Caiu a ficha

Autor: Léo Luz 23/04/12

Eu sempre me achei um sujeito muito fácil de lidar, mas descobri há pouco tempo que a verdade é exatamente o contrário. Ainda não tive tempo de teorizar sobre o porquê de diferentes pessoas me aturarem. Amigos, família, conhecidos, colegas de trabalho, namoradas. Namoradas, na verdade, fazem esse buraco ser um pouco mais embaixo, sem trocadilho. Amigos são amigos, e a obrigação deles (os verdadeiros amigos) é gostar de nós APESAR do que nós somos. E os meus, pelo menos os que importam,o fazem. Família é família, e colegas de trabalho me aturam porque eu suborno todos eles com sorvetes, chocolates e massagem nos ombros (das mulheres, logicamente).

 

Mas as namoradas, eu dizia. Bom, todos os meus relacionamentos anteriores naufragaram de uma maneira ou outra devido a este meu, digamos, jeito de ser. Deixem-me antes esclarecer que não sou nenhum porco chauvinista, longe disso. Sou um namorado atencioso, romântico, preocupado, altruísta entre outras coisas. Mas, infelizmente, para quase todas as minhas ex-namoradas, os defeitos falaram mais alto que as qualidades, e conviver comigo se tornou um sacrifício tão grande que o relacionamento se rompeu de tal maneira que cedo ou tarde um dos dois botava um ponto final nele. E uma das minhas parcas qualidades é a de me colocar no lugar do outro. Talvez seja por ter largado a faculdade de direito faltando apenas um ano, eu hoje tenho extrema facilidade em me colocar no lugar dos outros. Mas infelizmente nem todo mundo pensa assim. Foi por isso que quando ouvi dela, pela primeira vez, a seguinte frase, eu não soube o que pensar: “Eu sei que você tava nervoso, mas na hora não quis falar nada pra não te irritar mais ainda”.

 

Pode parecer bobo, mas não é. A minha namorada se calou, ouviu meus desaforos, pelo simples motivo de entender que eu não sou nenhum monstro, só estava um tanto quanto nervoso naquele momento. Ela se sujeitou a isso, a um sujeito chato e reclamão como eu, falando aquelas besteiras, só pra não piorar as coisas. Onde uma namorada normal responderia à altura e teríamos então uma briga daquelas. Mas ela tentou – e conseguiu – me entender. E eu, ignorantemente, não dei a esse fato o devido valor à época. Estou dando agora. Espero que não seja tarde demais. Parando para pensar, essa baixinha fez por mim o que pouquíssimas pessoas já fizeram, principalmente sem serem subornadas com chocolates, sorvetes ou massagens (as mulheres, claro).

 

Ela enfrenta a família, amigos e o meu meu gênio, só pra ficarmos bem. Ela tenta entender defeitos meus que outras pessoas já tacharam como frescura, falta de porrada ou fingimento. Ela não só tenta entender, ela tenta entrar no meu mundo de uma maneira que eu nem sei como deixar, pois isso nunca aconteceu. Ela se preocupa, pergunta, se interessa, me estuda, procura saber. E não somos casados há anos. Ela faz isso tudo por alguém que ela conhece há meros seis, sete meses e que, como já disse, está muito longe de ser o namorado ideal.

 

Como eu já disse lá em cima, o motivo pelo qual ela faz isso me é desconhecido. Ok, ela me ama, mas muitas (ok, não muitas, mas algumas) já me amaram e não fizeram metade disso. Um terço, eu diria. Então por que ela faz? Ela poderia ter um namorado normal, com probleminhas normais. Mas também nem quero fazê-la pensar nisso, vai que ela cai na real. Mas verdade é que se eu não sou um namorado melhor não é por não tentar, porque eu faço o meu máximo. E eu achava que era suficiente, mas pela primeira vez na vida, encontrei alguém que faz mais que o máximo por mim. E eu não reconhecia. Reconheço agora, em público, que é pra me cobrarem depois de um dia eu esquecer. Mas por via das dúvidas vou fazer um estoque de sorvete e chocolate, e aprimorar minha massagem. Vai que o motivo é esse. Nunca se sabe.

 

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