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Bote a Boca no Ego – A grande estréia, com acento! 25/05/11

Caros amigos, o Ego farda mas não talha. Na verdade talha sim. E eis que, quando todos menos esperavam, a seção Bote a Boca no Ego estréia!  E com acento porque somo old school e gostamos de falar de nós mesmos na terceira pessoa. Para quem não sabe como funciona, é só enviar uma pergunta para euemeuegogrande@gmail.come eu responderei semanalmente, comparilhando com vocês toda a sabedoria, genialidade e modéstia que Deus me deu. Vamos às perguntas de estréia? (sempre com acento):

 

Gostaria de saber algumas dicas para diminuir meu fluxo menstrual. Beijinhos. - Soraya Vanessa, de Itajaí.

 

Cara Soraya,

Tenho certeza que assim como muitos dos meus leitores, você achou que eu fosse indicar uma rolha, um tampão ou até mesmo sugerir a você enrolar vários absorventes em um consolo e ir trabalhar protegida. Mas não o farei. As minhas dicas são precisas e sempre certas. Mas no seu caso, você vai precisar dos seguintes itens: um homem de até 60 anos, um vestido decotado, uma lingerie sensual, camisinhas, agulhas e um local com privacidade.

Primeiro use o vestido decotado perto do homem. Espere até ele lhe chamar para sair. Aceite. Leve-o ao local com privacidade. Insinue-se para ele e, quando a coisa esquentar, tire o vestido e fique somente com a lingerie, para garantir o efeito esperado no homem. Vá para cima dele com volúpia e ardor e pegueas camisinhas na mesinha de cabeceira. As camisinhas devem ser previamente furadas com as agulhas, sem que o homem saiba. Façam sexo com a camisinha furada. Espere algumas semanas e voilá!, você não vai menstruar durante nove meses. Em alguns casos será preciso repetir toda a receita, pois pode acontecer do sujeito ser ruim de mira ou algo que o valha. O único porém desta receita é que ela resolve seu problema somente por nove meses, mas pode ser refeita a cada fim do período ad infinitum, até que você entre na menopausa e pare de menstruar.

Espero ter ajudado.

 

Sr. Leonardo

Quando é que o senhor irá efetuar o pagamento das faturas em atraso ???? Att.Equipe Buttman

 

Cara Equipe Buttman,

Já falei mais de mil vezes que não fui eu que cadastrei meu e-mail, CPF, nome, nascimento, impressão digital, reconhecimento por voz e identificação de retina no site de vocês. Foi meu primo. E gostaria de pedir também que não me incomodassem mais em meu ambiente de trabalho. Grato.

 

p.s.: Quando sai o novo Anal Vampires Hipster Exploders ?

 

 

Querido Léo

Gostariamos de saber se escritores realmente são melhores de cama do que os outros homens. Beijos. Bruninha Skatista, de Sorocaba

 

Cara Bruninha,

Olha, eu nunca comi um escritor, então só posso dizer por mim. Posso lhe garantir que a resposta para esta pergunta, pelo menos da minha parte, é positiva. Todas as namoradas que tive concordavam e gritavam exatamente isso durante toda a transa, sem parar um segundo. E olha que para fazer uma mulher gritar por dois minutos e meio o sujeito tem que ser, como nós cariocas dizemos, sinistro.

 

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Novo layout, novo blog 12/05/11

Como vocês devem ter percebido aí em volta, o Ego está de layout novo. Desde o começo do blog, o máximo que mudei eram temas prontos. Pela primeira vez o Ego tem um layout exclusivo e bonitão assim.

Passei semanas perguntando às pessoas as preferências delas sobre blogs, sobre leitura, e acho que esse layout atende bem ao que eu entendo por proporcionar ao leitor uma boa e confortável leitura.

Mas não é só isso. Junto com a nova cara, eu criei duas novas seções no blogue: a Contos Musicais e a Bote a Bota no Ego. Em Contos Musicais vocês vão ler contos meus feitos a partir de letras de músicas já conhecidas. O primeiro exemplo foi o Quando o Samba Acabou, feito inspirado na música homônima de Noel Rosa.

Já em Bote a Boca no Ego eu vou revitalizar uma coisa que eu já fazia no Blog do Videolog e mais tarde no Ela Tá de Xico. Basicamente eu vou responder com toda a minha sabedoria e humildade às perguntas que vocês enviarem. É só mandar sua pergunta pra contato@euemeuegogrande.com e ela será respondida.

Já em Textos Semanais você vai ler os textos normais, postados ao longo da semana no blogue. Espero que vocês gostem das mudanças, leiam, indiquem e façam deste blog um blog grande, merecedor de estar entre as cartas do Super Treta Blogs na próxima edição. Um abraço.

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Regras 26/04/11


          Apesar da fama de anárquico e subversor, devo admitir que sou um sujeito bastante apegado às regras. Gosto de saber as regras antes de começar a jogar. E ao contrário do que os espertinhos aí pensam, as regras não nos atam. Elas nos libertam. Com um profundo conhecimento das regras, podemos utilizá-las até o limite, criando situações que impossíveis para quem não conhece as regras tão bem. E também me incomoda criar as regras com o jogo em andamento. Sou o tipo de sujeito, por exemplo, que só está em um relacionamento sério quando isso é explicitado, e as regras são postas.

            Pois bem. Depois desta nada breve introdução, a explanação: com a descoberta, nos últimos dias, de que uma mulher que eu conheço possui, digamos, desejos sexuais com relação à minha namorada, depois de ter meu orgulho ferido por não ter sido eu o alvo de tal lascívia, um pensamento comum à mente de qualquer homem são me veio à cabeça: o famigerado ménage a trois. Que se diga que esse pensamento veio bem rápido, não foi cogitado nem por um momento e eu jamais aceitaria ir para a cama com a minha namorada e outra mulher bonita, gostosa, tarada e cheia de tesão. Nunca.

            Mas o ménage, eu dizia. Como sou um sujeito de hábitos sexuais bastante ortodoxos, nunca participei de um. Pelo menos não um onde as duas mulheres estivessem presentes. Mas mesmo assim me pus a pensar: ménage a trois tem regras? Tem limites? Por exemplo, se depois de um tempo a sua namorada dorme e você parte pra cima da outra mulher, é traição? Se a sua namorada sai pra beber água e você e a outra mulher se engalfinham durante a espera, alguém foi traído? Se vocês três, após o primeiro round, saem para comprar uma pizza e você descontraidamente dá aquela beliscadela na frondosa bunda da outra mulher, você traiu sua namorada? Se a outra mulher faz algo que a sua namorada não faz, ela tem o direito de ficar com ciúmes? Se vocês estiver na cama com a sua namorada – só você e ela – e você balbuciar o nome da outra mulher que esteve com vocês no ménage, ela pode se sentir ofendida?

            Em um desses beijos modernos, com duas mulheres e um homem, por exemplo. Onde eu ponho as mãos? Posso pegar na bunda de qualquer uma das duas? Posso pegar um peito com cada mão? Só pode pegar na bunda da que tiver te pegando? E se elas começam a se pegar e te esquecem? Você pode pegar na bunda de alguma delas? Pegar uns peitinhos pra animar? Uma suruba então seria o supra-sumo do desafio ao o meu apego às regras. Como vocês podem perceber, minha vida sexual poderia ser muito mais movimentada se eu não fosse tão apegado às regras…

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Pior para as estatísticas 21/04/11


"Eu vos digo que o melhor time é o Fluminense. E podem me dizer que os fatos provam o contrário, que eu vos respondo: pior para os fatos". O Fluminense tem uma vocação para desafiar e menosprezar os fatos. Desde os títulos impossíveis contra os timaços do Flamengo na década de oitenta, passando pela final de 95 contra outro timaço do Flamengo, chegando até a noite de ontem.

Fossem torcedores de outros times, eles iriam beber, dormir ou ver o jogo de rabo de olho, sabendo que a classificação era impossível. Mas não o Fluminense. Não o time que prova, dia após dia, que a matemática no futebol é tão útil quanto entrar no campo dando três pulinhos com o pé direito. Não o Fluminense, que se especializou, nos últimos tempos, em dobrar estatísticas, em desbundar matemáticos, em envergonhar torcedores de outros clubes que vêem os jogos com a certeza de que o Fluminense não se sagrará vitorioso. Ledo engano.

Todas as estatísticas sobre futebol deveriam trazer um apêndice, marcado por um asterisco, onde ler-se-ia: “Em caso de um dos times ser o Fluminense, revogam-se todas a estatísticas em contrário”. Eu tenho certeza absoluta que ontem todos os torcedores de outros clubes que estavam torcendo contra o Flu, em algum momento pensaram: “Não podia ser um time mais fácil de secar?”. Podia.

Mas, apesar da eterna vocação para empalador de matemáticos, o jogo de ontem não foi fácil. Como nunca é. O Fluminense deu esperança aos matemáticos e aos secadores até o último minuto de dizerem “Não falei que não ia se classificar?”. E ontem, até os 43 minutos do segundo tempo, os matemáticos ainda triunfavam. E os torcedores de outros clubes se vangloriavam de terem antecipado a derrota tricolor. Mas eis que Fred, que não marcava há vários jogos, provou que, para o Fluminense, 1% de chances é mais do que nós precisamos.

E depois de mais uma batalha – ontem, literalmente – o Fluminense calou os críticos, os matemáticos e o técnico rival. Aliás, caro Pedro Troglio, com o Fluminense milagres acontecem sim, duas vezes. Se você fosse matemático, saberia muito bem que não se deve duvidar do maior tricolor do mundo.

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Reticências… 14/04/11


- O que é isso, Francisca? – Indagou um revoltadíssimo Evandro, com o telefone celular de Francisca nas mãos.

- Como assim o que é isso? Meu celular.

- Não se faz de boba, Francisca! Tô falando dessa mensagem aqui! – Evandro mostra uma mensagem no celular dela.

- É uma mensagem do Sílvio, do eu trabalho. Que que tem?

- Que que tem? Que que tem?? Lê direito! – Evandro mostra a mensagem, onde se lê “Preciso falar com você…”.

- Ele tá falando que precisa falar comigo. Não entendi.

- Não, Francisca, não. Ele não fala que quer falar com você. Ele fala que quer falar com você…

- O que? Não entendi nada!

- A mensagem terminada com reticências, Francisca! RETICÊNCIAS!

- Ham?

- “Ham” o que, sua cara de pau? Ele termina a frase com reticências!

- E daí?

- Como “e daí?”. E daí que terminar uma frase dessas com reticências quer dizer alguma coisa comprometedora!

- Olha, Evandro, eu acho que você anda trabalhando demais. Dessa vez você exagerou.

- Exagerei? Exagerei?

- Claro! O Sílvio trabalha comigo o dia inteiro, qual o problema dele querer falar comigo?

- Nenhum, desde que ele não tenha nada pra falar com reticências!

- Desisto, Evandro. Não dá pra discutir com você.

- Ah, é? Vou dar um exemplo. Suponhamos que ele fosse te falar que você esqueceu os óculos no trabalho. Ele mandaria a mensagem “Preciso falar com você”, com PONTO FINAL. Você perguntaria o que é e ele responderia, sem enrolar, sem engasgos. Agora, com reticências é foda. Com reticênias parece que ele mandou a mensagem “preciso falar com você”, com reticências, e quando você fosse perguntar o que é ele ia dizer: “Sabe o que é? Eu te amo! Eu te amo e quero fugir com você! Dei um golpe na empresa, roubei duzentos mil dólares, comprei duas passagens e um apartamento em Veneza pra gente. Estou te esperando no aeroporto, nosso vôo é às sete. E traz botas porque dizem que a água lá tá subindo”. Entendeu, Francisca? Reticências transmite uma idéia de querer dizer algo e não saber como, de falta de jeito, de ter que fazer rodeios pra falar alguma coisa, algo comprometedor.

- Evandro, você é maluco. Sério. Você acha MESMO que alguém pensa nisso antes de botar uma droga de um ponto, dois ou três depois das frases? Acha?

- Claro que acho, é inconsciente! Ele precisava te falar alguma coisa mas não sabia como, não sabia a sua reação. Então pegou o celular, escreveu a mensagem, hesitou, apagou, tomou coragem e mandou. COM RETICÊNCIAS!

- Ok, chega! Não vou mais dar corda pra sua maluquice. Chega disso.

- Então vamos fazer o seguinte: já que você diz que não tem nada, a Jandira tá precisando de gerente de marketing na loja dela e paga melhor do que seu escritório. Já que não tem nada, vai pra lá. É aqui mesmo em Niterói e você não vai precisar ir pra outra cidade todo dia pra trabalhar, e não vai mais ver seu amiguinho Sílvio. Ok?

- Ele não é “meu amiguinho”, Evandro.

- Tá, mas tá combinado então?

- Tá bom, Evandro, se você vai parar de encher meu saco.

- E não quero mais ver mensagens dele, com ou sem reticências. Agora ele não vai mais ter o que falar com você.

- Tá, tá. Agora vou tomar banho porque você tá me alugando desde que eu cheguei do trabalho.

 

            Francisca sai da sala e entra no banheiro. Pega o celular e digita uma mensagem para Sílvio: “Precisamos conversar…”.

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Até que o léxico os separe 29/03/11

 

- Você é uma piranha!

 - Eu já falei que não fiquei com o Benedito, seu idiota!

 - Claro que ficou, deixa de ser cínica!

 - Não fiquei! E mesmo assim, você já me traiu com a Rosa, esqueceu? Então você é um veado!

 - Veado? Por que veado?

 - Por que você me traiu com a Rosa, já falei!

 - E por isso eu sou veado? Eu te traí com uma mulher, não com um homem. Não sou veado!

 - Ah, então você é um filho da puta, isso sim!

 - Ei, o que que a minha mãe tem a ver com isso?

 - Nada, você é um filho da puta e ponto!

 - Minha mãe não era prostituta, não faz o menor sentido isso!

 - Ah, seu vagabundo, não enche meu saco!

 - Vagabundo? Eu trabalho dez horas por dia, tá de sacanagem?

 - Ah, não enche meu saco! Não tenho culpa de não ter uma palavra na língua portuguesa equivalente a “piranha”.

 - O problema não é meu. O que eu sei é que eu não sou veado, nem vagabundo, nem filho da puta.

 - Você é um escroto mesmo, eu falando sério e você aí debochando.

- Olha só, eu vou trabalhar. Quando eu chegar a gente conversa. Não quero continuar com uma piranha, vai todo mundo ficar falando. Imagina se descobrem no Facebook que eu sou noivo de uma piranha? Vão falar de você o tempo todo, e de mim ninguém vai falar, nem existe palavra pra “piranha” homem, já é normal. Eu não vou ter cara de sair na rua com todo mundo falando que sou noivo de uma piranha. Desculpa.

 

            Jonas saiu para trabalhar. Na verdade ele queria terminar o noivado há meses, e se aproveitou de que Marília havia descoberto seu caso com Rosa para terminar tudo. E como fosse muito egocêntrico e orgulhoso, tentou ofendê-la de todas as maneiras, com ironias e sarcasmo. Foi trabalhar todo cheio de si: iria se livrar da noiva, ficar com a amante e sair por cima. De noite, ao chegar do trabalho, encontrou a casa vazia. Nenhuma roupa de Marília no armário. Somente um bilhete na mesa da sala, escrito o seguinte: “Jonas, depois que você saiu, liguei para o Benedito. Ele veio até aqui e transamos a tarde toda, na nossa cama. Por isso estou indo embora. Não quero continuar com um corno, vai todo mundo ficar falando. Imagina se descobrem no Facebook que eu sou noiva de um corno? Vão falar de você o tempo todo, e de mim ninguém vai falar nada, nem existe a palavra “corna”, já é normal. Eu não vou ter cara de sair na rua com todo mundo falando que sou noiva de um  corno. Desculpa. Beijos, Marília”.

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O mal do malandro… 17/03/11

 

 


            Henrique estava fazendo compras no supermercado quando de repente seu telefone toca.

 

- Alô, Henrique?

- Alô, quem é?

- Cara, você não me conhece. Meu nome é Gilberto. É o seguinte: eu preciso sair com uma mulher gostosíssima hoje, mas eu sou casado. E na hora que a minha mulher me ligou eu fiquei nervoso, abri a agenda de telefones de um cara aqui do lado, vi seu telefone, dei seu número pra ela e falei que você era meu amigo e que eu ia tomar um chopp com você.

- Você tá zoando, né? Quem te deu meu telefone pra você passar trotezinho?

- Cara, não é trote. Eu trabalho em uma empresa de telemarketing, e seu nome tava na lista do cara aqui do lado par te ligar pra oferecer cartão de crédito. Aí a minha mulher me ligou, eu fiquei desesperado, abri a agenda e inventei isso.

- Não, amigo, você só pode estar de sacanagem. E eu não to achando nenhuma graça, eu estou fazendo compras, ocupado. Eu tenho mais o que fazer. Tchau!

- Espera, espera! Me ajuda, cara, não custa nada! É só você falar pra minha mulher que eu to com você quando ela ligar. Inventa que eu fui estacionar o carro, sei lá, só confirma, porque ela tá achando que eu menti!

- Mas você mentiu.

- Claro, porra! Mas não é pra ela saber, né?! Eu não posso perder essa chance, cara. Eu quero comer essa mulher há anos!

- Mas você não tá bem com a sua mulher? Vai pra casa, cara, porra!

- Claro que tô bem, minha mulher é linda! Mas por favor, sem lição de moral. Você é homem, sabe do que eu to falando. Não posso deixar de sair com essa mulher.

- E se ela desconfiar?

- Não vai desconfiar nunca, relaxa.

- Puta que pariu… Tá, mas faz o seguinte: me manda uma mensagem explicando isso. Eu não faço essas coisas, vou ficar nervoso, me enrolar. Manda uma mensagem pra me guiar melhor.

- Poorra, cara, nem sei como agradecer! Já to mandando a mensagem! Valeu mesmo, te pago um chopp depois! Ela não vai nem desconfiar!

- Precisa não, mas pára com isso. Sossega depois, para de enganar sua mulher.

- Depois dessa prometo me comportar! Sério.

- Falou, manda a mensagem aí que eu te salvo. Mas não acostuma.

- Valeu, mermão. To mandando. Abraço e valeu, salvou a minha vida!

- Valeu, té mais.

 

            E em alguns segundos a mensagem de Gilberto chega ao celular de Henrique, dizendo o que ele deveria falar para que ele pudesse desfrutar da noite de amor com a tal gostosa. Umas duas horas depois o telefone toca:

 

- Alô, quem fala?

- A senhora quer falar com quem?

- Eu queria falar com o Gilberto, eu sou esposa dele. Ele me disse que estaria com você porque ele esqueceu o celular no banco.

- Olha, como é mesmo seu nome?

- Rita

- Olha, Rita, é o seguinte. Seu marido tá te traindo.

- O que? Isso é alguma brincadeira, é!?

- Não. Você pode encontrar comigo no Shopping Norte Center?

- Olha, se isso for brincadeira você vai se dar mal!

- Não é, garanto.

 

            Meia hora depois eles se encontravam no Shopping. Henrique disse a Rita que ouviu Gilberto tramando a mentira com Pádua, o dono daquele celular. Só que Henrique saíra para casa e esquecera o celular no trabalho. Ao ver que Rita estava ligando, Henrique ficou com raiva da mentira de Gilberto e atendeu o telefone, e lhe contou toda a verdade. Rita ficou uma fera, só falava em terminar tudo, em se vingar. Henrique a convidou a tomar um chopp para relaxar. Eles foram, conversa vai, conversa vem, Rita com raiva de Gilberto resolveu dar o troco e acabou indo para um Motel com Henrique. Passaram quase a noite toda lá, e Rita ainda chegou em casa antes de Gilberto, que chegou horas depois, na ponta dos pés. Troco dado, Rita decidiu não brigar nem terminar, mas manteve o caso com Henrique.

            No dia seguinte, Gilberto feliz da vida ligou para Henrique para lhe pagar o tal chopp:

 

- Cara, minha noite foi sensacional! Puta que pariu! Ela não desconfiou?

- Nadinha.

- Porra, vou te pagar dez chopps! Tu pode hoje à noite no Allonso´s?

- Cara, até posso mas vamos deixar pra outro dia. Bebi muito chopp ontem e to de ressaca.

- Ressaca moral ou de verdade? Fez o que não devia, é?!

- Eu nunca faço o que não devia, Gilberto. Nunca.

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Empreendedor is the new Atriz Modelo e Manequim 15/03/11


            Assim como a moda, as eras climáticas e o flash back com ex-namoradas gostosas, o sonho profissional do brasileiro é cíclico. Nas décadas de 30, 40, o sonho era ser algo, digamos, respeitável: médico, advogado, presidente de clube de poesia etc. Nas décadas de 50 a 70, ser artista era o sonho de doze entre dez jovens: músico, cantor, escritor, cineasta, artista plástico, enfim, ser algo que expressasse arte e desapego aos bens materiais era o ápice da realização profissional. Aí essa geração cresceu, dura e falida, e seus filhos perceberam, nas décadas de 80 e 90, que ser funcionário público era o “must”, como se dizia na época. E pipocavam sonhos de ser gerente do Banco do Brasil ou trabalhar em “repartição”. Mas foi no começo dois anos dois mil que começou a se proliferar a praga que hoje toma conta deste país: o empreendedorismo.

            Do final dos anos 90 até hoje, abrir seu próprio negócio passou a ser o sonho de 10,5 entre 10 brasileiros. Claro, sem contar os que já gostavam de abrir o negócio antes, sem preconceitos. Gente abrindo empresas das mais esdrúxulas e prestando serviços que nem elas mesmas sabem explicar pipocam nos classificados e nas redes sociais – o Oásis do empreendedorismo. Negócios relacionados à internet e às rede sociais então hoje em dia fazem mais sucesso do que teste de gravidez depois do carnaval. É proibido hoje em dia você não ter vontade de abrir uma empresa. O diálogo a seguir é verídico:

 

- Fala, Léo, beleza? Tô sabendo que você tá trabalhando como roteirista – Ex-colega de trabalho que vai ter seu nome protegido para não expô-lo ao ridículo.

- Falae, cara. Tô sim, frila. Mas to querendo mais trabalhos e tal.

- Mais trabalhos? Por que?

- Como assim por que? Por que sim.

- Por que você não abre sua empresa, cara?

- Minha empresa? Empresa de que?

- Sei lá, um negócio só seu.

- Pra que?

- Pra ter um negócio só seu.

- Pra que??

- Pra não ter mais que depender de patrão, chefe, pra ter mais liberdade etc.

- Mas eu não quero abrir empresa. Só quero fazer mais roteiros.

- Não quer? Não quer ser seu próprio chefe? Não quer fazer seus horários? Não quer ser dono d seu próprio trabalho?

- Não…

- Cara, eu abri uma empresa. Saí da Jugureba (nome fictício) e abri minha empresa. Eu faço meu horário, não tenho chefe, patrão, nada disso. Eu sou um empreendedor, um empresário. Eu sou feliz

- Você é feliz produzindo separadores de comprimidos feitos a partir de tubos de lubrificantes reciclados?

- E daí? Mas não tenho chefe, ninguém manda em mim!

- Ok então…

 

            E o meu amigo se despediu, dizendo que tinha uma reunião importante e depois ia pra praia, porque não tinha chefe. Claro que o negócio dele não é exatamente esse, mas é igualmente ridículo e absurdo. Vale mesmo a pena abrir seu próprio negócio e abrir mão de fazer o que você gosta só pelo “espírito empreendedor?”. Vale a pena abrir um negócio sem ter maturidade pra isso, só para “ter seu próprio negócio?”. Sinceramente, não ligo de ter chefe nem nada. Caguei. Se eu estiver fazendo o que eu gosto, que diferença faz? Melhor fazer algo bem e trabalhar para outra pessoa, do que ser dono do seu próprio negócio e não saber explicar o que faz. Eu sei explicar o que eu faço em duas palavras: eu escrevo. E os empreendedores de butique será que sabem? Resumindo: empreendedor is the new Atriz Modelo Manequim.

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O sensacionalismo chega à internet, ou, Tudo pela audiência 11/03/11


            Algumas semanas atrás um documento do CEO da AOL vazou. Entre outras coisas sobre linha editorial, um tópico chamou a atenção de todos e causou frisson na internet. Este tópico dizia que “a escolha de pautas deve ser guiada por quatro tópicos: potencial de tráfego, potencial de faturamento, qualidade de edição e tempo de resposta”. Ou seja, a AOL nada mais fez do que institucionalizar algo que a maioria dos grandes blogs – brasileiros ou não – já fazem: pensar primeiro em gerar tráfego e caçar pára-quedistas do Google, e depois em produzir conteúdo interessante.

            É realmente triste você visitar dezenas de blogs e ver que em 90% deles os posts são sobre hypes, celebridades ou assuntos que estão sendo muito buscados na internet. E não-raro lemos posts sobre os mesmos assuntos – quando não são OS MESMOS POSTS – em diversos blogs diferentes. Só pra não restar dúvida: quantos blogs VOCÊ conhece que se preocupam PRIMEIRO em produzir conteúdo de qualidade e interessante ao público, e DEPOIS em buscar visitas do Google etc? Eu conheço pouquíssimos.

            Tudo bem, não sou iludido. Sei que muita gente vive dos blogs, e que as visitas são o mais importante para que eles tirem daí seu sustento. Mas isso não significa pensar EXCLUSIVAMENTE nisso. A Rede Globo, por exemplo, tão mal falada pelos puristas e viúvas do comunismo, oferece ao público o que ele gosta, se não a audiência não seria tanta. Você não gosta de novela, mas muita – MUITA – gente gosta. Muita gente gosta de Zorra total. Muita gente gosta do Casseta. Muita gente gosta do Globo Ecologia. A Globo oferece conteúdo que o público quer, e não só o que dá dinheiro. Assim fosse haveria sete novelas diárias na programação da Globo, intercaladas com jornais nacionais.

            Eu sei que é romântico – inocente, até – mas quando se faz um conteúdo que agrada ao público, a resposta é imediata. E você vai trazer para o seu blog gente que REALMENTE quer ler seu conteúdo, e não está atrás da sextape da Sandy, das fotos da Glória Maria nua ou de notícias sobre a última namorada espancada pelo Dado Dolabela. Gente que vai entrar no seu blog e ler os posts, ao invés de entrar, clicar, te satisfazer e ir embora. É muito triste ver um segmento que cresce tanto indo cada vez mais para este lado. Cada vez mais gente preocupada com adsense e menos com conteúdo. Cada vez mais gente preocupada com pára-quedista no Google e menos em fazer um conteúdo que faça o leitor repassar para os amigos. E tem gente que faz isso e ainda tem a empáfia de chamar a Globo de capitalista ou reclamar do sensacionalismo dos programas de TV. Macaco só vê o rabo do macaquinho do lado.

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A Sextape da Sandy 10/03/11

 

          O episódio recém ocorrido de a Devassa ter usado a Sandy como garota propaganda inflamou os ânimos dos 190.732.694 de publicitários brasileiros, e trouxe à tona uma das características mais, digamos, características do brasileiro: a hipocrisia. Já falei disso em um texto recente, mas este caso foi emblemático. Vieram à tona comentários como “A Sandy não é devassa”, “A Sandy não gosta de sexo” ou “Logo a Sandy?”. Aposto que você, caro leitor, fez algum comentário parecido, não foi?

            Mas no cerne destes comentários está o fato de que no Brasil o discreto não é aceito. No Brasil só é gay quem é afetado, só é macho quem bate em mulher, só é inteligente quem vomita literatices, só é competente quem puxa saco e só escreve bem quem não se faz entender de propósito. Infelizmente, no Brasil não basta ser, tem-se que ostentar o que se é. Só por que a Sandy nunca foi flagrada dando pra ninguém dentro de um carro? Só por que nunca rolou uma sextape da Sandy em alguma suruba louca com bibliotecários vesgos?

            E o pior é que se você é gay e é discreto, é chamado de enrustido. Se é espalhafatoso, vira viadinho. Se é mulher e discreta, é cínica. Se é liberal, é piranha. O Brasil é o país dos extremos. Se gosta de Paulo Coelho é burro. Se lê os russos, é intelectualóide. Não existe o meio termo. Então, a Sandy tem duas opções: ser piranha ou ser cínica. Ela não pode ser uma pessoa normal que não sai por aí sendo flagrada em surubas e indo para clínicas de reabilitação.

            E não venham dizer que isso é coisa da imprensa, porque muita gente que não é imprensa pensa assim. Provavelmente você pensa assim. Provavelmente nossas mães pensam assim. A necessidade de julgar e rotular as pessoas é inerente ao ser humano, e mais ainda ao brasileiro. E soma-se a isso a necessidade de “desmascarar/’ as pessoas, ou, o famoso “Eu sabia”. As pessoas querem descobrir a sextape da Sandy, querem fotos da Sandy pelada ou transando dentro de um carro. E a prova disso é que você, que veio do Google, provavelmente chegou aqui por causa disso.

 

p.s.: antes que digam que o post foi caça paraquedista, eu não ganho dinheiro com o blog, logo, não faz a mínima diferença. Foi só a título de experiência.

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