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E lá vamos nós de novo, ou, BBB, fazer o quê? 07/01/09

E segunda-feira começa mais um Big Brother. O nono, segundo o google. Já passaram pelo programa pretos, loiras, japas, gostosas, gostosas, gostosas, marombeiros, caipiras, gostosas, bichas, professores e até uma miss. Ou quase miss? Sei lá, só sei que passou. A televisão hoje em dia é tão politicamente chata que agora já se começa a especular quem entrou pelas cotas: cota de negros, cota de gays, cota de gostosas, cota de marombeiros, cota de retardados e agora a nova cota da terceira idade. Infelizmente, a cota obriga o programa a ter somente um de cada categoria acima, com a excessão da cota de retardados, que é de noventa e cinco por cento dos participantes e cem por cento dos espectadores.

E como eu disse lá, quem não entra pelo sistema de cotas entra pelo sistema de xotas. Xotas, bundas e peitos. Aí as pessoas entram e, depois de um mês lá, já estão quase morrendo com saudade da mãe, da namorada, do escambou. Essa gente nunca tirou férias? Nunca viajou sem a família? Isso sem falar nas profissões. Quer dizer, no que eles botam no campo “profissão”. Só nessa edição temos dois empresários, dois estudantes de administração, um bacharel em Direito, um produtor de eventos, uma professora, uma cantora, uma fonoaudióloga, um artista plástico, um estudante de Direito, uma assessora de imprensa, um matemático, um professor e doutorando em Engenharia Mecânica, uma advogada, uma promotora de eventos, um modelo e empresário, um radialista e ator e uma jornalista e modelo. Ou seja: ninguém trabalha nessa porra! Salvo raras excessões, ninguém fazia porra nenhuma antes de ir pra lá. Emrpesário, artista plástico, cantor, estudante, “promotor de eventos”… É a mesma coisa que eu botar “escritor” na minha profissão.

E a sinceridade? Eu tenho a impressão de que eles garimpam essas pessoas, em Mosteiros, Igrejas, só pode ser. Todo mundo que entra odeia falsidade, é muito sincero, fala tudo na cara, não faz fofoca… Impressionante. Ainda mais com um milhão em jogo. Se aqui fora nego se mata por dez pratas, imagina com um milhão na roda… Mas resumindo, BBB é chato pra caralho. Na boa. Não é intelectualismo barato não. Que graça tem ver não sei quantas pessoas juntas dentro de uma casa? Gente brigando, se pegando, bebendo, discutindo. Alguma coisa nova? E porra, eu tenho uma opinião particularíssima. Os chatos falam que eu gosto de filmes e livros violentos, com sexo e intriga, mas não gosto de BBB. É porque a ficção faz muito mais sentido do que a  realidade, todo mundo sabe disso. Os diálogos do BBB são horrorosos, sofríveis, dá vontade de morrer! E as discussões são mal escritas, sem drama, sem clímax. Se o BBB fosse escrito pelo Manoel Carlos eu não ia perder um!

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Só a pontinha… 02/01/09

A minha memória é uma merda. E como se isso não bastasse, eu sofro de um mal: se eu me sentar pra escrever sem ter pensando em nada, esperando ter a idéia na hora, não sai nada. Fica uma merda. Não é questão de inspiração não que isso é viadagem de escritor carente pra pegar mulher. É questão de azar mesmo. Geralmente as idéias me vêm nos lugares mais impróprios: no ônibus, andando na rua, no banho, fazendo #^&$#@$, no meio de uma reunião ou nem elevador.

E eu não mantenho o hábito de levar junto comigo um bloco ou algo para anotar. Não mantinha, porque agora eu ando. Mas eu não andava porque invariavelmente eu ia perder o bloco ou a caneta, ou ter uma idéia na chuva. Mas agora que eu comprei eu vi que nada disso aconteceu.

Os problemas foram outros. Como bom escritor, comprei um Moleskine. Um bloquinho fodão, de couro, cheio de sacanagem. E fiquei com pena de usar. Tenho o bloco há dois meses e nunca usei. Passei a andar com papeizinhos avulsos pra não ter que usar o bloquinho. Tão bonito ele, pô, capa de couro, elástico… E fora isso, aconteceu uma coisa que eu já devia ter previsto: eu anoto uma idéia, no ônibus ou ne reunião e depois não faço a mínima idéia do que eu estava pensando na hora, muito menos do que eu queria dizer com aquilo. Na hora da pressa eu escrevo com palavras chaves. Uso palavras soltas, ditos populares ou frases pequenas. E depois, nas poucas vezes que eu consigo entender a minha própria letra, não faço a menor idéia do que eu quis dizer.

Então resolvi abandoar essa idéia e poupar meu bloquinho do medo de uma iminente página arrancada ou de ter suas alvas folhas maculadas por uma caneta malvada. E em uma semana perdi pelo menos umas cinco idéias. Era hora de pensar em algo mais eficaz. Foi quando, em um rompante, tive duas idéias seguidas: uma pra um texto e outra de como me lembrar das idéias: mandar uma mensagem de celular de mim pra mim mesmo! Genial! Por apenas sete centavos eu não perderia minhas idéias no caminho e não precisaria tirar a virgindade do meu bloquinho! Fantástico! Na primeira idéia deu certo! Na segunda também! Mas na terceira, acabei de chegar no trabalho e não faço idéia do que eu quis dizer com “mulher perfeita. Olhos. Bunda. Pedido. O que queria ser quando crescer. Felicidade. Arte x publicidade”. Se isso era um texto só eu devo ter fumado alguma coisa antes de sair de casa. Mas de qualquer maneira, tô começando a ficar com medo de ficar sozinho comigo mesmo. Da próxima vez acho que meu bloquinho vai ter que deixar sua virgindade de lado. Mas fica tranquilo, amigão, eu juro que só boto a pontinha da caneta.  

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Hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, mas eu não vou limpar essa merda amanhã 31/12/08

Pois é, ano novo de novo. O ano passou voando, rapaz. Mas brasileiro é assim mesmo: até julho reclama que o ano não passa, aí chega agosto e começa a reclamar que o ano passou rápido demais. Vai entender. Mas esse ano passou rápido demais. Mudei de emprego – e já tô de saída do atual -, não mudei de namorada, só não tenho mais a que tinha, e não, ainda não me formei na faculdade. Ainda não tô no agosto da faculdade pra falar que essa faculdade tá passando rápido demais. 

Fim de ano é muito chato: um monte de gente que eu não gosto vem falar comigo, um monte de comida que eu não gosto tentando penetrar no meu estômago e um monte de coisa que eu prometo e que não vou cumprir nem fodendo.

Mas a maior tristeza da minha vida aconteceu esse ano: a derrota da libertadores. Poucos acontecimentos da minha vida daqui pra frente serão mais dolorosos que isso. E quando isso aconteceu, eu soube na hora que nada faria esse ano de 2008 ao menos valer a pena. Aqueles três pênaltis contaminaram tudo e o resto do ano seria, e foi, uma merda. Com relação a isso esse ano parece que vai ser melhor.

Pretendo escrever com mais frequência aqui no blogue e lá no Perca Tempo! Vou reclamar menos, comer verduras e tomar menos Coca-Cola. E comer menos gordura, ainda mais agora, solteiro. E espero que as pessoas que eu magoei nesse fim de ano se recuperem logo…

Ah, e claro, pretendo também ficar rico, e escrever o texto de fim de ano de 2009 de Taiti, com uma nativa peituda sentada no meu colo mordiscando a minha orelha e me pedindo pra sair do computador. Então eu vou falar que devo tudo isso a vocês, e que  mesmo no Taiti com ela no meu colo, nada me impediria de lhes agradecer. Mas aí a câmera dá um close no meu rosto e a nativa, marota, se abaixa, faz uma cara de safada, sai do quadro da câmera e me convence de que vocês não iam ficar chateados se eu agradecesse um pouquinho mais tarde…

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Resolvições de Ano Novo 29/12/08

Bom, pra não perder a fama de rabugento, 2008 foi uma merda. Só arrumei emprego de merda, terminei meu namoro, meu joelho continua ruim, não ganhei na loteria, nem uma coluna no New York Times nem comi a Maryeva. Mas como eu terminei meu namoro no fim do ano, ela que me espere em 2009.

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Credulidade tecnológica 15/12/08

 Umas das poucas e mais marcantes memórias que eu tenho da minha infância/adolescência é de quando eu vi o David Copperfield atravessando a muralha da China. Passei semanas com aquilo na cabeça, e, como ainda não existissem o youtube nem o google, depois de meses eu viria a descobrir o truque: através de um jogo de espelho, iluminação e projeções, David nos dera a impressão de atravessar a muralha.

Naquele momento a tecnologia fez sentido pra mim! Era pra isso que ela existia! Computadores, internet, telefone celular, Sexy Hot Channel etc não passam de maneiras de facilitar (ou não) coisas que já fazíamos antes, como trabalhar, falar com as pessoas, escrever e sonhar no dia em que trabalharíamos como entregadores de pizza, e ao chegarmos ao local da entrega seríamos recebidos por duas gêmeas gostosas seminuas que nos diram: “acabamos de perceber que não temos dinheiro. Será que poderíamos lhe pagar de outra maneira”, e uma lamberia o próprio lábio inferior, enquanto a segunda daria um tapa caprichado na bunda da primeira. Nenhuma novidade. Mas atravessar a muralha da China!, aquilo sim era avanço tecnológico! Aquilo sim me mostrava pra que servia a tecnologia, afinal!

E depois da muralha da China vieram coisas como fazer sumir um trem, escapar de uma caixa transparente na frente das pessoas ou debaixo d’água; voar entre prédios etc. Mas não foi só com o avanco técnico propriamente dito que a tecnologia ajudou os mágicos. A credibilidade de tais fatos também foi aumentada de uns te pos pra cá. Afinal de contas, se fazem um computador do tamanho de um punho fechado, se pela internet gente em continentes diferentes se fala melhor do que se falavam pela TELERJ alguns anos atrás, se o homem foi pra marte só pra ver se tinha água lá, enfim, se hoje em dia acreditamos em raios laser, em clones e no Lula, porque duvidaríamos que alguém pode atravessar a muralha da China ou escapar de correntes diante dos nossos olhos? A tecnologia nos tornou crédulos. Crédulos, preguiçosos e cada vez mais respeitosos com relação à nobre profissão de entregador de pizza…

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Questões existenciais – Responda você também. 11/12/08

Bom, com todos vocês sabem, eu não passo de um imitador barato do Luis Fernando Verissimo. Barato e mais magrinho. Tô até aprendendo a tocar sax. Então, assumindo a minha completa falta de criatividade e estilo próprio, vou lançar aqui um “meme”, e vou convidar alguns camaradas. Pra quem não sabe, “meme” é um post onde sujeitos com tempo sobrando blogueiros com  espírito colaborativo convidam outros blogueiros com muito tempo sobrando para falar sobre um assunto ou continuar um post. Em 1997, quando muitos de vocês ainda apreciavam o Cine Privé nas tenras madrugadas de quinta feira, o Verissimo escreveu um texto onde eles respondia às – segundo ele – grandes questões.

Vou puxar o bonde e fazer um texto respondendo às mesmas questões. E não vou postar aqui o que o nosso querido escriba teria respondido, por dois motivos: primeiro que vocês vão comparar e vão concluir que eu não passo mesmo de um copiador barato. E segundo que se eu tiver sem criatividade eu vou copiar as respostas dele e ninguém vai saber. Vamos lá.

 

(Era brincadeira, eu não vou copiar as respostas dele não. Eu só vou me contorcer e ter cólicas de inveja, mas copiar não)

 

Vida - Devolva minha fantasia.

Morte - Não quero estar por perto quando acontecer. 

Vida após a morte - Deve ser fanstástica. Lá pelo menos Coca Cola não deve dar gastrite, mulheres devem detestar preliminares e ir direto ao assunto e o Padre Marcelo Rossi deve ser mudo.

Reencarnação - Eu gosto tanto de mulher que quero voltar cantora da MPB.

A nossa insignificância diante do universo infinito - É só tomar um viagra que passa.

Ser ou não ser - Não ser, dizer que é, arrumar um laranja pra ser por você e dizer que não sabia de nada.

A angústia exitencial diante da transitoriedade de tudo -  É  só se mudar pra Niterói. O trânsito de lá é tão ruim que o tudo não ia transitar de maneira nenhuma.

O cérebro humano está capacitado a responder a todos os enigmas da existência - Não, mas o Google taí pra isso.

Um sistema econômico voltado para as necessidades sociais e não dominado pela cupidez humana - É o novo desenho da Pixar?

O que é mais importante, a genética ou o meio? – O ideal seria um meio termo. Uma Gisele Bündchen filha do Rei da Dinamarca ou que o Ronaldinho Gaúcho fosse filho do Pelé. 

Existe um ser superior que dirige as nossas vidas? - Não. Existia, mas em 1999 ele fez vinte pontos na carteira e de lá pra cá ele tenta todo ano mas não consegue passar na prova de direção defensiva.

Pra onde caminha a humanidade - Pra um mundo de caos, luxúria, corrupção, violência, sujeira, traição e viadagem. Ou seja, pra Copacabana.

 

E convido para responder às questões, meu companheiro de blogue  Julinho da Adelaide, do Perca Tempo! pro camarada TG, do Ela Tá de Xico, a Mah, do Vida em Posts e  o Fernando Caruso (que tem mais o que fazer e não vai aceitar), do Blog do Caruso. Se as respostas deles forem melhores que as minhas, não comentem lá. Eu sou possessivo e tenho ciúmes dos meus leitores. Principalmente das leitoras gostosas ávidas por uma relação tórrida e sem pudores com escritores-blogueiros. E você, caro leitor, contribua com as suas respostas nos comentários. Vou publicar as melhores respostas aqui em uma compilação, com uma resposta de cada leitor.

 

Adendo 1: conclamo também o camarada Rafael, do Vai Digitando. Conforme eu for lembrando vou chamando mais gente.

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Cada um tem a alergia que merece… 08/12/08

          Uma das muitas coisas com a qual eu nutro uma relação de amor incondicional e ódio entorpecido é o telefone celular. São coisas que eu tenho que usar ou fazer – e sempre faço -, seja por dever do ofício seja por impossibilidade de aderir a um boicote completo. As outras são a internet, fazer xixi em banheiro de avião, usar óculos, dar papo pra velhinha do meu lado no ônibus, guarda-chuvas, entre outras. Eu não sou um entusiasta do celular, mas as circunstâncias não me deixam ser um completo incomunicável. Falo estritamente com namoradas, amigos mais chegados, sobrinho e trabalho no celular. Mas essas poucas situações já me fazem ser conhecido por falar muito ao celular.     

            E e is que, com vinte e oito anos, quase vinte e nove, me descobri asmático. Tudo bem é uma asma leve, nem precisa de bombinha nem nada, mas é asma. E como tudo tem um lado bom, menos a torcida do flamengo, a minha asma também tem. Eu nunca fumei, e sempre fui muito chato com quem fuma. Ainda sou. A fumaça me incomoda, eu fico fedendo, essas reclamações anti-tabagistas chatas que todos vocês já conhecem. Mas agora eu tenho uma desculpa médica pra ser chato. Acendeu um cigarro eu já começo a tossir. “Ta te incomodando?”. “Não, não, é que eu tenho asma, mas se eu sentir falta de ar eu saio de perto, se incomoda não.”, aí eu dou aquela tossida de tuberculoso, boto a mão no peito como se tivesse com falta de ar e pronto, o fumante se toca e apaga o cigarro.

            Mas vocês sabem o que eu queria mesmo? Ter asma com alergia a gente falando no celular. Que dádiva seria. Em fila de cinema, ônibus ou metrô lotado, no trabalho, no teatro, enfim, seria uma verdadeira benção. Imagina só: você na fila do cinema, e de repente, do seu lado “Deivid, não interessa! Ta achando que eu sou o que? Agora vai atrás daquela vagabunda lá! Me ama porra nenhuma! E daí que era travesti! Bem feito!”. E isso como se estivesse falando com alguém do outro lado da rua cidade América Latina. Eu logo começava a tossir em cima dela, deixando escapar um perdigoto bem no olho, e mandava alto: “Porra, asma é foda. Essa alergia a celular é uma merda, eu começo a tossir e daqui a pouco eu começo a peidar. E o pior é que ontem eu comi ensopado de repolho rôxo com batata doce”. Duvido que ela ia continuar a discussão com o Deivid.

           E quando a pessoa fala alto como querendo te inteirar na conversa? Alguém falando que comeu a, digamos, Wanda, ou que mandou o chefe às favas ou reclamando da crise, do trânsito, do escambau. Hoje em dia eu tenho duas preocupações quando entro em um restaurante: sentar longe de janelas e varandas – pra evitar eventuais fumantes -, e me sentar em algum lugar bem barulhento, para evitar eventuais falastrões. E o pior de tudo é que assim como acontece com o cigarro, o chato sou eu! O antitabagsita mala e que reclama se tem alguém no celular sou eu! Eu não tenho o direito de não querer chupar fumaça nem de saber sa vida alheia, mas eles têm o direito de dar baforadas na minha cara e berrar ao quatro ventos que comeram a, suponhamos, Adalgiza ou ficarem reclamando da vida como se eu estivesse muito interessado em saber? 

         Acho que deveríamos segregar quem fala muito ao celular. Os restaurantes e espaços públicos deveriam ter áreas reservadas ao fumantes, aos faladores de celular e ao Dado Dolabella, afinal de contas ninguém quer levar uma facada ou tomar um cinzeiro nos cornos enquanto almoça com a patroa. Ou então fazê-los passar por algum tipo de humilhação, como passar o dia com uma camisa do vasco ou ter que admitir publicamente durante um mês que votou no Eduardo Paes. Vagões de metrô e cadeiras especiais em ônibus para os falantes de celular. No futuro, a cena abaixo será comum nos lares brasileiros:

 

- Mãe, esse é o Pão com Ovo.  Meu namorado. Ele é ex-presidiário, viciado em heroína, alcóolatra, me bate, tem doze piercings, sete tatuagens, torcia pro América agora é vascaíno, votou no Eduardo Paes, é publicitário e já foi no show dos Los Hermanos. Três vezes.

- Mas minha filha, é isso mesmo que você quer? Eu preferia algo melhor pra você, mas se vocês se amam…

        Toca o celular de Pão com Ovo.

 - Com licença. (ele puxa o celular e está prestes a atender)

    Enfurecido, o pai de, digamos, Ludmila, investe com toda a fúria contra PCO (Pão com Ovo), desferindo um tapa no seu celular e o imprensando contra a parede, com o dedo em sua cara.

- Licença é o caralho, rapá! Tá pensando o que, vagabundo? A Ludmila é uma menina de respeito seu pilantra! Não vai ficar andando por aí com mau caráter que fica atendendo o celular pela rua não, seu falador de uma figa! E larga do pé da minha filha senão eu te arrebento, desgraçado! E não tô nem aí se você pode ligar pro escambau! Se eu te ver com a minha filha de novo a sua família vai precisar de um aspirador a vácuo, um pé de cabra e um pode de KY pra tirar esse telefone de dentro de você, seu filho da puta!

    Enquanto PCO se retira da casa, cabisbaixo e envergonhado, Ludmila, aos prantos, grita que não quer mais viver, e que sempre que encontra um rapaz bom e honesto isso acontece, e se tranca em seu quarto amaldiçoando Graham Bell.

  

    Aguardo a chegada desse dia como um crente aguarda a volta do Messias. Ou como uma namorada do Dado Dolabella aguarda a chegada da ambulância depois de um romântico jantar rotineiro.

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O Homem Maduro e a Bunda 03/12/08

          Você pode dizer a idade de um homem, ou pelo menos a idade mental dele, a partir do tamanho da bunda da sua companheira. Mas quando eu digo tamanho entendam que me refiro ao conjunto “tamanho + beleza”, até porque se você namora a Preta Gil a minha primeira frase cai por terra. Há muitas maneiras de se medir o grau de maturidade de um homem. Se ele joga playstation, por exemplo, ele é um imbecil imaturo. Afinal, qual adulto maduro e sóbrio hoje em dia não tem – ou pelo menos deseja ter – um Nintendo Wii? O número de proparoxítonas em uma frase, as gírias que ele usa, a migração das cuecas estilo boxer e sunguinha para as confortáveis samba-canção, até alcançar a perfeição: a liberdade absoluta, enfim, são muitas as maneiras de se medir a maturidade de um homem. Mas nenhuma se compara à bunda de sua companheira.

          Quando se é jovem, leia-se aqui adolescente, o tamanho da bunda é o que importa. Você só quer saber de bolinar aquelas colinas frondosas e arredondadas da gatinha ao seu lado, e isso é tudo o que importa pra você. Não importa caráter, beleza do rosto, voz, nada. Só a bunda. Você só olha pras bundas, só pensa nas bundas, e alguns só falam com as bundas. E além de bolinar, você precisa que seus amigos saibam que você está bolinando aquele monumento à lascívia da, digamos, Lucélia. Você quer que todos vejam sua (dela) bunda. É só isso o que importa.

          Já quando abandonamos a adolescência e adentramos (parem de pensar em bundas) na vida adulta, lá pelos vinte e pouquinhos, já temos plena consciência de que a bolinação é questão de tempo, e não nos apressamos mais atrás das bundas enormes, carnudas, gostosas, polpudas, deliciosas, enfim, com o diâmetro das bundas. Nos preocupamos com o futuro. Com as bundas mais ajeitadinhas, que não tenham uma tendência a aceitar a gravidade de maneira passiva e complacente. Pensamos além. Pensamos que aqueles montes verdejantes e empinados de hoje podem virar os pântanos empertigados e irregulares de amanhã. E nos preocupamos então com o formato e a, digamos, consistência das bundas.

          Chegando aos trinta já vimos, tateamos, mordemos, beliscamos, bolinamos e apalpamos tantas bundas que isso já não é mais a prioridade em nossas vidas. Nem mostrar pros amigos, porque agora, ao contrário do que pensávamos aos dezoito, nós já temos consciência de que nossos amigos querem e vão tentar apalpar e mordiscar as nossas (delas) bundas. Então agora fazemos questão de não fazer tanta propaganda. A bunda para o sujeito que chega aos quase trinta é como desembaçador traseiro ou quinze porta objetos: você não deixaria de comprar um carro que não tivesse isso, mas seria muito melhor que ele tivesse. Nessa fase da vida queremos sossegar, e os rostos e o caráter rivalizam com as bundas em importância. Até porque, aos quase trinta já temos criatividade e experiência o suficiente para saber que outros, digamos, atributos menos aparentes das mulheres são tão ou mais importantes que a bunda. Mas, como eu disse aí em cima, se encontramos um carro confortável, confiável, fiel, com quinze porta objetos, desembaçador traseiro e nove encostos de cabeça nos bancos traseiros, melhor ainda.

          Depois do trigésimo ano de vida todo homem faz, inexoravelmente, dezoito anos de novo. E volta a querer bundas grandes, bundas enormes, bundas carnudas etc. Exatamente como na adolescência. E arruma amante gostosa, paga plástica pra mulher e volta a comprar revistinha de sacanagem. E dos trinta aos cinquenta o homem se mantem nos dezoito. E aos cinquenta ele volta à realidade, e faz cinquenta e um. Nessa fase da vida os joelhos já não têm a firmeza de antes, as costas já não têm a rigidez de antes e a cabeça te deixa na mão sempre que você precisa. E o que você menos quer agora é usar as palavras “firmeza”, “rigidez”, “cabeça” e “deixar na mão” na mesma frase. E então a bunda passa a ser como um rolex: ele vê as horas como seu relógio de dez pratas do camelô veria, mas todos sabem que você tem um rolex. Você sabe que já não vai mais usufruir daquela bunda como dantes o faria, mas quer que todos saibam que se você quisesse – ou pudesse – aquela bunda estaria completa e ilimitadamente a mercê de sua lascívia e de seu desejo ardente e pulsante.

          Depois dos sessenta o ideal seria uma bunda que lavasse, cozinhasse, passasse, trouxesse seus chinelos, fizesse um café nem fraco nem forte, não passasse na frente da TV na hora do futebol e não pegasse o caderno B do jornal enquanto você lê o resto, afinal de contas, o jornal é uma unidade, e quem está lendo agora é você. Aqui a bunda se torna indispensável, e chega a ser perigosa. Aos que têm um coração fraco ou nervos delicados, sugiro nessa fase da vida esquecer que a bunda existe e criar novas formas de diversão e luxúria, como a bocha, a alimentação aos pombos em praças e o deixamento de toalha em cima da cama sem barreiras. Esse último porém só deve ser executado na ausência da patroa, principalmente se ela, na juventude, era uma orgulhosa dona de uma bela bunda. Mulheres assim se tornam donas de casa matronas e violentas. Como dizem por aí, velhinho que deixa a toalha em cima da cama sabe a bunda que tem.

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Síndrome de Super Homem 01/12/08

Ontem eu vim pra casa pensando no ônibus. Na verdade, pensando na vida, dentro do ônibus. E enquanto ouvia uma música chamada Superman, de uma banda chamada Five for Fighting, tava pensando em uma conversa que eu havia tido no trabalho, e uma frase da musica me fez parar pra pensar mais ainda naquele assunto. “Even heroes have the right to bleed”. Foi essa frase que encaixou no que eu tava pensando, e me fez mandar uma mensagem de mim pra mim mesmo no celular pra não esquecer de escrever isso quando chegasse em casa.

Meu Ego tem mais ramificações que o Google, e essa é mais uma delas. É o que eu chamei modestamente de Sídrome de Super Homem. O assunto era sobre uma pessoa, daqui pra frente chamada de A., que mantêm um relacionamento com um sujeito comprometido. E, en passant, a ouvi confidenciar a uma amiga que o tal fulano, daqui pra frente chamado de B., até gostava dela, mas não teria coragem de terminar o relacionamento, pois não suportaria fazer a esposa sofrer, e não suportava fazer ninguém sofrer. E ele dizia também, que se fosse pra alguém sofrer, que fosse ele.

Que fique claro que eu não vou nem defender nem condenar o sujeito – eu não tô nem aí. Mas a questão é que eu sempre pensei assim! Achei que eu era o único idiota no mundo que pensasse desse jeito. Eu simplesmente não suporto fazer alguém sofrer, e sempre prefiro que esse alguém seja eu, aí depois eu venho aqui, faço um textinho meloso e vocês levantam o meu astral. Na situação dele é muito provável que eu também não tivesse coragem de fazer a minha esposa sofrer. Mas o que isso tem a ver com o Super Homem? Muito.

Eu não faço isso por altruísmo, ou pela minha bondosa alma. É porque eu, do alto do meu Ego de sessenta e dois andares – sem contar o play, a portaria e a garagem – sempre acho que sou muito importante na vida das pessoas. Eu sempre penso “caralho, o que vai ser dela sem mim”, ou “como ela vai conseguir fazer não sei o que lá sem a minha ajuda?”. E quando eu termino um relacionamento, ou mesmo uma amizade, eu fico querendo saber como a pessoa está, se ela está bem, como ela tá se virando etc.

A coisa que mais me incomoda é ter que tomar uma decisão onde alguém vai se machucar no final. Eu sempre acho que se eu não cuidar da pessoa pra sempre ela não vai conseguir. Idiota, é claro que elas conseguem. Conseguiam antes de mim, e vão continuar conseguindo depois. Mas vai convencer meu cérebro cheio de Ritalina e Rivotril disso. Não vou fazer análise, nem ler Paulo Coelho nem virar ator de teatro. Vou continuar assim, com essa “síndrome de Super Homem”, e toda vez que eu tiver puto da vida eu venho aqui, faço um textinho aviadado que nem esse e vocês me confortam. E la nave va.

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Texto convidado – Uma visão externa sobre assuntos internos 26/11/08

Bom, esse texto não é meu. Só fiz isso uma vez – tirando citações dos famosos. Uma amiga resolveu escrever sobre o que pensa a respeito dos escritores, e sobre assuntos mais íntimos dela, a pedido de um amigo. Achei bacana, e é legal porque o texto traduz exatamente o que eu, escritor, penso sobre escritores. Não vou dizer o nome da amiga porque ela é tímida e não gosta de aparecer que nem eu. Espero que vocês gostem, e por favor comentem, senão ela acha que vocês não gostaram dela e só amam e só bajulam a mim. Bom, vamos ao texto.

“A Pedido de um Escritor…
 
(Um minuto olhando para o computador…)
          Bem é assim que alguém que não é escritor fica antes de qualquer tentativa de iniciar um texto… Pra que cargas d`água fui prometer isso a alguém? Não sei… não sei mesmo. Mas, enfim, ser escritor não deve ser difícil, né… Aliás, recordo-me muito bem dos meus tempos de infância, em que eu criava um mundo de fuga em um pedaço de papel e me divertia… divertíamo-nos eu, eu mesma e… e mais ninguém! Pensando por esse meu lado, deixado no passado, ser escritor parece ser muito triste, muito solitário, muito… confuso! Conheço alguns assim… não triste nem solitário, mas confuso! E não sei por que essa confusão me afeta! Enfim… mas um escritor já me disse um dia que o maior problema que ele enfrenta por ser escritor é o fato de as pessoas acharem que tudo que ele escreve é verdade! Confesso que não entendo muito bem essa de pseudônimos. Por que alguém assina um texto com um nome qualquer, se quem escreveu foi o próprio? Por que transferir pensamentos e idéias para alguém que simplesmente nem existe? Acho que é por isso que não sou escritora. Para mim, escrever é tornar vísivel a alma. É se fazer perceber a partir do seu íntimo. É falar sem falar. É desabafar!
          Esse texto ridículo tá sendo tão esperado, que, quando lerem, vão se decepcionar. Afinal, não deve ser muito bem o que se esperava. Muito menos se compara ao texto de um escritor de verdade! Mas é assim que eu sei… fazer o quê? Ao mesmo tempo em que estou tentando expor o que penso, estou totalmente incomodada. Nunca senti isso antes. Vai ver é porque meus textos de infância eram sobre o meu mundo de fuga, e hoje eu escrevo sobre a minha fuga do mundo. Fuga que apenas está na mente, mas que ainda não foi colocada em um papel antes desse momento, nem fará parte da vida real. Pelo menos, não por enquanto. Porque eu não quero fugir.
 
(Mais um minuto olhando para o computador… momento de reflexão de um escritor que não é escritor)
 
          É… parece que houve uma mudança de idéia repentina sobre a fuga. Não quero mesmo fugir; não da forma como eu deveria fugir. Mas eu aceitaria fugir com alguém que sempre me faz um convite para fugir. Fugir, fugir, fugir… Taí, uma idéia interessante, mas praticamente impossível. Acho que o jeito é começar a aceitar isso e voltar para o meu mundo de fuga antigo, da infância, do meu eu, eu mesma e mais ninguém! Talvez eu me torne mais feliz. Não tanto quanto se eu tivesse fugido com a pessoa certa.
          Aliás, pessoa certa… existe isso??? Se existisse pessoa certa já não nasceríamos destinados a encontrá-la? Seria tudo muito mais fácil! Mas seria feliz???? Particularmente, acho que não. Não haveria motivo para viver tanto. Vivemos sempre em busca de algo que renove a cada dia a nossa vontade de viver. E o mais é engraçado é que todos passam por um momento em que pensam que vão morrer antes da hora, seja na perda de um ente querido ou no fim de um relacionamento de anos. Mas a vida é tão incerta, cheia de supresas… sempre surge um novo alguém que nos traz a vontade de viver de volta, seja um filho, seja um novo amor. Essa é a beleza da vida: a incerteza! A incerteza do amanhã, do que seremos quando crescer, com quem casaremos e de quantos filhos teremos. Até o rostinho dos nossos filhos são incertos em um momento da vida, e ficamos muito felizes ao vê-los.
 
          É… acho que pra alguma coisa serviu esse pedido do escritor para mim. Refleti. Descobri que penso de uma maneira que jamais imaginei pensar. Obrigada, escritor!” 

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