O brasileiro e a necessidade de provar que o outro está sempre errado

Autor: Léo Luz 13/06/11

Quem costuma me ler em algum lugar sabe que eu não sou nem um pouco patriota. Por dois motivos básicos: primeiro, acho idiota se orgulhar de algo sobre a qual você não teve NENHUMA ingerência (a sua nacionalidade, no caso); e segundo que – ao contrário do que gritam os ufanistas iludidos – não tenho lá muitos motivos pra me orgulhar do Brasil. As razões para este último argumento me parecem meio óbvias.
Mas a razão que me fez escrever este texto hoje não é nenhum destes dois argumentos. Há algum tempo eu ando refletindo sobre as atitudes das pessoas umas com as outras e percebi que o Brasil está se tornando – em velocidade de cruzeiro – um país cada vez mais intolerante e intransigente, mas não no âmbito estatal, mas no âmbito pessoal. As pessoas estão cada vez menos tolerantes, e cada vez mais querendo empurrar suas verdades e não-verdades goela abaixo dos outros, como um remédio ruim mas que vai fazer bem. Fazer bem ao ego do empurrador, que se faça registrar.
O brasileiro, via de regra, se preocupa mais em destruir um argumento do que em construir um. Em criticar do que em construir. Em falar mal do que não gosta do que falar bem do que gosta. E o pior: sem o menor embasamento. Crítica ou discussão com embasamento são justificadas, e fazem bem. Sem embasamento, é mera vontade de, me desculpem pelo termo, encher o saco. Eu mesmo tenho um amigo – meu melhor amigo – que é o exato oposto de mim. Pensem em um humanista, defensor dos direitos humanos, que não mata nem mosca e é totalmente paz e amor? É ele. Agora pensem em mim como um conservador de direita, liberal, a favor da pena de morte e que defende que as pessoas possam ter armas em casa. Agora imaginem que eu sou padrinho do filho dele. E sou de verdade. E discutimos durante horas, às vezes durante dias, em e-mails que contabilizam as novecentas mensagens. Mas sempre com respeito, embasamento, e sem querer impor ao outro a nossa opinião.
Diferente da maioria das pessoas hoje em dia, que age como os portugueses querendo convencer os índios de que eles faziam as coisas do jeito certo, e que se você não faz do jeito deles, você é um selvagem e não merece seu respeito. É o sujeito que critica a Globo mas só assiste outro canal pra ver esporte e novela. É o cara que odeia política porque político não presta mas não sabe o nome de 2 Ministros. É o cara que fala horas sobre justiça e lei, mas não faz idéia de quantas instâncias a justiça brasileira possui. É o cara que acha filme nacional uma merda mas só vê filme de porrada, aventura e blockbuster americano. É o cara que fala mal do Paulo Coelho mas o último livro que leu foi Dom Casmurro, na sexta série. É o caso clássico do sujeito que insiste em falar mal da Veja o tempo todo, mas não lê nem revista de fofoca. Sem embasamento, sem objetivo de discutir idéias, com a mera intenção de criticar e provar o quanto a opinião dele é certa, mesmo que não embasada, vazia e inócua.
E é por isso que, infelizmente, me envolvo em cada vez menos discussões e “conversas”, tanto pessoalmente quanto na internet. Porque no final, ao invés de verem a discussão como uma conversa onde se discute um tema, abalisadamente, com respeito e argumentos, as pessoas vêem uma discussão como um duelo à moda faroeste: no final, só pode ter um em pé. Touché. Em tempo: aposto minha mão direita – a do controle remoto – que 90% das pessoas que falam mal da Veja ou do Paulo Coelho não conseguem me dar argumentos PLAUSÍVEIS, REAIS E ABALISADOS sobre isso. Muito menos conseguem usar “abalisadamente” e “abalisados” duas vezes em um texto só.

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