Mudanças

Archived in the category: Uncategorized
Posted by Léo Luz on 05 Feb 10 - 3 Comments

Bom, amigos, bons ventos trazem mudanças. Em virtude da minha vida profissional mais conturbada do que dia dos pais em puteiro, não tenho atualizado o blog como antes. Porém tenho pensado em textos pequenos e comentários sobre os mais diversos assuntos. Então, pensando exclusivamente em atrair leitores preguiçosos nas minhas dezenas de milhares de leitores, decidi mudar: o Ego agora não mais será um blogue somente de crônicas, e sim um blog de opinião!


Além do mais, "Blogue de Opinião" é muito mais bacana, mais moderno e tal. Então é isso. E claro que eu não vou abandonar as crônicas, vou tentar manter uma por semana ou algo perto disso. E intercalar os textos grandes com um conteúdo mais opintativo, rápido e de fácil atualização. Bom, é isso, galerinha do barulho. Tâmo junto, misturado e porra!, de quem é essa mão na minha bunda??


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Em um ano muita coisa pode mudar

Archived in the category: Uncategorized
Posted by Léo Luz on 15 Jan 10 - 9 Comments

Há exato um ano eu estava trocando de emprego. Pra ser mais preciso, era meu primeiro dia em um novo emprego. Estava também exultante pelo fato de o Fluminense ter contratado Fred e mantido o Conca. Eu também estava ansioso com a estréia da máquina tricolor no campeonato carioca. Eu ainda não tinha terminado a faculdade, e adivinha?, ainda não terminei.


O Fred continua no Flu, e o Conca também. Minha expectativa pelo início do campeonato é a mesma. Também saí de um emprego tem pouco tempo e a faculdade continua lá. Quase nada mudou, a não ser alguns cabelos brancos a mais e mais um instrumento musical abandonado e outro tomando seu lugar.


Ah, mais algumas coisas mudaram. Hoje em dia eu não dirijo mais em paz. Tem sempre uma co-piloto do meu lado me dizendo o que fazer, pra onde virar e onde estão os pedestres que, perigosamente, insistem e fazer cara de quem vai atravessar a rua correndo a qualquer momento, obrigando minha co-piloto a falar, a cada dois minutos “olha a moça na calçada”. Mudou também que antes eu usava, impune e alegremente, bermuda ou calça xadrez com camisa listrada, deixava a barba crescer até o umbigo e xingava todos os motoristas de ônibus, táxis e similares.


Mas por que isso mudou? Entrei pra IURD? Virei Senador? Estilista. Não. Hoje faço exatos 365 dias de namoro com a co-piloto do parágrafo aí de cima. Apesar de co-piloto, personal stylist e chorona profissional, ela fez meu ano não ser um dos piores. Uma namorada dedicada, amorosa, carinhosa, atenciosa e companheira. Com essa mistura, salvou meu ano de 2009 e espero que salve muitos outros mais. Graças a ela eu não uso mais xadrez com listrado e faço a barba pelo menos a cada duas semanas, o que já é um grande avanço. E graças a ela, hoje, eu me sinto o namorado mais amado e mais importante do mundo. Obrigado por fazer eu me sentir muito mais importante do que eu sei que sou e por fingir que não tenho os defeitos que eu sei que tenho. Te amo.

p.s.: Eu te amo, mas a parte do co-piloto eu dispenso.

 

 

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Dormindo com um olho só

Archived in the category: Uncategorized
Posted by Léo Luz on 14 Dec 09 - 9 Comments



- Amor, chega pra cá… – disse Glorinha, meio dormindo.

      Era a primeira noite de Élcio e Glorinha depois da decisão de Élcio de se separar. Haviam conversado durante o dia, ele havia admitido que tinha uma amante. E depois de meses sem poder cumprir com suas obrigações maritais, ele agora estava tendo um caso com a menina do financeiro, Beth. Claro, ele contara da maneira mais educada possível. Nessas horas Élcio se orgulhava de ter uma esposa bondosa e equilibrada: certeza de que não haveria escândalo.

     Apesar de arrasada, Glorinha parecia resignada. Como uma pessoa que recebe a notícia ruim e fica meio aérea por alguns instantes. Depois do susto, vieram as perguntas de praxe: quando? Por que? Como? Quem saiu do Big Brother hoje? Mas apesar de tudo, foram civilizados. Ligaram para Almeida, advogado do casal. Almeida ficou espantado, embora um pouco pensativo, pois sabia o quanto Glorinha era frágil e sensível. Visitariam o advogado no dia seguinte. Glorinha ainda chorava quando propôs que fossem dormir, pois ainda teriam um longo dia pela frente. Ele se ofereceu para dormir no sofá, mas Glorinha disse que não havia necessidade. Afinal, eles dormiram juntos por quinze anos, uma noite a mais não mataria ninguém.

     —-

- Amor, chega pra cá… – disse Glorinha, meio dormindo.

- Hmflghmchsm! – Respondeu Élcio instintivamente. Antes mesmo que ele pudesse pensar no que estava acontecendo, Glorinha já o estava puxando para perto pela gola do pijama.

- Glorinha, melhor não. Você está abalada, não vai te fazer bem. – Tentou argumentar Élcio

- Cicinho (apelido carinhoso de Élcio, ainda não apresentado até aqui)… Vem pra perto, esquece isso…

- Mas Glorinha… Melhor não… Já resolvemos tudo… 

      Mas de nada adiantaram os apelos de Élcio. Glorinha logo se aproximou e foi aquele Deus nos acuda. Uma noite como não tinham desde o dia em que pegaram o caçula vendo filme pornô e decidiram confiscar a fita e, “sem querer”, Élcio deixou o videocassete ligado. No dia seguinte, arrependido da decisão que havia tomado, Élcio ligou para Beth e terminou tudo. Disse que havia se precipitado, que percebera que Glorinha ainda o amava e que ele também ainda gostava muito dela. Levou café na cama para a esposa, e juntos foram ao advogado comunicar que haviam desistido de se separar, e que agora comprariam uma casa maior, em Iguaba, para poderem se curtir mais.

      Élcio se lembrou que tinha que ir ao banco e deixou Glorinha resolvendo os detalhes da compra da casa com Almeida. Assim que Élcio saiu, Almeida falou alto, quase gritando:

- Que porra é essa, Glorinha? Não tava tudo resolvido? Que merda foi essa de você voltar atrás?

- Mas Tchuco (apelido carinhoso de Almeida que não tinha entrado na história até  aqui), eu não voltei atrás. Eu falei dormindo, não lembro de nada. Ele disse que eu pedi pra ele chegar perto e depois fui pra cima dele, mas eu não lembro. Você sabe que eu sofro de sonambulismo.

- Puta que pariu, Glorinha, agora vamos ter que esperar esse paspalho (adjetivo nada carinhoso que não havia entrado nesta história desde a década de oitenta) resolver se separar de novo. E enquanto isso continuamos nos vendo escondidos?

- É, Tchuco. A gente deixa como estava, por um tempo, tá!?

- Tá, né, fazer o que?!  

      E Glorinha o abraçou ternamente, como alguém que esperava ansiosamente pelo final feliz. Ela ama Élcio, mas não conseguiria mais viver sem Almeida. Eles a completavam de maneiras diferentes. Glorinha não podia deixar Élcio ir embora dessa maneira. E também não queria perder Almeida. E depois de muito pensar, achou uma saída. Não é que aquele sonambulismo que ela inventara anos atrás pra poder assaltar a geladeira agora tinha sido realmente útil?


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