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Por que as mulheres gostam de escritores, ou, a pena é mais forte que o supino reto 02/07/09

Nove casamentos, centenas de mulheres e essa careca. Preciso dizer mais alguma coisa?

Nove casamentos, centenas de mulheres e essa careca. Preciso dizer mais alguma coisa?

Com os nerds recentemente alçados de “virgens pra sempre” à categoria de “comedores em potencial”, algumas coisas mudaram. como ser nerd agora está na moda, já há mulher que ache charmoso o sujeito passar vinte horas por dia na internet, e dizem as más línguas que o tamanho que importa atualmente é o da grossura das lentes dos óculos. Miopia is the new black. Com a ascensão dos nerds aconteceu uma valorização maior das capacidades intelectuais por parte da sociedade e, pasmem, por parte da mulherada. As mulheres se lembraram de que há vida antes dos 40 de bíceps. Mas eu não vou falar dos nerds no texto. Isso foi só pra introduzir. Vou falar sobre os escritores.

Bom, não é de hoje que os escritores exercem um fascínio quase transcendental na mulherada. Desde a Grécia Antiga, passando pela Inglaterra de Shakeaspeare e os EUA de Norman Mailer, escritores nunca tiveram muito trabalho no trato com as pequenas. Mas por que este fascínio? Por que mesmo mulheres sem o, digamos, perfil intelectual compatível, também possuem esta queda? Bom, como uma das minhas obrigações como ser que possui todas as respostas da humanidade é compartilhar este conhecimento com vocês, vou elucidar mais este mistério da humanidade.

A primeira coisa é o charme. A aura. O ar de escritor. O ar de artista que pode a qualquer momento ficar rico, famoso ou escrever uma obra prima. Ou ar de artista que não quer ficar rico nem famoso, quer ser low profile, simplesmente desfilar sua arte pelo mundo. Isso sem falar que se tira uma onda com as amigas. Enquanto suas amigas têm namorados advogados, engenheiros ou blogueiros – profissões mais do que normais – o seu namorado é escritor! É um artista! Ele não precisou estudar, ele vive do talento que nasceu com ele! Qualquer um pode estudar e ser engenheiro, médico ou blogueiro, mas não escritor! Na verdade isso é tudo uma grande besteira, mas é uma boa desculpa pra quando as sogras reclamam que os genros são duros, fracassados e decadentes.

Isso sem falar que cartas, cartões, dedicatórias e afins não faltaram nunca nesse caso. E não vão ser textos do Vinicius, do Drummond ou do Pessoa. Vão ser textos exclusivos, só pra você! Suas amigas vão morrer de inveja de você! todas vão querer conversar e pedir conselhos (e algumas vão querer dar) pro seu namorado. E ele lá, com aquele ar blasé de “isso é fácil pra mim, não é nenhum esforço”. Também conta o fato de que pra ter alguma profissão normal, basta estudar. Pra ser escritor não, Deus escolhe os melhores para viverem da pena. E lhes dá miopía, bronquite e nenhuma habilidade pra esportes, e eles viram escritores. E aqui também se enquadra o fato de que ficar forte qualquer idiota com dinheiro pra frequentar academia fica, mas inteligente não.

Se você for poeta, tem a vantagem de não precisar escrever bem. Só precisa escrever algo que ninguém entenda e fazer cara de pena quando perceber que alguém está tentando entender. Claro, há as excessões, como Vinicius, Pessoa ou Drummond. Se for prosa, romantismo dosado com humor abre as pernas o coração de qualquer mulher. É batata. Outra coisa é que os amigos delas falam mal do Paulo Coelho ou do Saramago, mas eles estão falando do que não sabem. Se você falar mal do Saramago, há de se respeitar, afinal, você é um escritor! Eles não!

Outro ponto importante é o efeito retroalimentação, vulgo “cobra que engole o próprio rabo”. Se as mulheres gostam de escritores, logo, se ele for um cara dado aos prazeres carnais heterosexuais, ele já deve ter tido muitas mulheres. Se ele teve muitas mulheres, ele deve ser um bom amante, ou não teria tido tantas. Se ele é um bom amante, você quer dar pra ele.  Voilá! Temos aí a fama de que escritores costumam ser bons amantes. E mesmo que seja por uma noite, ela vai se sentir a musa inspiradora de tudo o que ele fizer dali pra frente. E o escritor sempre pode dizer para todas que todas elas o são. Pera lá, não é mentira! É que no fundo, todas elas nos inspiram um pouquinho. E seria chato e doloroso (principalmente se a sua namorada for violenta) falar que ela foi a inspiração pras cinco primeiras linhas, mas foi. Que pro resto houve mais doze musas inspiradoras.

Bom, é isso. Eu poderia ficar aqui o dia todo dando explicações pra este fenômeno, mas acho que estes já bastam. Claro, nada disso aí em cima é real, é tudo ficção. Nada disso nunca aconteceu comigo, sempre tive dificuldade com as mulheres, sempre tive que fazer cartinhas para, com muito custo, comer alguém e a minha namorada é musa inspiradora única e magnânima de cada linha do que escrevo. Foi tudo baseado em relatos colhidos, e nenhum escritor foi maltratado durante a confecção deste texto. Nem nenhum escritor machucou ninguém durante a confecção deste texto.

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Atitude Contra a Aids 30/06/09

Bote essa fitinha no seu blogue!

Bom, que me lê com alguma frequência sabe que não sou dado (sem piada) a baboseiras colaborativas sem sentido da internet, como selo pra blogues politicamente corretos, blogues ecologicamente corretos ou selos contra políticos ou algo que o valha. Simplesmente não dá certo, porque não são mudanças que funcionem à distância, das nossas cadeiras confortáveis atrás do computador. Mas agora eu não só estou apoiando uma campanha como estou pedindo o apoio de vocês.

O Ministério da Saúde terminou algum tempo atrás a maior pesquisa sobre o comportamento sexual do brasileiro já realizada. E os resultados não são nada animadores. O número geral de pessoas que utilizam preservativos diminuiu consideravelmente, apesar de o grau de conscientização do brasileiro médio ter aumentado consideravelmente. E desta vez o problema não são os jovens, ao contrário do que rezava o senso comum. Segundo a pesquisa, entre a população na faixa etária de 50 a 54 anos, somente 32%, eu disse TRINTA E DOIS POR CENTO, dos brasileiros utilizaram camisinha em todas as relações com parceiros casuais nos últimos 12 meses.

E se você é casado(a) e acha que está livre disso tudo e tá doido pra acabar de ler essa besteirada toda, presta atenção nisso: ainda segundo a pesquisa, 57% dos homens e 75% das mulheres que possuem parceiro fixo NÃO usaram preservativo em relações casuais durante os últimos 12 meses. Ou seja: eles usaram com seus parceiros(as) e não utilizaram com os parceiros casuais, expondo seus parceiros fixos ao risco. Tá, e o que você tem a ver com isso? Mais do que você imagina.

Além do básico – usar camisinha SEMPRE – eu peço que você, querido leitor, querida leitora, ajude a divulgar a campanha. Divulgue a comunidade da campanha no Orkut, espalhe para os amigos, faça um post no seu blogue, coloque a fitinha lá, enfim, faça alguma coisa além de hashtags idiotas no twitter e memes que não mudam nada na prática. Está nas nossas mão mudar essa situação. E isso sem falar na auto-preservação, pois usando camisinha estaremos protegendo a nós mesmo e às pessoas que amamos e nos importamos. Atualmente há no Brasil mais de 630 mil pessoas infectadas com o vírus da Aids, e dessas, 255 não sabem que possuem o vírus. Então, se pela primeira vez eu não falei mal de ninguém, não falei bem de mim mesmo nem reclamei de nada, foi por uma boa causa, e peço a vocês que divulguem a campanha. Vamos tomar uma atitude contra a Aids. Prometo que se um dia eug anhar um Nobel da Paz por esse post eu vou agradecer nominalmente a todos vocês.


*pra baixar a fitinha é só clicar na imagem aí em cima.

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Michael Jackson nos ensina a diferença entre o homem e o artista 26/06/09

Eu estava querendo falar disso faz um tempo. Com a morte do Michael Jackson, houve uma enxurrada de mensagens no Twitter de gente indignada com as homenagens e com a comoção em torno da morte do Rei do Pop, sempre citando o processo por abuso sexual, do qual ele foi inocentado. Depois de muito responder a alguns mais racionais esperar pra dar umas porradas pessoalmente nos mais revoltados, resolvi trazer à tona una discussão que há muito me queima a mufa – e que me afeta diretamente: a distinção entre o artista e o homem.

Como escritor, além de sofrer muito com isso, eu aprendi a fazer a distinção. Muitas destas pessoas que execraram o Michael Jackson devem ser fãs de Wagner, John Lennon (eu sou um deles) ou até mesmo do Simonal, que tá na moda. Pois bem, Wagner era um anti-semita de marca maior, tendo publicado vários ensaios neste sentido.  John Lennon era machista, viciado em drogas e espancava regularmente a(s) esposa(s) e os filhos. E o Simonal mantinha contatos promíscuos com o DOPS durante a repressão, e tinha fama de mandar bater nas pessoas e de ser muito violento com suas mulheres. São casos parecidos: homens que não são exemplos muito bons, mas artistas indiscutivelmente talentosos e dignos de admiração.

Há outros casos igualmente polêmicos que também serviriam de exemplo. Falhas de caráter influenciam na importância e na qualidade artística das pessoas? Se sim, quem deveria ser um artista. Um ser humano perfeito, imagino. Cazuza e Renato Russo eram viciados em drogas e o Cazuza até traficava segundo algumas pessoas, e toda essa gente que fala mal do Michael Jackson agora deve adorar Legião e Cazuza. O que nos interessa a vida pessoal de um artista? Até que ponto devemos nos influenciar pela pessoa por trás do artista. Até que ponto meu caráter faz você, amigo, deixar de vir aqui ler meu blogue? A que lhe interessa se eu torço pelo Fluminense, falo preto em vez de negro, acho a Globo uma empresa FODA ou acho uma babaquice protestinhos de twitter e de playboy de ipanema que acha que vai mudar o mundo de suas coberturas? NADA.

A não ser que você queira me namorar ou ser meu amigo (a), minhas qualidades e defeitos não fazem a menor diferença. Você vem aqui ler meus textos, e não se beneficiar com a minha imensa benevolência ou compartilhar dos meus ideais. Eu jamais ia querer o Michael, o Lennon, o Wagner ou o Simonal como genros, mas como artistas não há o que discutir. A vida pessoal de um artista não deve ser jamais comparada ou ligada de alguma forma à sua obra. Isso explica o fato de até hoje nenhuma sogra ter gostado de mim até hoje. Bom, se pelo menos elas comprarem meu livro, é uma troca justa…

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Saramago, tô contigo e não abro!, ou A verdade dói, caros blogueiros… 22/06/09

Como diria o coroné, tô certo, ou tô errado?

Como diria o coroné, tô certo, ou tô errado?

Menos de uma semana se passou e as bonecas e comadres da blogosfera já estão em polvorosa, dando chiliquinhos e postando defesas e justificativas em seus blogs e tuíeteres e orkuts. O motivo da frescurada dessa semana foi uma declaração do José Saramago ao jornal Clarín. Entre outras coisas, Saramago disse, em relação aos blogues, que “está se escrevendo mais, porém pior”. E o escritor completa: “A prática do blog levou muitas pessoas que antes pouco ou nada escreviam a escrever. Pena que muitas delas pensem que não vale a pena se preocupar com a qualidade do que se escreve”. E ele fala que as pessoas utilizam blogues para escrever coisas rápidas e sem a linguagem correta, e diz ainda que tem o mesmo cuidado com um texto em seu blogue que tem com uma página de um romance.

Aí já viu, foi um tititi danado na blogosfera. Todo mundo reclamou, chiou, deu piti, enfim, as orelhas do Saramago devem estar queimando. E eu sei que a verdade dói, mas ele está 150% certo.  MUITOS dos blogs, pra não dizer a esmagadora maioria, se preocupa pouquíssimo com a qualidade do que escrevem. Relevância então, nem vou tocar no assunto. A tal democratização que a popularização dos blogues criou teve suas desvantagens também, e essa foi uma delas. A falta de qualidade e relevância de 90% do conteúdo da internet hoje em dia. E excluo aqui os blogues pessoais, estilo diário. Estou falando dos blogues que as pessoas escrevem para os outros lerem. Se você escreve você quer que alguém leia. NINGUÉM no mundo escreve algo pra ninguém ler. Até escreve, mas não publica em um blogue.

As pessoas estão escrevendo mais e pior por um motivo muito simples: qualquer um acha que pode escrever. Eu não jogo pelada toda semana porque não sei jogar futebol. Eu não pego um violão na loja e fico fazendo barulho porque não sei tocar. Eu não posto uma música cantada por mim no myspace porque não sei cantar. Então porque qualquer um acha que sabe escrever? Não é elitismo, antes que as bonecas blogosfeirísticas se assanhem, mas se não sabe escrever, tenta aprender, começa aos poucos. Não faz um blog  e sai divulgando por aí se você não tem um bom conteúdo. Não é só porque é fácil de fazer que todo mundo TEM que fazer. e nesse bolo estão muitos blogues “profissionais” também. E antes que alguém diga que “se fulano tem tanta visita deve ser porque o conteúdo é bom”, se lembre que o autor brasileiro mais vendido no exterior é o Paulo Coelho, que o Vampeta foi campeão mundial e que uma das bandas brasileiras atuais que faz mais sucesso lá fora é a banda Calypso. Números altos nem sempre são garantia de qualidade.

Eu também cuido de cada post como se fosse para ser publicado em um livro. O grande problema da internet é que um número relativamente alto de visitas dá a falsa impressão de que o que foi escrito tem relevância e qualidade. Não nos esqueçamos que QUALQUER blogue tem audiência, mesmo que baixa, seja sobre o assunto que for. Por que ao invés de se indignar e ficar enchendo a porra do meu caso choramingando porque o Saramago falou isso, os blogueiros que se sentiram ofendidos não param pra pensar se seus blogues são tão bons assim? Se são tão relevantes assim? Do mesmo jeito que há livros, revista e jornais ruins, há blogues ruins. Só que muito mais, porque fazer um blogue é de graça. Maldita democracia.

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O diploma não é mais necessário, mas bom senso e bom texto ainda são. 18/06/09

Bom, eu já sou odiado por publicitários, blogueiros e leitores, agora serei odiado pelos jornalistas. Quer dizer, por alguns deles. Como muitos de vocês devem saber, hoje pela manhã o STF derrubou a exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista. Tirando as declarações infelizes do ministro Gilmar Mendes, concordo em gênero, número e grau com a decisão do egrégio tribunal. Dado o número de faculdade de comunicação existentes e a baixa qualidade do ensino da maioria de muitas delas, são despejados milhares de “jornalistas” no mercado todo ano. Entre aspas sim, pois só o diploma faz de alguém um jornalista? Tenho amigos professores universitários, e posso garantir: a cada dez provas/trabalhos de alunos do ÚLTIMO PERÍODO de jornalismo que eu vejo, oito tem problemas GRAVÍSSIMOS de português, coesão textual, interpretação e de propagação clara das próprias idéias. São erros crassos que já não seriam admissíveis a alunos do segundo grau, quanto mais a quase “jornalistas”.

A maioria dos recém-formados em jornalismo que conheço demoraria duas horas para escrever um texto de vinte linhas, e talvez nem conseguissem. Jornalismo, assim como publicidade, não se aprende em um banco de faculdade. Se aprende na prática. Até porque, um jornalista recém-formado está preparado para o mercado, como um engenheiro está, ou um arquiteto, ou um advogado? A carga de conhecimento prático NECESSÁRIO aprendido nas cadeiras de comunicação social não chega a dez por cento. O resto é conhecimento geral, filosofia, sociologia, português etc. Para aprender isso é preciso um diploma?

Sinceramente, eu vejo uma geração de jornalistas neuróticos, tirando fotografias urgentes e fazendo microtextos para poder dar o furo – no bom sentido – antes de algum site ou portal. Vocês conhecem algum jornalista novato que vai segurar o bastão – no bom sentido de novo – do Millor, do Xexéo, do Verissimo ou do Luiz Garcia? Vocês vêem hoje em dia um grupo capaz de tocar uma Manchete ou um Pasquim? Nem eu. Mas vejo dezenas de “jornalistas” doidos pra soltar notinhas em seus blogs ou nos blogs dos veículos contando alguma novidade ou dando alguma manchete antes da TV ou do jornal impresso.

O jornalismo não anda bem das pernas, fato. A concorrência com a internet tem desferido golpes doloridos da imprensa tradicional. Não dá pra lutar contra isso. Velocidade da informação e colaboração vão ser o ponto forte da internet por muito tempo. Mas do mesmo jeito que 80% dos jornalistas novos têm graves problemas de formação, 90% dos blogues são uma grande porcaria. E digo mais: 90% dos cem maiores blogues do Brasil são uma boa porcaria. São repetições de piadas, comentários engraçadinhos sobre alguma coisa, fofoquinhas ou montagens de fotos. Esta queda da obrigatoriedade do diploma pode, na minha opinião, salvar o jornalismo. Se o jornalismo tradicional se focar mais no conteúdo, como era feito antigamente com o famoso e saudoso jornalismo literário, a internet não será ameaça. Quantos blogueiros hoje em dia seriam capazes de matérias e textos densos, relevantes e opinativos? Muito menos do que jornalistas já em atividade. A volta do jornalismo opinativo, literário e de conteúdo pode salvar a pele da imprensa. Muita gente procura rapidez nas notícias, mas muito mais pessoas procuram conteúdo bom, de qualidade, relevante e bem escrito. Enquanto os jornalistas dos supermercados da educação e os puristas estão subindo as tamancas, os bons profissionais e os jornalistas que preferem escrever uma matéria em uma hora do que dar vinte notícias em meia hora sabem que o lugar deles está guardado.

* o título do texto é uma referência ao que o Alexandre Inagaki disse no twitter algumas horas atrás.

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Sim, essa carta é pra você. Só pra você. 11/06/09

Eu costumo dizer que escrever carta de amor é mais fácil que achar música dos Beatles com nome de mulher. O tema é bacana, a inspiração vem fácil, enfim, é um dos temas mais prazerosos de se escrever sobre. Ainda mais pra quem vive – ou pelo menos tenta viver – da pena, como eu. Mas e quando você já escreveu mais cartas de amor do que consegue lembrar? E quando a sua namorada anda triste porque o namorado escritor dela não a escreve nada há meses? O que você faz? Vou te dizer o que você faz: uma carta de amor, como as outras, ridículas.
Depois de algumas namoradas e centenas de cartas, a principal característica que se nota é o amadurecimento. Se antes eu pensava em morar sozinho por causa da minha liberdade e em morar na cidade porque é perto de tudo, com a minha namorada hoje em dia eu penso em morar em uma casa, porque vai ser bom pros nossos filhos, e penso em morar não tão perto assim da cidade, porque ela é alérgica e um pouco de cheiro de mato vai fazer bem.
O salário que antes eu almejava para comprar um carro melhor ou um videogame novo, hoje não é suficiente, pois os planos mudaram e eu comecei a pensar em escolas pros nossos filhos em alguns anos e em proporcionar a ela no mínimo o padrão de vida que ela possui hoje. Na minha cabeça meu carro não é mais meu, meu dinheiro não é mais meu e, principalmente, meus planos não são mais meus. São nossos.
E quando eu me peguei pensando que vamos ter que ter um escritório em nossa casa, porque eu gosto de escrever de noite e se o computador ficar no quarto vai atrapalhar o sono dela, que dorme cedo? E quando eu começo a fazer anotações sobre livros que meus filhos vão ler, músicas que eles vão escutar e padrinhos pra eles? Isso tudo sem ainda sequer ter casado.
Depois de muitas namoradas e muitas cartas, tem-se a desvantagem da falta de assunto, claro. Mas se tem também a clara vantagem de se ver o que ontem era somente amor e paixão se transformar em vontade de construir uma vida junto com alguém. Não costumo usar o blogue para assuntos panfletários, mas as vezes me parece que você, do auto da sua insegurança de mulher linda que tem medo de borboleta, acha pouco lhe falar somente ao ouvido que eu te amo e que quero me casar com você. Por isso eu estou te falando agora, pra todos lerem, comentarem e encherem meu saco depois: eu te amo.

Eu costumo dizer que escrever carta de amor é mais fácil que achar música dos Beatles com nome de mulher. O tema é bacana, a inspiração vem fácil, enfim, é um dos temas mais prazerosos de se escrever sobre. Ainda mais pra quem vive – ou pelo menos tenta viver – da pena, como eu. Mas e quando você já escreveu mais cartas de amor do que consegue lembrar? E quando a sua namorada anda triste porque o namorado escritor dela não a escreve nada há meses? O que você faz? Vou te dizer o que você faz: uma carta de amor, como as outras, ridículas.

Depois de algumas namoradas e centenas de cartas, a principal característica que se nota é o amadurecimento. Se antes eu pensava em morar sozinho por causa da minha liberdade e em morar na cidade porque é perto de tudo, com a minha namorada hoje em dia eu penso em morar em uma casa, porque vai ser bom pros nossos filhos, e penso em morar não tão perto assim da cidade, porque ela é alérgica e um pouco de cheiro de mato vai fazer bem.

O salário que antes eu almejava para comprar um carro melhor ou um videogame novo, hoje não é suficiente, pois os planos mudaram e eu comecei a pensar em escolas pros nossos filhos em alguns anos e em proporcionar a ela no mínimo o padrão de vida que ela possui hoje. Na minha cabeça meu carro não é mais meu, meu dinheiro não é mais meu e, principalmente, meus planos não são mais meus. São nossos.

E quando eu me peguei pensando que vamos ter que ter um escritório em nossa casa, porque eu gosto de escrever de noite e se o computador ficar no quarto vai atrapalhar o sono dela, que dorme cedo? E quando eu começo a fazer anotações sobre livros que meus filhos vão ler, músicas que eles vão escutar e padrinhos pra eles? Isso tudo sem ainda sequer ter casado.

Depois de muitas namoradas e muitas cartas, tem-se a desvantagem da falta de assunto, claro. Mas se tem também a clara vantagem de se ver o que ontem era somente amor e paixão se transformar em vontade de construir uma vida junto com alguém. Não costumo usar o blogue para assuntos panfletários, mas as vezes me parece que você, do auto da sua insegurança de mulher linda que tem medo de borboleta, acha pouco lhe falar somente ao ouvido que eu te amo e que quero me casar com você. Por isso eu estou te falando agora, pra todos lerem, comentarem e encherem meu saco depois: eu te amo.

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Novidade: Pergunte ao Ego 03/06/09

Bom, com a modéstia e a benevolência que me são de costume, resolvi aceitar a sugestão de um amigo e criar uma seção nova aqui: a Pergunte ao Ego. Lendo uns comentários antigos aqui do Ego mesmo e em outros blogs, percebi que alguns comentários/indagações/elogios mereciam uma resposta pública. Porém, não farei isso com meus incautos leitores desavisados. Por isso, daqui pra frente, você, que quer saber alguma coisa, falar alguma coisa, abrir seu coração ávido pela minha sabedoria ou só aparecer mesmo, me mande um email no endereço que tá ali em cima (leoalcoforado@gmail.com), que eu lhe respondo através de um post. Podem perguntar qualquer coisa e falar o que quiserem. Só não se esqueçam que eu também posso…

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O que é crônica? 29/05/09

     Inspirado por uma amiga que dá aulas de português e amarrou seus alunos das cadeiras e os obrigou a ler meu blogue, decidi escrever sobre o segundo tema mais comum em crônicas depois da falta de assunto: a própria crônica. A crônica foi, e ainda é para algumas pessoas, infelizmente, considerada um gênero menor. Para estas pessoas, a crônica não tem a seriedade e o sentimento da poesia nem o peso e o fôlego do romance. Este pensamento não é mais predominante e começou a perder espaço quando grandes escritores começaram a se bandear pro lado das crônicas, como Machado, Drummond, Nelson Rodrigues etc. E hoje em dia o sucesso e o respeito pela crônica se deve em grandessíssima parte a um sujeito chamado Luis Fernando Verissimo, simplesmente o melhor escritor brasileiro vivo. Ele mostrou que crônica não é subgênero. Muito pelo contrário.

 

      Eu costumo, com relação à crônica, citar Picasso. Uma vez um repórter perguntou ao Picasso por que ele “desconstruía” a arte nos quadros dele, por que ele subvertia a arte, enfim, por que ele não pintava como os outros pintores de seu tempo, que faziam obras quase perfeitas tecnicamente. E o mestre respondeu, calmamente, que para ter a liberdade que ele tinha e para “desconstruir” como ele fazia, ele passou anos aprendendo a “construir” e aprendendo a técnica, para poder enfim se libertar. Bom, como eu acabei de inventar esta história, vou explicar melhor. Um bom cronista não é alguém que “só” conseguiu escrever crônicas, e por isso ele o faz. É um sujeito que escreve bem qualquer coisa, e ele resolveu usar seu talento para algo que lhe satisfizesse, no caso a crônica.

 

      Outro fator pelo qual os autores de crônicas devem ser respeitados e a crônica entendida como literatura de verdade é o assunto. Em um romance você tem um assunto, desenvolve ele e temos um romance. Na crônica, cada obra é um assunto. E se for um cronista diário, como o LFV, haja inteligência e talento para falar de tantas coisas de maneira que as pessoas se interessem. No caso do Verissimo, eu por exemplo cada vez que o leio penso “Ahá, agora não tem mais assunto, quero só ver!”, mas ele inventa um assunto e faz uma crônica melhor que a outra, sempre. Uma boa crônica é aquela que você lê e pensa “É isso mesmo! Como eu não pensei nisso antes?”. Porque as idéias e os assuntos são simples, o que faz de um cronista um BOM cronista é a maneira que ele fala sobre qualquer assunto, fazendo-o ficar interessante. É aquele texto que você lê concordando até o fim, se identifica com ele. A crônica fala a língua das pessoas comuns. Fala de assuntos comuns, corriqueiros. É aquele texto que te faz achar que é muito simples de fazer, muito fácil. Mas não é. Pelo contrário. É muito fácil escrever um livro ou um texto longo de forma rebuscada, difícil de entender. No caso da crônica, o feedback do leitor é na hora. Ele lê e já dialoga com o texto.

 

      A crônica é o gênero mais gratificante de escrever. A resposta das pessoas é imediata. Você muda a vida de uma pessoa com um texto, alegra uma pessoa doente, ajuda alguém a manter um namoro, estimula alguém que quer começar a escrever, enfim, vale a pena.  Não dá dinheiro, você não vai pra ABL, não vai ganhar um Jabuti nem um prêmio internacional de livros, mas vale a pena. A não ser que você seja o Verissimo. Aí você ganha dinheiro, tem chances de entrar pra ABL, ganha prêmios e tudo mais. E você sabe que está mudando a vida das pessoas quando, em um texto como este, você tem seu nome citado diversas vezes. Se eu conseguir mudar e tocar alguém como o Verissimo fez comigo, vai ter valido a pena. Claro que vender milhares de livros também não ia ser nada mal. Ah, e o “toque” dele não foi nada disso que você tava querendo fazer piadinha aí nos comentários. Apesar de gaúcho ele é um sujeito sério e a minha namorada é ciumenta.         

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Preguiça pouca é bobagem – A Bíblia segundo o Meia Hora 28/05/09

Como ainda estou me acostumando a trabalhar em casa – com videogame, TV a cabo e a minha cama a qualquer hora – e abandonei este blogue e meus queridos leitores, vou desencavar um post muito bom de outro blog que eu tinha/tenho. Prometo coisas novas dentro em breve. 

 

 

Como todo trabalhador normal, nós também temos nosso período de ócio durante o dia de labuta. E nesse período chato entre o almoço e a hora de ir embora, nós tentamos nos entreter de todas as formas, sendo que a maioria delas é ilegal, imoral ou engorda. A única que podemos compartilhar com vocês é a leitura – dramatizada – do jornal MEIA HORA. É o emprego dos sonhos de qualquer jornalista/escritor/blogueiro/comediante: escrever as manchetes do MEIA HORA. E como nós ainda não fomos convidados para tal cargo, resolvemos dar os furos(?) jornalísticos bíblicos como se eles tivessem sido noticiados pelo MEIA HORA. Acreditem, a História seria muito mais divertida.

 

Expulsão de Adão e Eva do Paraíso

NADA DE CRÉU!

Casal de taradões bota moita pra balançar e Deus bota os dois pra ralar do Paraíso.

 

Gravidez de Maria pelo Espirito Santo

TEM BOI NA LINHA

Noivo trouxa acredita em papinho de que a mulher está grávida do Espírito Santo e vira chacota no complexo de Nazaré.

 

Traição de Jesus por Judas Escariotes

X9 BEIJOQUEIRO

X9 safado trai o filho de Deus com beijinho, ganha meia dúzia de moedas, se arrepende e vai pedir desculpas pessoalmente ao capeta depois de se enforcar.

 

Jesus anda sobre a água

ESSA NEM O MISTER M EXPLICA

Mágico judeu anda sobre a água e deixa o Mestre dos Sortilégios boladão.

 

Vitória de David sobre Golias

BAIXINHO BOM DE DEDO

Com três balaços na fuça, soldado pouca-sombra manda gigante filisteu pra terra do pé-junto.

 

Construção da Arca por Noé

MARUJO DO SENHOR

Maluco diz que o mundo vai acabar, constrói barco gigante e junta dois animais de cada espécie. Ibama já está de olho no malandro e o GreenPeace já ameaçou atacar o barco.

 

Criação do mundo e descanso de Deus no Domingo

CRIOU O MUNDO E FOI AO CINEMA

Após criar o mundo, o Criador resolve se dar férias e passa o domingo em Cancún. Malandro, Deus criou o Dolar a R$0,65 e só viria a criar o biquíni dois meses depois.  

 

O Juízo Final

É O FIM DO MUNDO!

Na última rodada do Universo, Eurico Miranda molha a mão de Deus e o Fim do Mundo vai ser decidido no tapetão.

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Preconceitos 17/05/09

Preconceito e time de futebol todo mundo tem, mesmo que você não lhe dê muita atenção ou tenha medo de admiti-lo em público. Não adianta esconder, mentir, usar camisetas com dizeres bonitos da moda, não adianta nada. Nos recônditos de nossas mentes, lá no fundo, sempre se esconde um preconceitozinho. Não é o meu caso, claro. Eu sou uma exceção. Em recôndito que mamãe passou talquinho não só não se esconde preconceito nenhum como eu não fico tentando esconder nada. Meus preconceitos estão bem acomodados fora dos recônditos. E são vários. Vários de verdade. Antes que me acusem de racista, homofóbico ou qualquer outra viadagem qualquer, vamos botar os pingos nos is. 

 

Preconceito significa pré-conceito, ou seja, um conceito que vem antes. Não é só preconceito racial ou de gênero. Esses eu não tenho mesmo, de verdade. Mas outros, bom, aí a lista é grande. Preconceito é, por exemplo, quando alguém fica sabendo que fulano de tal agora é ator, e em uma semana já tem certeza de que não só ele é veado como também participa de orgias, faz sexo com qualquer coisa que se mova – mesmo que com um andador -, usa drogas, se acha o último Mineirinho gelado em um bar em Niterói, é incapaz de formular por si mesmo uma frase com mais de doze palavras ou usar palavras com mais de três sílabas sem ter decorado com três dias de antecedência. Puro preconceito. Alguém parte desse conceito já formulado e nele rotula todas as pessoas da mesma categoria. No caso do exemplo dado acima, uma pessoa conheceu um ator veado, metido e “menos favorecido intelectualmente” – o que é algo raríssimo – e a partir daí construiu um pré-conceito que seria aplicado a todos os atores que conhecesse. Nada mais injusto, no exemplo dado.

 

Mas meus preconceitos são muito pessoais e formulados por mim mesmo. Originais e de minha própria autoria, coisa fina. Não acho que preconceitos específicos me tornem um monstro. Se alguém tem o direito de achar que um cara é perigoso porque é preto, ou é veado por ser ator (só exemplo), por que eu não posso achar que, por exemplo, sempre tem alguém com camisa do Flamengo em uma foto de prisão feita pela polícia ou em alguma baderna pública? Mas sempre tem mesmo! Isso não é preconceito! Ah, outra característica do preconceito: nunca admitimos que ele é preconceito. Sempre tentamos encobri-lo, citando fatos ou números. 

 

No caso de preconceito racial ou de qualquer outro que tenha como alvo algo que não foi uma escolha da pessoa, como ser preto, brasileiro ou vesgo, é pura burrice. Exceção feita para os paulistas. Nesse caso o preconceito não só é justificado como não é preconceito, é a mais pura verdade. Mas os meus preconceitos são racionais, baseados em escolhas feitas pelas pessoas. Ninguém pode escolher torcer pelo Flamengo impunemente ou se alguém decide ser ator ele sabe que vai ter que dar(!) o sangue(?) para ser bem sucedido. E sabe que vai ter que aturar piadinhas como essas por toda a vida. Nossa concepção de mundo é formada por preconceitos, e nem todos eles são nocivos. Se você atravessa a rua ao ver um cara preto, é burrice. Se você atravessa a rua ao ver alguém de camisa do Flamengo também. Nesse último caso você deveria, antes de atravessar a rua, esconder a carteira e o celular.

 

Brincadeiras a parte, todos somos imbuídos de preconceitos desde pequenos. De todos os tipos, alguns criados por nós mesmos, outros repassados por alguém. Ninguém vira um monstro porque admitiu que tem preconceito contra quem vê novela, lê mexendo a boca ou compra livros na seção de “Mais vendidos – Auto Ajuda”. Acontece. Admita seus preconceitos, trabalhe-os, bote-os pra fora, enfim, assuma-os! Mude os que achar que estão errados e minta sobre os que achar que estão certos! É um ótimo exercício de autoconhecimento.  Tente, você vai se sentir muito melhor. Mas se na hora de botar o preconceito pra fora você estiver em um ambiente de atores, tenha cuidado. Alguém pode se apegar ao seu preconceito, dizer que “eu não gosto de preconceito, nunca gostei, mas esse é o maior que eu já vi” ou corre o risco até mesmo de ter seu preconceito confirmado. As chances são remotas, mas pode acontecer. E se tiver alguém com camisa do Flamengo por perto, bote seu preconceito pra fora na maciota, devagarzinho e sem chamar atenção. Não é preconceito, claro…

 

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