Recebi dia desses um e-mail curioso. Ele começava falando sobre maus tratos a animais e coisa e tal. E no e-mail vinha um vídeo de uns animais sendo mortos, e no final um pedido: para que a mensagem fosse assinada e, ao completar mil assinaturas, que ela fosse enviada ao PETA, que é uma ONG de defesa dos animais meio, digamos, radical. A minha primeira reação foi até instintiva: fiquei pensando o que o PETA ia fazer com um e-mail – não uma carta, não um documento, não um abaixo-assinado, mas um e-mail – com mil assinaturas. Pra começar que mil assinaturas não são nada. Qualquer clube de poesia ou lista de e-mails sobre Cavaleiros do Zodíaco tem mais de mil pessoas. E cheguei a conclusão de que um e-mail com mil assinaturas – ou um milhão – serve apenas para uma coisa: dividir o mundo em duas categorias.
Desde garoto um fenômeno me chama a atenção, e hoje percebi a real importância deste fenômeno em minha vida: nenhuma. Sempre achei curiosa uma coisa que costuma acontecer em shows e afins: quando vocalista diz: “quem tá gostando levanta a mãozinha!”. Na minha opinião isto é uma coisa completamente sem sentido. Porque se eu não estou gostando, não vou levantar a mãozinha. E se eu estou gostando, o fato de eu levantar a mãozinha não vai fazer a menor diferença na vida de ninguém. Então, depois de muito pensar não cheguei à conclusão nenhuma e tive que inventar uma agora pra não perder o sentido do texto: na verdade, levantar as mãozinhas faz diferença pra quem levanta.
Quem levanta a mãozinha acha que está demonstrando não só que está gostando daquilo, mas que está incentivando e mostrando o tamanho do seu contentamento. Não vai mudar nada, mas todo mundo vai perceber as mãozinhas. Então, retomando o pensamento do primeiro parágrafo, o mundo se divide em duas categorias: os que levantam as mãozinhas e os que não levantam as mãozinhas. Claro, quem não gostou está fora, digo os que gostaram e levantaram ou não as mãozinhas. E isto se aplica a qualquer setor da sociedade. O pessoal do e-mail sabe que um e-mail com quinze bilhões de assinaturas não vai mudar nada, mas eles queriam levantar as mãozinhas e mostrar que, neste caso específico, não estão gostando. Entrar em comunidades como “Odeio quem maltrata animais”, “Greenpeace” ou “Patrícia Poeta na Playboy” não vão salvar o mundo nem comover a revista a atender nosso encarecido e terno pedido. Mas pelo menos, depois que nada funcionar, quem estiver em uma delas vai poder dizer que levantou as mãozinhas. Mas até que ponto levantar as mãozinhas nos exime de culpa por não fazer nada de prático? Até que ponto podemos nos orgulhar de levantar as mãozinhas?
Pessoalmente, eu nunca fui dos que levantam as mãozinhas. Nada de político ou filosófico, é só pra ser do contra mesmo. Mas por que as pessoas que levantam as mãozinhas se acham muito superiores a nós, que não levantamos as mãozinhas? Quando todos os rinocerontes do mundo estiverem mortos, a sua assinatura em um e-mail de protesto terá feito diferença? Tanto quanto o meu desprezo a esse tipo de atitude, pode ter certeza. Posar de apoiador é muito fácil. Levantar a mãozinha é muito fácil. Mas levantar a bunda do sofá e fazer alguma coisa que faça a diferença são outros quinhentos…














