/Como é ter um gato (pra alguém que não gosta(va)de gatos)

Categoria: Textos Semanais 29/11/10

    Eu tenho trinta anos e nunca tive um gato. Já tive, ao todo, sete cães. Entre Dobermans, Pastores Alemães, Cocker Spaniels e Boxers. Desde criança, até os 24 anos sempre tive ao menos um cachorro em casa, até que vim morar em apartamento. Sempre fui um amante de cães, e como tal, nunca tive nem nunca quis ter um gato. Mas eis que quis o destino que eu precisasse me mudar para outro apartamento, o que vai acontecer nos próximos dias. E quis também o destino que a minha namorada fosse uma amante de gatos. Como ela veio de outro estado só pra ficar comigo e ia ficar sozinha umas semanas no apartamento, engoli meu orgulho e dei um gato de presente pra ela. É esse ei da foto.


    Bom, o nome dele é Ringo. Eu o peguei de uma menina que acolhe gatos abandonados, trata dele e procura novos lares pra eles. O trabalho dela é bem legal, conheçam no site dela. Bom, pra começar que o desgraçado arranhou minhas mãos todas só pra entrar na porcaria da caixinha. Fiz a surpresa, ela adorou, chorou e levamos ele pro apartamento. Aí começam as minhas impressões de um gato.
Pra começar que gato é burro. O idiota fica meia hora correndo atrás de uma sacola plástica e não percebe que somos nós que mexemos as coisas. Ele acha que elas se mexem sozinhas, e vai, como um tigre faminto, atrás delas. Um tigre meio burro, mas um tigre. Outra coisa que notei: gato é de lua. A minha namorada também é, mas pelo menos ela não me arranha todo. Quer dizer, não quando eu não quero. Ele passa vinte minutos correndo atrás do urso de pelúcia dele e caçando minha sandália, e dois minutos dormindo, ora no MEU travesseiro, ora em cima da cabeça da minha namorada, ora em algum lugar que atrapalhe bastante qualquer pessoa que esteja por perto.


O Ringo é carinhoso quando quer, e caça nossas mãos e braços quando quer. Ele ora morde a gente, ora pede carinho. Não tem hora nem lugar. E como ele é pequeno, o passatempo preferido dele atualmente é escalar: ele escala o fogão, a escada, as paredes, as bolsas, nossas pernas, tudo que é mais alto que ele ele tenta escalar. Na maioria das vezes sem sucesso, mas ele cai e volta. É engraçado ver uma bostinha de um quilo pensando que é uma onça, e escalando escadas, caçando bonecas e destroçando perigosíssimas moscas.


Mas o Ringo tem algumas coisas que me surpreenderam. Pra começar, ele raramente machuca a gente. Quando machuca é tentando nos escalar para alcançar alguma presa indefesa por perto. Quando brincamos com ele e ele nos morde ou nos dá patadas, ele recolhe as garras e bate só com a bola das patas, e não morde com força. E ele é, principalmente com a minha namorada, que passa mais tempo com ele, muito carinhoso. Não raro ele deita em cima da perna dela, do lado, pede carinho etc. E a felicidade dele quando nós chegamos em casa é reconfortante. E o mais curioso é que a nossa presença alegra ele sem nenhum motivo, pois mal chegamos e ele volta a caçar sacolas e destruir bichos de pelúcia, ignorando completamente que nós chegamos, até cansar e vir pedir carinho.


Ter um gato não é tão ruim quanto eu pensava, mas também não é como ter um cachorro. Eu estou gostando mais do que achei que fosse gostar. O Ringo é bacana. Mas ainda acho que ele merece um irmãozinho canino…

 

Vejam fotos do Ringo neste link.

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