Você, que tá aí, sentado na sua cadeirinha macia, me lendo; você que tá no trabalho, morcegando, fingindo que tá lendo email e tá me lendo; enfim, você, que tá me lendo e costuma me ler, é, você mesmo. Você que além de me ler, me acha legal, divertido, engraçado. Pois nesse momento, às três da manhã, escrevendo enquanto a minha namorada chora, ali na cama, eu gostaria, na verdade eu desejaria, do fundo do meu coração, que você tivesse dentro da minha cabeça, por míseros cinco minutos. Cinco.
Você não ia achar a menor graça. A menor, repito. Pras pessoas eu sou um bibelô, um cara “legalzinho” que fala pelos cotovelos, esquece tudo e não presta atenção em nada. Mas dentro da porra da minha cabeça, isso que você acham graça e ainda dizem “olha lá, que bonitinho, tão ciumento”, não tem graça nenhuma.
Experimentem ter trinta anos e não se lembrar da última pessoa em quem você confiou. Da última vez que confiei em alguém, o Google não existia, a China era comunista e a Rússia era União Soviética. De lá pra cá, sabem em quantas pessoas eu confiei? Nenhuma. Pra não dizer nenhuma, confiei nas minhas namoradas, e algumas me mostraram que eu não devia ter confiado é em ninguém.
Agora juntem isso com uma personalidade possessiva, ciumenta que beira a doença, e uma impulsividade que faria o incrível Hulk se sentir a Penélope Charmosa perto de mim. Algumas namoradas e alguns amigos – mais do que eu gostaria – me mostraram que eu estava mesmo certo em não confiar nas pessoas. O problema é que eu não sei lidar com isso, e sempre ajo da maneira mais idiota e impulsiva possível. Isso sem falar que esse meu ar de quem sabe tudo NÃO É charminho. Mea culpa, eu sou assim.
E agora, depois de ter falado poucas e boas, gritado e ameaçado, a minha namorada está ali, deitada na cama, tentando dormir enquanto eu digito isso. E ainda deve estar achando que estou escrevendo uma carta de despedida, terminando com ela. Porque como ela e todo mundo sabe, o meu Ego maior que meu pau não me permite admitir que estou errado, muito menos pedir desculpas. Por isso estou fazendo este pedido de desculpas público, fazendo papel de idiota e perdendo a metade dos poucos leitores que eu tenho com esse texto choraminguento de merda.
Dê, me desculpa. Me entende. Me ajuda. Eu preciso de você, preciso de ajuda, mas, depois de hoje, meu orgulho não vai me deixar admitir isso nunca mais. Eu te amo, mas infelizmente eu n]ao sei conviver com os defeitos das pessoas, como eles convivem com os meus. Eu tento controlar as pessoas da mesmíssima maneira que eu odeio que me controlem. Mas eu admito isso. Pelo menos agora, às três da manhã. Eu quero mudar. Muito. Me entende, me ajuda, me dá a mão. Não foi nada fácil escrever isso agora, sabendo que eu vou me arrepender assim que eu postar e que, amanhã, quando alguém estiver me achando um completo idiota por estar escrevendo isso, eu mesmo vou me achar um idiota, meu orgulho babaca vai voltar e eu não vou te pedir desculpas. Então, to pedindo agora. Eu te amo, me desculpa.














