/O mal do malandro…

Categoria: Textos Semanais 17/03/11

 

 


            Henrique estava fazendo compras no supermercado quando de repente seu telefone toca.

 

- Alô, Henrique?

- Alô, quem é?

- Cara, você não me conhece. Meu nome é Gilberto. É o seguinte: eu preciso sair com uma mulher gostosíssima hoje, mas eu sou casado. E na hora que a minha mulher me ligou eu fiquei nervoso, abri a agenda de telefones de um cara aqui do lado, vi seu telefone, dei seu número pra ela e falei que você era meu amigo e que eu ia tomar um chopp com você.

- Você tá zoando, né? Quem te deu meu telefone pra você passar trotezinho?

- Cara, não é trote. Eu trabalho em uma empresa de telemarketing, e seu nome tava na lista do cara aqui do lado par te ligar pra oferecer cartão de crédito. Aí a minha mulher me ligou, eu fiquei desesperado, abri a agenda e inventei isso.

- Não, amigo, você só pode estar de sacanagem. E eu não to achando nenhuma graça, eu estou fazendo compras, ocupado. Eu tenho mais o que fazer. Tchau!

- Espera, espera! Me ajuda, cara, não custa nada! É só você falar pra minha mulher que eu to com você quando ela ligar. Inventa que eu fui estacionar o carro, sei lá, só confirma, porque ela tá achando que eu menti!

- Mas você mentiu.

- Claro, porra! Mas não é pra ela saber, né?! Eu não posso perder essa chance, cara. Eu quero comer essa mulher há anos!

- Mas você não tá bem com a sua mulher? Vai pra casa, cara, porra!

- Claro que tô bem, minha mulher é linda! Mas por favor, sem lição de moral. Você é homem, sabe do que eu to falando. Não posso deixar de sair com essa mulher.

- E se ela desconfiar?

- Não vai desconfiar nunca, relaxa.

- Puta que pariu… Tá, mas faz o seguinte: me manda uma mensagem explicando isso. Eu não faço essas coisas, vou ficar nervoso, me enrolar. Manda uma mensagem pra me guiar melhor.

- Poorra, cara, nem sei como agradecer! Já to mandando a mensagem! Valeu mesmo, te pago um chopp depois! Ela não vai nem desconfiar!

- Precisa não, mas pára com isso. Sossega depois, para de enganar sua mulher.

- Depois dessa prometo me comportar! Sério.

- Falou, manda a mensagem aí que eu te salvo. Mas não acostuma.

- Valeu, mermão. To mandando. Abraço e valeu, salvou a minha vida!

- Valeu, té mais.

 

            E em alguns segundos a mensagem de Gilberto chega ao celular de Henrique, dizendo o que ele deveria falar para que ele pudesse desfrutar da noite de amor com a tal gostosa. Umas duas horas depois o telefone toca:

 

- Alô, quem fala?

- A senhora quer falar com quem?

- Eu queria falar com o Gilberto, eu sou esposa dele. Ele me disse que estaria com você porque ele esqueceu o celular no banco.

- Olha, como é mesmo seu nome?

- Rita

- Olha, Rita, é o seguinte. Seu marido tá te traindo.

- O que? Isso é alguma brincadeira, é!?

- Não. Você pode encontrar comigo no Shopping Norte Center?

- Olha, se isso for brincadeira você vai se dar mal!

- Não é, garanto.

 

            Meia hora depois eles se encontravam no Shopping. Henrique disse a Rita que ouviu Gilberto tramando a mentira com Pádua, o dono daquele celular. Só que Henrique saíra para casa e esquecera o celular no trabalho. Ao ver que Rita estava ligando, Henrique ficou com raiva da mentira de Gilberto e atendeu o telefone, e lhe contou toda a verdade. Rita ficou uma fera, só falava em terminar tudo, em se vingar. Henrique a convidou a tomar um chopp para relaxar. Eles foram, conversa vai, conversa vem, Rita com raiva de Gilberto resolveu dar o troco e acabou indo para um Motel com Henrique. Passaram quase a noite toda lá, e Rita ainda chegou em casa antes de Gilberto, que chegou horas depois, na ponta dos pés. Troco dado, Rita decidiu não brigar nem terminar, mas manteve o caso com Henrique.

            No dia seguinte, Gilberto feliz da vida ligou para Henrique para lhe pagar o tal chopp:

 

- Cara, minha noite foi sensacional! Puta que pariu! Ela não desconfiou?

- Nadinha.

- Porra, vou te pagar dez chopps! Tu pode hoje à noite no Allonso´s?

- Cara, até posso mas vamos deixar pra outro dia. Bebi muito chopp ontem e to de ressaca.

- Ressaca moral ou de verdade? Fez o que não devia, é?!

- Eu nunca faço o que não devia, Gilberto. Nunca.

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