Eu sempre fui um cabra muito empolgado. Desde criança. Eu começo uma coisa e já me projeto campeão mundial em alguns meses e dando entrevista pra Veja. Sempre. Mas isso sempre me deu uma fama de começar as coisas e não terminar. Pura intriga da oposição, o que acontecia (acontece) é que eu sempre arrumo uma coisa que eu gosto mais do que gostava da anterior. Acontece com todo mundo. O problema é que quando eu começo uma coisa, eu acho que descobri o motivo pelo qual as forças do oculto me puseram nesse mundo! Mas esse motivo geralmente dura até o próximo motivo. Mas a culpa não é minha. Mas por que diabos eu estou aqui falando isso? Porque descobri essa semana que não sou o único ser humano acometido deste mal! Tudo bem, em mim é MUITO mais intenso, mas não sou o único.
É bem difícil explicar. Eu já joguei tênis por um tempo, e queria voltar. Como não tenho parceiro(!), resolvi entrar em uma aula. Assim eu jogo toda semana. Marquei a aula pra domingo próximo. Pô, eu não posso ir pra aula despreparado. Comprei uma raquete, um overgrip, um antivibrador, uma raqueteira, duas camisas, dois shorts, um par de tênis, seis bolas e uma munhequeira. Qual o problema? Quero estar preparado! Se eu largar o tênis, pelo menos vou intimidar todo mundo, vou chegar e já vão pensar "porra, olha esse cara. Eu que não jogo com ele", e sem jogar já faço fama de fodão! E ainda passei a semana pesquisando e vendo vídeos, e devo saber mais de tênis que o Agassi.
Aliás, essa minha empolgação tem também o lado psicológico. Em uma aula de tênis, por exemplo, deve ter um monte de moleque de 18 anos, cheio de testosterona represada doido pra dar umas raquetadas nos meus córnos. Pô, eu tenho quase 30, não dá pra correr atrás desses moleques criados a ovomaltine e sucrilhos. E pega mal eu ficar puto porque perdi e dar uma cadeirada em algum deles. Então eu chego lá, de raquete fodona, raqueteira toda rabiscada e rasgad a(pra fingir que já foi muito usada), óculos escuros, munhequeira Diadora (porque Nike e Adidas são pra playboy) e ainda fico agachado perto da rede, olhando pro fundo da quadra. Aí eu levanto, torço e nariz e mando um "tsc. putz", como quem diz "vou ter que jogar nesse lugar de merda mesmo?", e pronto, a molecada vai tremer na base e vai ser mole mole dar uma surra neles.
Isso sem falar que quem vai duvidar que eu fui um veterano naquilo com tanto equipamento, pesquisa e know how? Porque eu não só compro equipamentos: eu pesquiso, entro em comunidades, fóruns etc. Eu já começo a atividade um veterano, dando aulas! A desvantagem óbvia é que cada coisa que eu inicio causa um rombo de quatro dígitos no meu orçamento de dois dígitos. Mas as vantagens são óbvias. Além da credibilidade, que citei no início do parágrafo, tem também uma outra que eu gosto muito: a cultura adquirida. Você pode não ter aprendido a tocar violão, a jogar tênis, a desenhar, a pintar, a jogar boliche nem ser adestrador, mas com tanto equipamento comprado e com tanta pesquisa, não haverá nunca na mesa uma pessoa com uma cultura inútil e diversificada tão grande quanto a sua. E cá entre nós, pode discutir a vontade! Alguém vai sair ali da mesa pra jogar uma partidinha de basquete, xadrez ou pra dançar tango? Claro que não, então, prevalecerá quem sabe mais ali, na hora.
E tem também o lado da experiência. Seu amigo vai entrar na aula de Kung Fu? "Não faz Louva Deus não, tá na modinha e não é tão eficaz. Faz Garra de Águia ou Shaolin". Seu irmão tá tirando uma onda na mesa do almoço que vai começar a jogar tênis? "Cara, você tem que treinar muito o toss e a pronação, senão o serviço não sai bom. E pro drop shot a melhor empunhadura é a continental. E claro, sem descuidar do braço por causa do tennis elbow". Você pode não jogar nada nem lutar porcaria nenhuma, mas já impressionou e acabou de virar o especialista em lutas e esportes da família. E se nada disso for vantagem pra você, te resta fazer um post como este, sem assunto, só pra gastar seu vocabulário aprendido nas centenas de vídeos que você viu sobre o assunto.














