cuidem das pessoas que pegam chuva por você, que te ensinam a assoviar, que levam chocolate pra você no trabalho. Se preocupem mais com as pessoas com as quais você briga falando de futebol, com as pessoas que vão realmente estar do seu lado quando você precisar. Porque mandar um recado no Facebook é fácil, difícil é sair na chuva só pra dar um beijo na sua namorada.

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