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É por isso. 03/05/09

Bom, hoje eu vou fazer uma coisa que não faço desde a segunda série, quando eu queria impressionar uma menina chamada Danielle: ser modesto. Bom, se você for um leitor chato e desocupado, poderá ver que aqui no Ego, a média de comentários por post é de 6,6. Os posts com mais carga de humor são mais comentados, os desabafos mal-humorados menos. Os românticos mantém a média. E essa média se mantém sempre, nunca falha. Bom, quase nunca.

Se eu pedir a um leitor assíduo/desocupado para, sem ver as estatísticas, tentar adivinhar qual o texto do Ego que fez mais sucesso, com certeza absoluta ele erraria. Nem tente. Não é nenhum dos (modestamente) engraçadíssimos nem nenhum dos mal-humorados. O campeão de comentários não só é um texto romântico como não é um texto para uma mulher. É um “post conselho”. O ÚNICO post com intuito completamente altruísta desse blogue. O único.

O post em questão é esse, e ele teve nada menos que CINQUENTA E QUATRO comentários. (update: SETENTA E OITO comentários). Em uma média de seis, ele tem cinqüenta e quatro setenta e oito. E ele só tem seis meses no ar. Sem piada, sem gracinha e sem polêmica. Conselhos sérios na medida do possível. E por que eu escrevi isso? Bom, porque esse é um ponto no qual eu queria tocar desde o meu primeiro texto. É por isso, e só por isso que eu escrevo. As mulheres, a minha cobertura em Niterói e meu cordão de um quilo com um medalhão escrito “”Ego” são conseqüências.

Quem escreve e torna isso público e diz que escreve pra si mesmo tá mentido. Quem escreve pra si mesmo não mostra pra ninguém. Eu escrevo SIM para que as pessoas gostem. E quando elas gostam e dão uma resposta, comentando, me mandando email ou me prestando favores sexuais, é isso que dá mais vontade de continuar. E rir de uma piada é fácil, mas esse texto teve cinqüenta e quatro agradecimentos. Ninguém comentou rindo, ou falando que eu escrevo muito. Foram cinqüenta e quatro agradecimentos, cinqüenta e quatro relacionamentos a distância que me agradeceram por lhes ajudar.

Comentário punhetando meu ego e meu talento é bom; gente dizendo que eu sou muito engraçado é bom; mas pessoas comentando só pra agradecer e pra contar sobre seus relacionamentos é muito mais do que só “bom”. É bom pra caralho. E é por isso que eu escrevo. Pelo aplauso do ator, a risada do palhaço, o grito da torcida do jogador de futebol. Essa resposta é o que me faz não parar. Ah, e não se assustem com o tom aviadado. Esse texto foi só pra justificar minha ausência por aqui e fazer todo mundo comentar o próximo post engraçadinho que eu botar aqui.

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Pensamento pequeno, agência pequena 01/05/09

 

Pensando dia desses sobre a minha idéia idiota e recorrente de tentar viver de escrever, me atravessaram a mente pensamentos mais, digamos, mundanos. Quando eu entrei na faculdade eu achava que era simples assim: agências contratavam para redatores caras que sabiam escrever. Simples assim. Em agências grandes e sérias isso acontece, sem dúvida. Conheço pessoalmente redatores com quem já trabalhei que escrevem bem demais. Mas se não se dá a sorte de conseguir um emprego / estágio em uma agência grande, a coisa muda de figura.
Aí saem de cena os diretores de criação visionários, que te dão uma chance só porque você escreve bem, e entram os diretores de criação que usam sua “fama” no mercado para recrutar fileiras de estagiários a custo zero, e montam criações inteira com três, quatro duplas de estagiários e uma ou duas duplas de profissionais. E ao invés de contratar os estagiários depois, os mandam embora sob uma desculpa qualquer. E contratam mais um estagiário cheio de gás pra trabalhar de graça. 
Esse é um pensamento imediatista e, nem preciso dizer, burro. Quando se abre mão de um potencial bom profissional por um cara cuja habilidade não faz tanta diferença, ma sim o fato de ele custar pouco, se põe em risco o nome e os trabalhos da agência. Se você dá chance a um cara bom e o valoriza, você vai ter um bom profissional eternamente grato. Já se você explora um estagiário, você vai ter um profissional com raiva da ex-empresa. Mas tem gente que não se preocupa com isso, só em economizar cada centavo. A palavra investimento é sinal de lucro menor pra algumas pessoas. E é isso que conta pra elas.
Eu não tava lá, mas tenho muita inveja de quem viveu na época em que antes de ser barato, se buscava um profissional bom. Quando você levava meia dúzia de textos debaixo do braço e ganhava uma oportunidade como redator ou algo que o valha. E é aí que as agências grandes ficam cada vez maiores, pois geralmente elas têm diretores de criação com visão, que garimpam potenciais talentos, enquanto as agências menores buscam estagiários de graça. Pra que talento, porra? Ele já ta trabalhando de graça! Pois é, vagabundo faz churrasco e o vizinho passa o pão na fumaça. É torcer para que tenhamos cada vez mais diretores de criação que garimpem talentos, e não custos cada vez menores em detrimento da qualidade. Eu botaria de bom grado uma dúzia de textos debaixo do braço e ia atrás. Mas infelizmente já passei da idade de trabalhar de graça.  Aliás, tem algum diretor de criação com visão me ouvindo aí?

      Pensando dia desses sobre a minha idéia idiota e recorrente de tentar viver de escrever, me atravessaram a mente pensamentos mais, digamos, mundanos. Quando eu entrei na faculdade eu achava que era simples assim: agências contratavam para redatores caras que sabiam escrever. Simples assim. Em agências grandes e sérias isso acontece, sem dúvida. Conheço pessoalmente redatores com quem já trabalhei que escrevem bem demais. Mas se não se dá a sorte de conseguir um emprego / estágio em uma agência grande, a coisa muda de figura.

Aí saem de cena os diretores de criação visionários, que te dão uma chance só porque você escreve bem, e entram os diretores de criação que usam sua “fama” no mercado para recrutar fileiras de estagiários a custo zero, e montam criações inteira com três, quatro duplas de estagiários e uma ou duas duplas de profissionais. E ao invés de contratar os estagiários depois, os mandam embora sob uma desculpa qualquer. E contratam mais um estagiário cheio de gás pra trabalhar de graça. 

Esse é um pensamento imediatista e, nem preciso dizer, burro. Quando se abre mão de um potencial bom profissional por um cara cuja habilidade não faz tanta diferença, ma sim o fato de ele custar pouco, se põe em risco o nome e os trabalhos da agência. Se você dá chance a um cara bom e o valoriza, você vai ter um bom profissional eternamente grato. Já se você explora um estagiário, você vai ter um profissional com raiva da ex-empresa. Mas tem gente que não se preocupa com isso, só em economizar cada centavo. A palavra investimento é sinal de lucro menor pra algumas pessoas. E é isso que conta pra elas.

Eu não tava lá, mas tenho muita inveja de quem viveu na época em que antes de ser barato, se buscava um profissional bom. Quando você levava meia dúzia de textos debaixo do braço e ganhava uma oportunidade como redator ou algo que o valha. E é aí que as agências grandes ficam cada vez maiores, pois geralmente elas têm diretores de criação com visão, que garimpam potenciais talentos, enquanto as agências menores buscam estagiários de graça. Pra que talento, porra? Ele já ta trabalhando de graça! Pois é, vagabundo faz churrasco e o vizinho passa o pão na fumaça. É torcer para que tenhamos cada vez mais diretores de criação que garimpem talentos, e não custos cada vez menores em detrimento da qualidade. Eu botaria de bom grado uma dúzia de textos debaixo do braço e ia atrás. Mas infelizmente já passei da idade de trabalhar de graça.  Aliás, tem algum diretor de criação com visão me ouvindo aí?

 

 

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A outra metade de caqui pra sua metade de maçã 24/04/09

Ninguém é perfeito. Tá, algumas pessoas chegam muito perto, como a Patrícia Poeta, a Gisele Bundschen e eu, mas elas não escrevem tão bem quanto eu, e eu não tenho o cabelo liso, nem sou musa do Verissimo e nunca namorei o Di Caprio. Nem pretendo. Nem ser musa nem namorar o loirinho. Mas essa coisa de alma gêmea, amor pra sempre etc e tal,  só apareceu a partir do século dezoito, dezenove, sei lá, por aí. Não preciso nem dizer que não tenho nada contra isso, até porque grande parte dos meus textos são para ou sobre mulheres. O que eu quis dizer com a assertiva é que isso de ficar esperando ou procurando a pessoa certa simplesmente não funciona.

 

Não funciona por vários motivos. É uma coisa muito racional querer uma pessoa assim, assado, desse jeito, de tal jeito… Mas quando se está apaixonado tudo é lindo e fofo e gracinha e meigo e bonitinho. Até porque, a não ser que você seja a Patrícia Poeta, a Gisele Bundschen ou eu, a sua alma gêmea perfeita também vai estar procurando a alma gêmea perfeita dela, e periga não ser você.

 

E é legal você aprender a conviver com uma pessoa diferente de você. Que goste de matemática, que não escute rádio de notícias como você ou que tenha medo de filme de terror. Eu acho bacana isso, você passar a conviver com coisas que por vontade própria você jamais faria, como ver Sílvio Santos todo domingo ou ir pra uma boate e fazer você tentar convencer suas costas e seus joelhos de que você ainda tem vinte anos.

 

Quando você percebe que a pessoa que está do seu lado não é perfeita e mesmo assim você quer ficar com ela, isso te faz enxergar que você também não é nada perfeito, e que mesmo assim ela quer ficar com você.  E ela aprende a ouvir jazz, ver jogos do Fluminense em ABSOLUTO silêncio, a ouvir rádio de notícias no carro ou  a ter que te ouvir falar por horas sobre cinema, música ou futebol. É muito mais legal conseguir uma metade de pêra pra sua metade de maça do que a outra metade da sua laranja. É complicado, mas vale a pena. Experiência própria. A minha metade da laranja não é das mais docinhas, é verdade, mas é a laranjinha mais linda do mundo! E convehamos que não é nada fácil aturar a minha metade de limão azedo. E ela atura.  Ah, e fica quietinha na hora do jogo…

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Maldita democracia 2.0 20/04/09

          Antigamente, antes da internet, no período mezozóico, fazer uma crítica era muito mais difícil. Pra criticar alguém você precisava a) ter coragem e b) ter embasamento. Coragem pra falar na casa do sujeito que não, ele não canta bem ou não, ele não escreve um décimo do que ele acha que escreve. E embasamento porque na vida real se você critica e a pessoa se defende você não pode bloquear ela ou ignorar, você tem que responder. Só criticava quem era encrenqueiro ou quem sabia muito do assunto. Na internet não.

         Na internet qualquer nerd babaca de cinqüenta quilos te critica e te xinga como se fosse o próprio Vitor Belfort. Qualquer retardado com blog bombadinho entra no Google e quer te dar aula sobre alguma coisa que você escreveu. Mas o contrário também acontecia. Pra escrever uma coisa ou falar tinha-se que possuir the balls, porque a pessoa ia ler na sua frente, e ia falar que é uma merda. Quer dizer, não ia pra te magoar.  Mas se fosse hoje em dia, ela ia falar que tava legal e ia no seu blog postar um comentário anônimo.

          Mas essa última faceta é o que mais irrita. A internet trouxe a maldita democracia pro mundo das comunicações. Democracia é uma merda, coisa de americano. O povo é burro, não sabe o que quer. Aí vem a internet e esse bando de idiota faz blog, twitter, Orkut, e a gente tem que agüentar web-celebridade tentando fazer piadinha o dia inteiro no twitter, blog com conteúdo COMPLETAMENTE inútil que meu sobrinho de dez anos faria melhor tirando onda de New York Times e todo mundo metendo o pau em qualquer campanha de publicidade que use internet SEM O MENOR embasamento. Falar de fora é mole.

          Na internet é muito fácil ser 171. Você vai lá, faz milhões de amigos, posta umas baboseiras aqui outras acolá e pronto, qualquer coisa que você falar vai ser venerada e espalhada aos quatro ventos. É impressionante como tem porcaria na internet. Democracia é uma merda mesmo, não adianta. Isso de liberdade de expressão não ta com nada, muita gente na internet não merece liberdade pra falar as baboseiras que fala. Sem conversa, censura neles. Sem dó nem piedade. Deveria ter um crivo pras pessoas fazerem blog ou emitirem qualquer opinião na internet. Talvez um teste de QI, de português, sei lá. Prometo tentar achar uma solução. E enquanto não me proíbem você vão ter que me aturar por muito tempo.

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Corporativismo blogueiro – Diga não! 16/04/09

Hoje o Rafael Slonik do Novo Mundo falou no twitter, depois de uma explicação técnica, que Mac é coisa pra rico ou pra burro. Eu como um bom Mac fanboy, nem rico nem burro, fiquei puto. Achei um absurdo ele falar isso no twitter, pra quem o segue e tal. Mas depois eu pensei: é a opinião dele, FODA-SE quem segue ou quem não segue. Esse corporativismo de twitter, blogosfera e o escambaou já deu no saco. Semana passada se falou do pessoal que usou um “programinha” pra adicionar milhares de pessoas no twitter e foi o assunto da semana, um absurdo blogueiros falando assim de blogueiros. Bom, eu torço pelo Fluminense e nem por isso seria testemunha de defesa em um processo de tráfico contra o Mc Colibri, que também é tricolor.

Quando blog era só diarinho e site pra escritor era bem melhor. Hoje em dia a gente tem que ficar pensando se vai ofender alguém que tem blog, alguém que te segue no twitter ou tem você no MSN. Leia meus lábios: C-A-G-U-E-I. se eu tiver que reclamar de blog que replica conteúdo, caguei se nunca mais vou trabalhar no Caldeirão do Huck; se eu tiver que falar mal de imbecil que fica contando a vida no twitter, caguei se vai parar de me seguir. Corporativismo ridículo. Ter um blogue agora nos faz todos amigos e camaradinhas? Cada um na sua mas com alguma coisa em comum?

Isso sem falar na falsidade disso. Tirando uma meia dúzia, a grande maioria só quer fazer média e receber uma visita dos grandes blogueiros no seus blogues pessoais, aí fica com medinho de magoar a “blogosfera”. Se não fosse pelo twitter ou pelo blogue, de quantas dessas pessoas você seria amigo? Quantas delas você acha que teria afinidade pra ter amizade? Pra jogar bola ou pra uma sinuquinha? Poucas? Parabéns, você é uma pessoa normal. Eu só falo, mesmo pela internet, com quem tenho um pouco de afinidade. Tem gente que por mais que pareçam ser boa gente, eu não tenho muita afinidade, porque têm blogues que falam de coisas com as quais não me identifico muito, como informática, poesia ou esoterismo.

Então por que o Slonik não pode falar que ele acha aquilo? Por que eu não posso vir aqui e dizer que dos, digamos, 50 maiores blogues do Brasil, eu acho quarenta uma merda? Sem contar os técnicos, claro, que têm público específico, como os de música, arte, crítica, informática etc. Por que eu não posso vir aqui e dizer que, nesse ponto, a internet prestou um desserviço, fazendo qualquer um achar que sabe escrever e fazer um blogue, em vez de treinar, estudar e se informar? É muito bacana elogiar a democracia da internet, mas ninguém lembra que, em toda democracia, tem SEMPRE uma aristocracia. Que também foi posta lá pela democracia, mas que depois percebe que a democracia é bem mais legal de baixo pra cima.

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Isso nunca tinha acontecido comigo… 13/04/09

Era empáfia demais achar que não ia acontecer comigo. Já aconteceu com o Verissimo, Vinicius, Drummond, Antônio Maria e quase todos os grandes mestres da crônica, não que eu seja um deles, claro. Depois de quase três anos desse blog mais três do antigo, aconteceu. Ela me esperava, me espreitava escondida atrás da minha estante, salivando, com a garras de fora doida pra pular no meu pescoço. E eu impávido, nem aí pra ela. Mas agora ela me pegou. Não tenho pra onde correr. Então, anuncio solenemente que é chegada a hora do meu amadurecimento como , ou seja, é chegada a hora de escrever sobre a falta de assunto.

Como disse antes, nunca havia feito isso. Os assuntos eram profícuos, eu tinha que pegá-los pelo rabo pra que não voassem de tanto que me vinham à mente. Eu os guardava com carinho em um caderninho bege, confiante de que jamais acabariam, certo de que a minha criatividade crescia em progressão geométrica. Ledo e Ivo engano. O caderninho foi esvaziando, esvaziando, esvaziando… E c´est fini. E eu nem te ligo, claro que eu teria uma idéia pro texto de sexta. E não tive. Mas pro de segunda a idéia não me escapa. Não só escapou como também levou as amiguinhas e cá estou, entrando para o Hall dos Imortais da Crônica ao me debruçar sobre o computador para escrever sobre a falta de assunto.

Mas nem pra isso eu sirvo, já estou no terceiro parágrafo e ainda nem comecei a escrever. O que deve fazer um escritor quando lhe falta assunto? Existe inspiração ou isso é só papo de escritor pra fazer charminho e pegar mulher? Se existe, quer dizer que um sujeito que escreve muito bem é só uma pessoa normal que consegue prender a inspiração com mais freqüência que as outras? Na minha opinião não existe inspiração. A bem da verdade, realmente fazer charme de escritor que perdeu a pena funciona, mas isso não existe. É o mesmo que dize que o Ronaldinho Gaúcho é um Vampeta mais inspirado. Ou que Deus tava mais inspirado quando fez a Luana Piovanni do que quando fez o Ronaldinho Gaúcho.

Mas às vezes quem escreve é acometido por um marasmo intelectual, causado por algum assunto ou evento que lhe cause muita tensão, como ficar desempregado, se separar da mulher ou ver seu time perder pra outro que joga com quarto volantes e tem um técnico mais pé-frio que pingüim com hipotermia. Um cronista tem que transformar uma coisa cotidiana em algo interessante. Simples assim. Os maiores cronistas falam sobre coisas mundanas, comuns, e fazem elas ficarem mais interessante que campeonato Sueco de luta de mulheres na lama. O Verissimo que o diga. Mas quem é fodão mesmo não tem essa. Escreve sobre qualquer coisa. Fica dois, três anos escrevendo como se tivesse fazendo pão, sem essa frescura de inspiração e “a idéia não vem!”. Isso mesmo. Escrevendo dia a pós dia, incessantemente. Até seu time perder, claro. Afinal de contas, emprego e mulher a gente arruma outro…

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Aqueles filhos da puta 02/04/09

- Porra nenhuma! Tô na merda da ponte ainda. Saí de casa oito e meia e ainda to parado aqui. É. Ouvi no rádio que uns caras do Green Peace estenderam uma bandeira, sei lá, no vão central da ponte e essa porra ta parada. Tomar no cu, esses filha da puta não têm mais o que fazer não? Não fode! Que se foda o clima! Cambada de filhinho de papai desocupado, se eu pego um maluco desse quebro os córnos deles. Ta. Eu sei, porra, daqui a pouco eu to aí. Tchau. – Flávio gritava no telefone. Saiu de casa há uma hora, e em um dia normal ele já estaria no trabalho há vinte minutos. Mas hoje não estava nem no meio do caminho ainda.

 

Ana olhava pra baixo, com um nó na garganta. Ela era uma profissional, já havia feito milhares de descidas de rapéu, mas o vão central da Ponte Rio-Niterói tinha 60 metros. Além do medo da morte certa em caso de queda, ainda teria que enfrentar a polícia se tudo “desse certo”. Ela tomou fôlego e começou a descer. Ao ver o resultado ela perdeu o medo: eles conseguiram. A bandeira estava lá. Agora era descer até o fim e esperar tudo acabar.

 

Flávio chegou atrasado no trabalho, xingando os “filhos da puta do Green Peace”. Com o trabalho atrasado em mais de duas horas ele só pôde almoçar pelas três da tarde. Isso sem falar que o cliente com quem ele tinha uma reunião às dez tinha ficado praticamente irredutível quanto a remarcar o encontro, mas foi demovido por Flávio em virtude dos acontecimentos. Se ele pudesse mandava uma carta bomba pra sede do Green Peace.

 

Na delegacia o delegado perguntava por que eles haviam feito aquilo. Ninguém falava. Juntos em uma cela pequena, Ana e os outros sete que participaram da ação aguardavam a chegada do advogado, sob os olhares furiosos dos guardas e do delegado. Ana estava com muito medo de alguma coisa dar errado e ela ficar presa. Resolveu falar ao delegado e desandou a discursar sobre o meio-ambiente, o aquecimento global e a extinção das baleias, mas não o comoveu. Voltou pra cela, chorando copiosamente.

 

Nove da noite. Em um dia normal, o expediente acabaria às sete. Mas só agora Flávio consegui sair do escritório. A convite de um amigo, o Celso, seguiu para um bar no Centro da cidade antes de ir pra casa. Não queria ver aqueles filhos da puta na televisão. Pediram duas cervejas e, até que elas fossem oito em cima da mesa, o assunto não mudou em nenhum momento: só falavam daquilo. Para um especialista em mercado financeiro, pouca coisa poderia ser tão idiota no mundo quanto aquilo.

 

Tudo deu certo: a organização pagou a fiança e todos foram soltos. Seguiam todos pro albergue de onde voltariam cada um para o seu estado no dia seguinte, mas Ana não quis. Ligou para uma amiga que morava no Rio, a Cláudia, e desceu da van na Praça Mauá, e encontrou com a amiga. Depois de contar toda a sua aventura, seguiram para um bar próximo, onde a amiga encontraria o namorado. Entraram no bar procurando pelo namorado de Cláudia. Ela dera uma descrição para a amiga, que estava ajudando a procurar. Depois do que havia acontecido durante o dia, pouca coisa poderia chamar mais a atenção em um happy hour do que uma camiseta verde do Green Peace, como a que Ana estava usando. Enquanto Ana olhava fixamente para um sujeito sentado em uma mesa, Cláudia pegou-a pela mão e foi caminhando rapidamente em direção àquela mesma mesa. “Muito azar”, pensou Ana. “O cara é uma gracinha e é namorado dela”.

 

Chegaram na mesa, apresentações formais. Ana, esse é o Celso, meu namorado. Esse é o Flávio, amigo dele. Flávio, essa é a Ana. Os dois, Ana e Flávio, não paravam de se olhar. A primeira coisa que Flávio pensou foi: “fudeu! Eu aqui falando mal desses filhos da puta o dia inteiro, e essa patricinha linda deve ter ido a Londres no verão e comprou uma camiseta deles”, enquanto Ana se lembrava de que Cláudia havia comentado que o namorado dela trabalhava em um banco multinacional, e que toda a equipe tivera que fazer hora-extra até as nove da noite por causa do engarrafamento na ponte.

 

Durante a conversa, Flávio, para impressionar, disse que estava largando o mercado financeiro, e que o protesto feito pela manhã o havia alertado de que não era aquela a vida que ele queria. Ana, com receio de ser culpada pelo namorado da amiga de alguma coisa, disse que comprou a camiseta da ONG em uma visita a Fernando de Noronha, que até gostava deles, mas os achava muito exagerados. Três anos e meio depois, durante uma bebedeira, os dois disseram toda a verdade um ao outro sobre o dia em que se conheceram. Riram muito mas ambos tinham que concordar: muita coisa havia mudado. Flávio largou mesmo o mercado financeiro e abriu uma empresa que investe em micro e pequenas empresas nacionais do ramo de ecologia e educação. Ana nunca mais voltou pra Brasília e tampouco se reintegrou ao Green Peace. Terminou a faculdade de administração no Rio mesmo e agora trabalhava em uma empresa de marketing esportivo. Ambos concordaram que além de ter valido a pena ter chegado atrasado ao trabalho ou ter ficado presa uma tarde inteira naquele dia, agora teriam uma estória e tanto pra contar pros netos. E tudo por causa daqueles filhos da puta.

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Desisto 31/03/09

Na boa, eu desisto. Desisto de ter fé nessa merda desse país, pra ser mais exato nessa merda desse estado do Rio. Sério, cansei. Desisto de entender porque quando morre bandido aparece um monte de babaca cobrando explicação da polícia, falando em direitos humanos etc, e mais ainda desisti de entender porque quando morre uma menina de vinte e poucos anos com um tiro na nuca, não aparece um filho da puta dos direitos humanos pra pedir condenação máxima pro assassino ou pra fazer campanha pra população denunciar os criminosos. Onde esses merdas estavam? Fumando seu baseadinho em Ipanema, se preparando pra visitar algum presídio?
Desisto de entender porque depois de décadas, um governo entendeu que aumentar impostos de cigarros e baixar os de automóveis, material de construção e outros bens é PRIMORDIAL pro avanço de um paias, ainda mais um país subdesenvolvido (emergente é quem mora na Barra). Quanto custa um maço de cigarros na França? Quatro Euros. Repetindo: QUATRO EUROS! Desisto de entender governos que preferem ganhar dinheiro com imposto de cigarro e gastar um cadim em campanhas imbecis contra o fumo. Cansei dessa merda.
Desisto de um sistema penitenciário de merda que faz um estuprador/assassino/pedófilo pegar trinta anos de cadeia e sair depois de seis – SEIS – anos por bom comportamento, e desisto dos imbecis que acham que um animal desses vai se ressocializar depois de (poucos) anos preso. Aliás, tenho um conhecido que não vou dize quem é que trabalha no sistema penitenciário. vocÊs sabiam que todos, vamos repetir, TODOS, os presídios do Rio são divididos por facção criminosa? Não é se é melhor pra ressocializar ou tem mais vagas. Comando Vermelho? Vem pra cá. Comando da Casa do Caralho? Vai pra lá. Desisto dessa merda de país que deixa uma “lei” imposta pelo crime ditar o seu próprio funcionamento. Não é a lei que domina o crime, é o crime que domina a lei.
Desisti de tentar convencer os viadinhos (isso mesmo, VIADINHOS) que ficam tendo chiliquinho por que eu falei preto em vez de negro ou qualquer outra babaquice. Desisto de entender porque os gays não param com essa mania de perseguição idiota e vão ser felizes. Querem saber um segredo? Ninguém ta nem aí pra vocês. Ninguém ta nem aí pra ninguém, pra falar a verdade. Esqueçam todo mundo e sejam felizes. Aliás, também desisto de entender esse racismo às avessas das cotas. Cota pra preto, gay, japonês… To esperando o dia que tiver cotas pra netos de paraibanos mas tem cara de indianos. A minha vez há de chegar.
Desisto dessa gente que acha que a internet é ma solução pra tudo no mundo, e que tudo que não está ou não tem a ver com internet vai morrer ou tem que mudar. Ah, essa parte é especial: desisto desse povo que faz blog por qualquer babaquice e se acha o rei da internet. Blog tem que ter conteúdo bom, pronto acabou. Se for um blog só pra sua namorada, um diarinho, tudo bem, mas se você pretende divulgar e pedir troca de links, um conselho: seja bom. Se você não for bom, tenta um fotolog um postar uns vídeos no Videolog. Não é vergonha nenhuma. Sabem por que eu escrevo? Porque não sou músico. Eu queria ser, juro, mas não consegui aprender nem baixo. Mas eu não insisto, procurei algo que eu soubesse fazer minimamente bem e mudei o prumo.
Desisto de pedir pra não me mandarem corrente, pra não me darem sermão por causa de religião e pra não encherem meu saco com campanhas e/ou passeatas imbecis por motivos idiotas que no fim não vão fazer a menor diferença. Querem fazer diferença? Entrem pra política, sejam juízes de direito, entrem pra polícia. Mas não encham a porra do meu saco falando coisas das quais vocês não têm a menor noção, como religião, direito ou política. Ler Paulo Coelho não faz de você um PhD em religião e assuntos esotéricos, assim como fazer passeata por morte de bandido não faz de você um mestre em direito penal.
Desisto de achar que vai melhorar e ter fé e votar e esperar e pedir e reclamar e ligar e esperar musiquinha e ver pronunciamento do presidente e torcer pelo Obama e torcer pelo Gabeira… Aliás, eu não voto há dez anos. Eu simplesmente não vou, pago uma mixaria de multa e pronto. Desisto desse papo de país do futuro que rola desde os anos cinqüenta. Se nós éramos o país do futuro, parece que a China, a Argentina e mais alguns países por aí furaram fila… Resumindo: pretendo criar meus filhos na Suíça. Melhor um filho suicida que um filho morto por um filho da puta porque pediu pra não roubarem a sua bíblia e o crachá.

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Mais uma de amor… 25/03/09

Eu comecei a minha vida amorosa aos nove anos. Foi uma paixão não retribuída e não concretizada. Aí começaram as minhas mazelas com as mulheres. Até hoje não acredito na desculpa que ela me deu, e continuo achando que o fato de ela ser vinte e sete anos mais velha e ser casada com um amigo da minha família não eram motivos suficientes para nos manter afastados. Aos quatorze tive minha primeira experiência sexual, com uma vizinha. Até hoje ela não sabe disso, e a minha primeira experiência sexual com uma mulher, estando ela presente no ato foi somente aos dezesseis. Dezessete. Tá, tá, dezoito, e daí? Eu era tímido, caladão e coisa e tal. Enfim, foi. Pra ela não deve ter sido muito bom, mas pra mim serviu também para provar que, ao contrário do que eu vivera até ali, com a presença da mulher o ato sexual era muito melhor. E como uma típica criança hiperativa, com Défict de Atenção e cinco graus de miopia já aos quinze anos, eu imaginava bastante as coisas. Eu imaginava como e o que eu seria quando crescesse e fosse um bem sucedido veterinário-paraquedista-adestrador-pintor-escritor-desenhista-cartunista-arquiteto-mágico-boxeador. Eu fantasiava sobre como seria a minha casa, com uma onça pintada, dois tucanos, um lobo, uma águia americana e um labrador preto.

E como todo adolescente tímido, eu fantasiava como seria a minha mulher no futuro. E do auge da minha experiência com casais que não davam certo (meus pais), eu já sabia o que queria: uma mulher linda, inteligente, simpática, bem-humorada, engraçada, que tivesse amigas legais, que aceitasse dividir a minha vida maluca e perturbada comigo e, essa característica só passou a povoar meus sonhos depois de três experiências, digamos, frustrantes, que tivesse uma mãe que não me odiasse. Só isso. Não era querer muito, eu via várias mulheres assim por aí. Mesmo um nerd tímido e magrelo como eu merecia uma dessas quando crescesse.

Cresci, tive poucas namoradas, muitas mulheres, e as classificava de acordo com essas características. Algumas dessas características não são tão primordiais assim, e passavam batidas. E eu ia conciliando uma sogra típica aqui, amigos que me detestavam ali, e ia levando. Isso não me faria deixar de namorar alguém ou terminar um relacionamento. E hoje, vinte e tantos anos depois, me peguei pensando nisso de novo. E porque? Porque hoje, sentado aqui na minha mesa, pensando que na sexta vou sair com a mãe da minha futura namorada, e que o sábado vamos sair com as amigas dela, que por sinal não me detestam, só me acham com cara de pagodeiro, parei pra pensar em o quanto isso faz diferença. Faz diferença pelo simples fato de que esses pequenos detalhes (olha o pleonasmo aí, gente!) me fazem ter uma pessoa NA minha vida, que divide a minha vida comigo. O bom e o ruim. O chato e o divertido. Faz diferença porque apesar de não ser paraquedista, nem arquiteto, nem pintor, nem ter uma onça nem dois tucanos, hoje eu consigo ter o relacionamento que eu imaginava que daria certo quando criança, até nos detalhes não tãod etalhes. Igualzinho igualzinho. Tá bom, igualzinho não, porque do jeito que eu era nerd e ingênuo, ela tem muuuuuuitas coisas que não passavem nem perto da minha cabecinha infantil. Ah, claro, isso sem falar que na minha imaginação a bunda era um pouco menor…

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De caridade verbal o inferno tá cheio 21/03/09

Eu sempre fui estranho. Mais do que parece. Nunca fui de esquerda. Nunca flertei com o comunismo, sempre achei o Getúlio um ditador de merda; nunca tive raiva do capitalismo nem nunca tive pena de bandido. Nunca fui politicamente correto e jamais, repito, jamais, fui solidário aos Sem Terra, às Farc ou qualquer outro grupo pseudo de esquerda. E hoje que isso tudo tá na moda, admitir isso é praticamente contar pro pai que ta dando pro caseiro. Se você for homem, claro.

Eu sou meio reacionário com essa playboyzada “de esquerda”, que critica a polícia, o governo e o escambau, mas não abre mão do baseadinho e das férias em Búzios. É muito fácil falar mal do cara que tem uma fazenda de milhões de hectares quando a fazenda não é sua. Nunca vi ninguém comprar uma fazenda e dar ela aos pobres. Disso podemos deduzir duas coisas: que jamais um comunista ficou rico ou que é muito fácil ser comunista com o dinheiro dos outros.

Sempre fiquei puto com quem critica o Roberto Marinho. Se esses hipócritas que falam mal dele fossem donos das Organizações Globo teriam feito o que? Caridade? Doar a sede pra construir casas populares? Claro que não, teriam feito exatamente o mesmo que ele fez, se não pior. É fácil criticar os EUA, mas se o Brasil fosse a maior potência do mundo, alguém aí acha que seríamos o Dalai Lama dos países? Nunca. Faríamos exatamente a mesma coisa que TODOS os impérios fizeram até hoje. É a famosa cortesia com o chapéu dos outros. Jovem hoje tem mania de querer ser Madre Teresa: defende bandido, Sem Terra, fala mal de propaganda, da mídia, mas faz o que pra melhorar tudo? Vendem os ipods deles? Abrem mão da mesadinha pra ajudar algum abrigo? Pois é, caridade verbal é muito fácil. Como dizem, é muito fácil ser valente a uma distância segura, ou, adaptando, é muito fácil gritar pela reforma agrária quando o terreno não é seu.

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