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Caiu a ficha 23/04/12

Eu sempre me achei um sujeito muito fácil de lidar, mas descobri há pouco tempo que a verdade é exatamente o contrário. Ainda não tive tempo de teorizar sobre o porquê de diferentes pessoas me aturarem. Amigos, família, conhecidos, colegas de trabalho, namoradas. Namoradas, na verdade, fazem esse buraco ser um pouco mais embaixo, sem trocadilho. Amigos são amigos, e a obrigação deles (os verdadeiros amigos) é gostar de nós APESAR do que nós somos. E os meus, pelo menos os que importam,o fazem. Família é família, e colegas de trabalho me aturam porque eu suborno todos eles com sorvetes, chocolates e massagem nos ombros (das mulheres, logicamente).

 

Mas as namoradas, eu dizia. Bom, todos os meus relacionamentos anteriores naufragaram de uma maneira ou outra devido a este meu, digamos, jeito de ser. Deixem-me antes esclarecer que não sou nenhum porco chauvinista, longe disso. Sou um namorado atencioso, romântico, preocupado, altruísta entre outras coisas. Mas, infelizmente, para quase todas as minhas ex-namoradas, os defeitos falaram mais alto que as qualidades, e conviver comigo se tornou um sacrifício tão grande que o relacionamento se rompeu de tal maneira que cedo ou tarde um dos dois botava um ponto final nele. E uma das minhas parcas qualidades é a de me colocar no lugar do outro. Talvez seja por ter largado a faculdade de direito faltando apenas um ano, eu hoje tenho extrema facilidade em me colocar no lugar dos outros. Mas infelizmente nem todo mundo pensa assim. Foi por isso que quando ouvi dela, pela primeira vez, a seguinte frase, eu não soube o que pensar: “Eu sei que você tava nervoso, mas na hora não quis falar nada pra não te irritar mais ainda”.

 

Pode parecer bobo, mas não é. A minha namorada se calou, ouviu meus desaforos, pelo simples motivo de entender que eu não sou nenhum monstro, só estava um tanto quanto nervoso naquele momento. Ela se sujeitou a isso, a um sujeito chato e reclamão como eu, falando aquelas besteiras, só pra não piorar as coisas. Onde uma namorada normal responderia à altura e teríamos então uma briga daquelas. Mas ela tentou – e conseguiu – me entender. E eu, ignorantemente, não dei a esse fato o devido valor à época. Estou dando agora. Espero que não seja tarde demais. Parando para pensar, essa baixinha fez por mim o que pouquíssimas pessoas já fizeram, principalmente sem serem subornadas com chocolates, sorvetes ou massagens (as mulheres, claro).

 

Ela enfrenta a família, amigos e o meu meu gênio, só pra ficarmos bem. Ela tenta entender defeitos meus que outras pessoas já tacharam como frescura, falta de porrada ou fingimento. Ela não só tenta entender, ela tenta entrar no meu mundo de uma maneira que eu nem sei como deixar, pois isso nunca aconteceu. Ela se preocupa, pergunta, se interessa, me estuda, procura saber. E não somos casados há anos. Ela faz isso tudo por alguém que ela conhece há meros seis, sete meses e que, como já disse, está muito longe de ser o namorado ideal.

 

Como eu já disse lá em cima, o motivo pelo qual ela faz isso me é desconhecido. Ok, ela me ama, mas muitas (ok, não muitas, mas algumas) já me amaram e não fizeram metade disso. Um terço, eu diria. Então por que ela faz? Ela poderia ter um namorado normal, com probleminhas normais. Mas também nem quero fazê-la pensar nisso, vai que ela cai na real. Mas verdade é que se eu não sou um namorado melhor não é por não tentar, porque eu faço o meu máximo. E eu achava que era suficiente, mas pela primeira vez na vida, encontrei alguém que faz mais que o máximo por mim. E eu não reconhecia. Reconheço agora, em público, que é pra me cobrarem depois de um dia eu esquecer. Mas por via das dúvidas vou fazer um estoque de sorvete e chocolate, e aprimorar minha massagem. Vai que o motivo é esse. Nunca se sabe.

 

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O Vidente 08/11/11

Osíris era um vidente. Ele era capaz de adivinhar com precisão os acontecimentos do futuro. Não fosse por um quase insignificante detalhe – em suas próprias palavras. Durante toda a sua adolescência, logo após o seu poder se manifestar, Osíris tentara, sem sucesso, cobrar por consultas públicas aos astros para ler o futuro das pessoas. Sua empreitada durou poucas semanas. Por fim, Osíris desistiu de tentar levar o bem ao mundo através do seu poder e virou revendedor da Avon.

Um dia Osíris vendeu hidratante de pele e creme adstringente para um produtor de um dos maiores programas de auditório na TV brasileira. Durante uma conversa corriqueira sobre óleos aromatizantes e esfoliantes, Osíris comentou sobre seus poderes. O produtor ficou estarrecido. Osíris conta que havia acertado o placar de todos os jogos da última rodada do campeonato brasileiro, bem como adivinhara os nomes dos dois ministros que caíram e dois artistas que morreram de forma repentina. O produtor estava maravilhado com a precisão dos poderes de Osíris! Com apenas uma ligação o produtor já havia acertado a ida de Osíris ao programa para fazer uma demonstração dos seus poderes. Seria a maior história da TV brasileira desde que aquele ministro caiu porque descobriram que ele tinha um caso com um campeão mundial de Luta Greco-Romana, e os dois foram se casar em Iguaba e abriram uma loja de antenas parabólicas.

Nos bastidores, Osíris estava muito nervoso. Ele iria entrar ao vivo no programa do Horlando Enrique, o maior apresentador do Brasil. Ele iria entrar, fazer algumas previsões e sair nos braços do povo, amado e aclamado como o maior vidente do país, quiçá de todo o mundo. A produção veio avisar. Dois minutos. Quarenta segundos. Entra lá e arrasa, Osíris! Osíris entra no palco e, meio atordoado, vê todas aquelas luzes e todas aquelas pessoas olhando para ele. O apresentador vem buscá-lo no fundo do palco e o conduz até o centro.

 

- Qual o seu nome? – Perguntou o apresentador.

- Osíris Nascimento – Respondeu nosso herói, tímido.

- E então, Osíris, me falaram que você tinha um poder, uma coisa mística, é isso mesmo?

- É isso mesmo, seu Horlando.

- E qual é esse seu poder, conta pro pessoal que está em casa?

- Eu tenho o dom de prever o futuro.

 

A platéia fez “óóóóóóhhhhhhh”, e o apresentador fez a típica cara de surpresa do mocinho que pega a mocinha na cama com o vilão.

 

- Prever o futuro você diz adivinhar os acontecimentos?

- Isso mesmo, seu Horlando.

- Então vamos fazer um teste, a galera de casa já está duvidando desse seu poder aí. Fala aí então quem vai ser o próximo presidente do Brasil.

- Hhmm, bom, seu Horlando, meu poder é meio específico e eu que tenho que escolher o que eu vou ver, entende?

- Claro, claro, essa coisa de astros, espíritos, eles são muito temperamentais. Então vai lá, manda uma de suas previsões.

 

Osíris se concentra, bota as mãos no rosto, faz força e começar a falar meio enrolado.

 

- Eu estou vendo. O flamengo. Contra um time azul. O flamengo faz cinco gols no time azul. Três de um jogador que começa com T.

 

O apresentador olha pra ele maravilhado.

 

- Meu Deus, que precisão! Produção, quando o Flamengo joga com um time azul, temos que acompanhar isso!

- Mas… – Osíris tenta falar mas é interrompido pelo apresentador com um gesto com a mão espalmada.

 

O apresentador bota a mão no ponto eletrônico e fica quieto. Ele faz uma cara de estranhamento e fala:

 

- Como? Ok. Bom, Osíris, esse jogo foi ontem. O Flamengo ganhou do Cruzeiro de cinco a um com três gols do Thiago Neves. Mas faz outra, faz outra.

 

Osíris se concentra novamente e lasca, implacável:

 

- Um ministro. Um ministro importante. Seus assessores pediram propina para donos de ONGs fantasmas. Os assessores serão presos e o ministro cai. O governo suspende o repasse de verbas para todas as ONGs.

- Meu Deus do céu! Isso é incrível! Queda de ministro, bloqueio de verbas, não tem como ser mais específico que isso e… (o apresentador bota a mão no ponto eletrônico e fica quieto. Ele olha para Osíris e fala, confuso)

- Olha, Osíris, parece que houve outro engano. Isso tudo que você falou aconteceu semana passada, exatamente como você descreveu. Deve ser um mal entendido, tenta de novo.

- Mas olha, seu Horlando, eu ia explicar e o senhor não deixou. Então, as minhas previsões são um pouco diferentes. Eu prevejo o futuro com muita precisão, mas só o futuro que já aconteceu.

 

O apresentador olha estupefato para Osíris, que não parece nada envergonhado. Quase podemos ver os palavrões que passam pela cabeça do apresentador. Calmamente, ele fala:

 

- Como é?

- É, então, eu prevejo o futuro, mas só depois que ele aconteceu.

- Bom, Osíris, então você prevê o passado.

- Não, não. Eu prevejo o futuro, mas só consigo ver claramente depois que ele acontece.

- O nome que se dá ao futuro depois que ele acontece é “passado”.

- Não não não não não. Eu prevejo o futuro, mas só depois que ele acontece. Ele continua sendo o futuro, só que já aconteceu.

- Eu também prevejo o futuro que já aconteceu, e todo mundo que lê jornais consegue. Aposto que qualquer um aqui na platéia pode dizer o nome do último presidente do Brasil ou do último Campeonato Brasileiro.

- Mas eu não li e nem sei o que aconteceu, eu simplesmente vejo o que aconteceu.

- Eu também, na TV

- Você não está levando meu poder a sério. Eu fecho os olhos e tudo vem, tudinho. Eu vejo tudo, com detalhes.

- E qual a utilidade de um poder imbecil desses?

- Eu não sei, só sei que eu prevejo o futuro, eu tenho esse dom. E isso pode ser muito importante para a humanidade.

- VOCÊ NÃO PREVÊ O FUTURO, PORRA, VOCÊ SÓ FALA DO PASSADO! PASSADO! PORRA, PÁRA DE FALAR QUE PREVÊ O FUTURO, SEU IMBECIL! VOCÊ SÓ FALA O QUE JÁ ACONTECEU, GRANDE MERDA! Produção, tira esse idiota daqui, puta que pariu! Da próxima vez comprovem a habilidade do sujeito antes de trazer um idiota desses pro programa! Vamos pros comerciais!

 

O apresentador chama os comerciais e sai, puto, xingando. Osíris, cabisbaixo, é conduzido pra fora do palco por uma menina de uns vinte e poucos anos. É o fim do sonho de Osíris de ficar mundialmente famoso. Hoje em dia Osíris tem uma barraca de achados e perdidos na Rodoviária de Niterói. As pessoas que perderam alguma coisa vão até ele e dizem o que perderam, e ele diz o que aconteceu e onde o objeto se encontra. Lá, pelo menos, ele pode provar que o seu poder não é uma fraude. É inútil, mas não é uma fraude.

 

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Uma comédia muito romântica 24/10/11


Depois de poucas semanas desde a primeira vez que ficamos, já estamos namorando. Desde lá nos vimos apenas cinco vezes. No total ficamos juntos pouco mais de 100 horas, e já estamos completamente apaixonados, fazendo planos a curto, médio e longo prazo. Juntos, ficamos bobos, esquecemos do mundo, da chuva, dos carros. Enquanto eu fecho os olhos quando ganho cafuné, ela olha para o vazio, aproveitando cada momento um com o outro. Cada cafuné, cada carinho, cada abraço, cada olhar, cada mão segurando a outra, cada gesto é cheio de significado, saudade, sentimento, vontade. Nada é involuntário e vazio. Tudo faz sentido. Como se estivéssemos em um filme.

Se alguém estivesse nos filmando o tempo todo não iria nem precisar mandar repetir as cenas. Nosso namoro é o tempo todo como aqueles clipes com trilha sonora que toda comédia romântica possui, onde o casal anda de mãos dadas, se beija na chuva, corre, deita na grama, se abraça, senta na praia vendo a lua etc. Nosso filme já teve o começo complicado, a mocinha dividida entre o mocinho e outro sujeito, já teve outras mulheres lindas tentando o mocinho, já teve pessoas mentindo e inventando coisas, já teve de tudo nessas poucas semanas.

E o melhor de tudo é que ela é a mocinha ideal. Ela olha pro vazio quando me abraça, bota a mão contra a minha no vidro do ônibus ao nos despedirmos, faz suspense para me pedir em namoro, faz piadas típicas das mocinhas eloquentes e descoladas das comédias românticas, que pedem cafuné na hora certa e são diretas na hora certa. Aquelas mocinhas de filme que são menininhas pra pintar a cara do namorado com hidrocor ou pra sair correndo na rua, mas ao mesmo tempo dão conselhos profissionais e sérios quando seus amados precisam.

É exatamente assim que ela é. A protagonista ideal da comédia romântica ideal escrita por um roteirista genial. Essa é ela. Linda, inteligente, engraçada, eloquente, safada na medida certa, menininha, madura. Daquelas que fazem você se apaixonar no primeiro beijo, e, no segundo, já querer se casar com ela. Mas essas coisas só acontecem em filme. Por isso ela é uma mocinha de filme, para que eu não me sinta idiota me apaixonando no primeiro beijo e querendo me casar com ela já no segundo. E eu, o típico mocinho de comédia romântica: atrapalhado, bobo, infantil, metido a engraçadinho, sem jeito, apaixonado e tentando usar frases bonitas e falas ensaiadas. E ela, como toda mocinha, gosta de mim como se eu fosse bonito, alto, forte, eloquente e esperto. Na verdade ela acha isso, mas toda mocinha acha isso do mocinho.

Enfim, somos o casal ideal das comédias românticas. Um cara normal e uma mulher extraordinária que acha o cara também extraordinário, quando ele é só um cara normal. Bom, o que quer que eu esteja fazendo pra ela pensar isso, não posso parar. Vai que ela descobre que eu sou uma farsa? Não posso correr esse risco.

 

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O Pedido 14/10/11

Ensaio para meu pedido de namoro da Deka Pimenta ao Senhor Pimenta:

 

“Olha, seu Samuel, na verdade é a primeira vez que eu faço isso. Eu tive seis namoradas antes da Deka, mas nunca precisei pedir nenhuma delas em namoro para o pai, então entenda se eu gaguejar. Bom, eu conheço a sua filha há sete meses. Sempre soube que teríamos algo um dia, por isso nunca tive pressa. Demos nosso primeiro beijo há três semanas, e antes dele terminar eu já estava completamente apaixonado por ela. Em duas semanas eu já tinha certeza de que ela era a mulher da minha vida. Com três semanas, eu já escolho a cor das paredes da nossa casa, os nomes dos nossos cachorros e penso que não vamos poder ter tapetes felpudos na sala porque ela é alérgica. Eu amo a sua filha como nunca amei ninguém. Ela é uma mulher maravilhosa, dessas que um homem acha que nunca vai encontrar um dia. Ela é exatamente do jeito que eu sempre quis que fosse a minha namorada, minha esposa, a mãe dos meus filhos.

A sua filha é uma mulher extraordinária, que com pouquíssima experiência com relacionamentos já é mais madura do que a maioria das mulheres que eu já conheci. Ela é carinhosa, atenciosa, madura, séria. Ela tinha tudo pra não aceitar namorar comigo: a distância, o fato de eu ser mais velho. Ela podia arrumar um namorado aqui de perto e ter um namoro normal. Mas ela aceitou e está fazendo tudo pra dar certo. Nós estamos. E exatamente por ser tão difícil agora, eu vou me esforçar como nunca pra fazer a sua filha a mulher mais feliz do mundo. Eu quero namorar, casar, ter filhos e netos com a sua filha. E eu nunca tive tanta certeza de algo da minha vida. E pode ficar tranquilo porque eu vou fazer tudo para fazê-la feliz. E eu que fiquei nervoso por ter que vir aqui falar com o senhor e pedir para namorar a Deka, estou muito feliz de fazer isso, porque a relação de vocÊs, da Deka com a família, é uma coisa que dá gosto de ver. Uma coisa que eu nunca tive, por isso eu dou tanta importância. Por isso é tão importante pra mim vir aqui falar com o senhor.  Mas pode deixar que os filhos nós não vamos fazer agora na sua frente não.”

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Tudo o que ele tem 10/10/11

 

Este texto é da minha namorada, Deka Pimenta. Eu pedi pra ela Ela quis postar aqui como resposta ao meu último texto. Espero que vocês gostem, porque eu adorei! Lóvisindié!

 

Ele tem nome de mocinho de romance adolescente. Me diz se Léo não é nome de namoradinho de livro?

Ele tem um brilho infantil nos olhos, que ele tenta esconder atrás de um constante sorriso de escárnio. É o brilho vivo de uma alma inquieta, que está o tempo todo imaginando e tentando entender o que acontece à sua volta. Talvez toda essa sensibilidade lhe torne vulnerável demais, daí o sarcasmo como proteção.

Ele tem um jeito de ver as coisas, que demonstra uma certa descrença com o mundo e as pessoas. Mas ao mesmo tempo ele não desiste. Não se encolhe em um canto, apavorado, muito menos senta de braços cruzados, resumindo seu descontentamento em um menear de cabeça. Ele vive.

Ele tem um jeito de abraçar, de deslizar as mãos pelo meu corpo, que me faz sentir ser uma poesia escrita em braile. Ele parece querer me desenhar com as mãos e ao mesmo tempo, me proteger com elas.

Ele tem uma expressão forjadamente indiferente, quando vai fazer arte. Ele te olha com uma cara inexpressiva, mas ali, entre as sobrancelhas, você sabe que ele vai aprontar alguma coisa. Eu adoro quando ele faz essa cara.

Ele também tem os lábios mais doces de beijar. Dá vontade de desligar o resto mundo e se dissolver naquele beijo, só para vivê-lo intensamente.

Ele tem covinhas. Quando ri aquele riso escancarado, jogando a cabeça e o corpo para trás, surgem furinhos lindos nas suas bochechas. Esse riso me disse que eu nunca precisaria impressioná-lo e agora eu fico tentando fazê-lo rir, só por causa dessas covinhas.

Ele tem as emoções à flor da pele. Não as controla e são tão intensas, que você é capaz de senti-las só de tocá-lo. Mas notei na forma como me sentou em seu colo, que sua vontade era cuidar de mim e não brincar de me iludir. E nos momentos em que franzia o cenho, percebi um medo enorme de me decepcionar.

Ele tem defeitos e qualidades e eu me apaixonei por ele inteiro. Me vi desejando conhecê-lo mais do que já conheci qualquer pessoa, para aprender a lidar com seus defeitos e fazer dele o homem mais feliz do mundo. Porque não há ser humano completo sem os pontos negativos e, quando se ama, ama-se o todo, não apenas o que te convém.

Ele também tem mais uma última coisa, mas isso é só consequência de todos esses detalhes: meu coração.

 

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Sempre foi ela 05/10/11

Eu sempre idealizei muito as coisas. Tudo. De uma entrevista de emprego a pedidos de casamento para namoradas que ainda não existiam. E na parte romântica dessa, digamos, característica, eu sempre idealizei até demais para um homem. Eu chegava a ponto de separar músicas e filmes para mandar para namoradas que eu não tinha, eu ensaiava pedidos de namoro para sogros que eu ainda não conhecia, eu escrevia discursos de casamento para noivas igualmente desconhecidas.

Nada disso nunca saiu do papel porque eu nunca havia encontrado a mulher para quem eu havia guardado tudo isso. E do término do meu último relacionamento cheguei a pensar que jamais colocaria todo o ensaiado em prática, porque aquele mulher não existia. E se existisse não ia perder tempo comigo, ela iria atrás do sujeito idealizado por ela, que logicamente não seria eu.

Como diz o Verissimo, Ledo e Ivo engano. Eu a encontrei. Em uma cidade do interior de Sao Paulo, encontrei a mulher dos meus sonhos se escondendo atrás da frustração de relacionamentos passados. Escondendo toda a sua perfeição por causa do medo de sofrer, de se entregar. Doída e machucada por achar que nenhum homem nunca havia lhe dado o devido valor. Claro que não deram, nem podiam! Ela é a mulher dos meus sonhos, não dos deles! Era ela. É ela. Sempre foi ela. Sempre foi pra ela que guardei as músicas, as poesias do Pessoa, do Vinicius e do Drummond. Sempre foi pra ela que eu ensaiei “eu te amo”. Sempre foi pros pais dela que eu li pedidos de namoro na frente do espelho ou durante o banho. Sempre foi.
Sempre foi ela que povoou meus sonhos. Sempre foi essa baixinha de pouco mais de quarenta quilos que me fazia pensar nas loucuras que eu um dia faria por amor e nunca fiz. Sempre foi por ela que eu pensava em passar um dia em outra cidade, sempre foi a ela quem eu queria surpreender de aparecer na cidade dela a 500 quilômetros da minha e dizer “Vem me buscar na rodoviária, vim só pra te dar um beijo”. Sempre foi ela. É ela. Sempre foi com ela que eu queria envelhecer na cadeira de balanço na varanda, de mãos dadas, vendo os netos brincando com os cachorros no quintal. Todas as dedicatórias imaginadas dos meus livros sempre foram pra ela.

Sempre era ela que, nos meus sonhos, não me julgava pelos meus defeitos nem tentava me mudar como se eu fosse um monstro. Sempre foi com ela que eu compartilhei meus sonhos, meus desejos e meus medos. Sempre foi dela o cafuné que eu queria ganhar pra dormir. Sempre. E agora precisamos começar logo, porque tem muita coisa acumulada pra ela.

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Porque os Beatles são a maior banda de todos os tempos – Parte 1 14/09/11

 

 

Se você não é um sujeito antenado e bem informado, não deve saber que a última moda entre os hipsters e entre os moderninhos é falar mal dos Beatles. Por que? Porque eles são a maior unanimidade musical de todos os tempos, depois da bunda da Shakira. E hipster e moderninho que se preze não gosta do que todo mundo gosta, claro. Logo, sem o menor embasamento, muita gente sai por aí falando mal de BEatles como se estivesse falando mal de alguma banda que vendeu alguns discos e fez sucesso lá em Niterói.

Por isso este texto se intitula exatamente assim: Porque os Beatles são a maior banda de todos os tempos. Nas várias linhas deste texto eu explicarei porque eu acho isso. Eu e muita gente. Mas os argumentos são meus, e, como todo argumento meu, são irrefutáveis e verdadeiros. O texto vai ser dividido em duas partes. A primeira parte vai desmistificar os argumentos usados para desclassificá-los como a maior banda de todos os tempos, e a segunda vai ilustrar os meus motivos pessoais para achar que eles são. Vamos lá.

 

Contra-argumentos


  • Argumento 01. “As músicas são todas iguais”

 

Esse é o argumento que mais gosto de refutar. É claro que existe pessoas que realmente não gostam de Beatles, mas se alguém usa este argumento, nem dá pra discutir, essa pessoa nunca ouviu mais de cinco músicas deles. Se tem uma coisa que as músicas dos Beatles não são é repetitivas. Muito pelo contrário, sou capaz de listar dez músicas deles que você sequer desconfiaria que são da mesma banda. Aliás, listarei. Depois me diga se as achou iguais:

 

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E aí? Parecem a mesma? Já tinham visto o Paul cantando como em Golden Slumbers? As guitarras de While my guitar gently weeps? O nonsense de Octupus´s Garden? Então, por favor, não repita mais esse argumento idiota por aí.

 

  • Argumento 02. “O som é velho e nada inovador”

 

Esse também é divertido de confrontar, principalmente vindo da galera que curte “samba-rock”, “MPB”, “Metal” e “Novo Jazz”. Nenhum desses ritmos tem menos de QUARENTA ANOS, só pra começo de conversa. Os Beatles sempre foram à frente do seu tempo, até o último dia da banda.  Usaram martelos, bigornas e garrafas pra enriquecer o som, trouxeram a musicalidade da Índia e introduziram a Cítara nas suas músicas, mas não como fundo, mas como um dos instrumentos principais em um disco inteiro. Experimentaram frases ao contrário, gongos e sons de circo nas suas músicas. E com o detalhe de que eles JÁ ERAM A MAIOR BANDA DO MUNDO quando fizeram isso. Não eram uma bandinha nova, já eram Os Beatles, arriscando tudo o que construíram, inovando e fazendo coisas tidas como malucas na época. Seguem algumas músicas que tenho certeza de que se fossem criadas hoje estariam tocando nas rádios e você ia adorá-las.

 

 

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Admita, se alguma banda hipster criasse alguma dessas músicas você ia achar o máximo, não?

 

  • Argumento 03. “As letras são chatas e repetitivas”

 

Mesma coisa do primeiro argumento. O sujeito só conhece três músicas e já se acha o entendedor de Beatles e já sai analisando as três letras que conhece. Mas aqui a explicação é simples: por serem quatro pessoas completamente diferentes, tanto as letras quanto o som sofriam quatro influencias diferentes. As letras feitas para o sucesso do John e do Paul, as letras geniais e bem trabalhadas do George e as letras engraçadas e animadas do Ringo. Aqui não vou citar exemplos pra não limitar o posts aos falantes de inglês, mas vou citar alguns nomes de músicas, com links para as letras, onde você poderão ver toda a criatividade e perceber todo o leque de idéias dos Beatles, que eram capazes de ir de letras completamente idiotas mas felizes a letras profundas e magistralmente bem feitas em um mesmo disco. Isso sem falar que é deles a maior música de amor de todos os tempos: Something.

 

Happinness is a warm gun – Uma das minhas preferidas. Crítica social sem perder a qualidade lírica.
Hey Jude -  Uma bela mensagem de otimiso do Paul pra Julian Lennon, filho de John, quando da separação dos seus pais. Bonita sem ser piegas.
Let it be – Essa dispensa comentários
Revolution - Uma crítica ferrenha e ao mesmo tempo uma letra linda e bem construída
Oh! Darling – Outra das minhas favoritas. Uma declaração de amor forte, sincera, nada piegas e com uma melodia belíssima e bem construída
I´ll follow the sun – Uma canção sensacional que fala sobre um sujeito desiludido com um relacionamento que não deu certo
If I needed someone – Outra das minhas preferidas. Uma canção de amor nada convencional mas bastante convincente.
Everybody is trying to me my baby – Uma bem humorada e bem feita brincadeira com o fato de que os quatro eram muito
assediados pelas mulheres
When I´m sixty four – Outra do rol das favoritas. Na minha opinião esta é a música de amor mais bonita e sincera de todos os tempos.
I saw her standing there – Outra romantiquinha, bonitinha, mas que desde o primeiro disco já deixa claro que eles não eram curiosos escrevendo músicas no churrasco do fim de semana. Métricas perfeitas, letra irretocável e uma canção grudentinha que cola.

 

É isso. Esta foi a primeira parte do artigo. Na segunda parte darei os meus argumentos pessoais. Eu ia fazer agora, mas vai ficar um artigo gigante. Então, comentem, discutam, e caso algum dos meus argumentos tenha feito sentido pra você, não tenha vergonha em admitir.

 

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Namore um cara que escreve 29/07/11

          Namore um cara que escreve. Não um cara que te manda poesias do Drummond ou que te manda letras do Chico. Namore um cara que escreva ele mesmo para você. Um cara que escreve vai perceber os detalhes e as nuances entre vocês dois, e vai escrever cartas e textos pessoais e que falem sobre vocês dois, não cartas de amor genéricas catadas na internet. Namore um cara que, ao invés de comprar um cartão de dia dos namorados, vai escrever um texto pra você no jornal, revista ou site onde ele tem uma coluna.
          Um cara que escreve vai, no mesmo texto, fazer você rir, chorar, sorrir e querer abraçá-lo como se ele fosse dez centímetros mais alto, dez quilos mais magro e tivesse mais dois dígitos na conta bancária. Positivos. Namorar um cara que escreve é namorar alguém autoconfiante, que sabe que a pena é muito mais forte que a espada, ainda que a pena dele responda pelo nome de “teclado”. Namore um cara que ficará orgulhoso ao ser comparado com o Verissimo ou ao Pessoa, e não se comparado ao Vitor Belfort ou ao Brad Pitt.
          Namorar um cara que escreve significa ter um namorado que, ao te descrever, vai fazer você se achar a própria Angelina Jolie, e suas amigas, ao lerem, vão achar que ele descreveu alguma princesa de contos de fadas. Por falar em amigas, namorar um cara que escreve é matar suas amigas de inveja dos seus textos lindos, das suas cartas emocionantes e engraçadas. Namore um cara que escreve e garanta textos engraçados para quando você estiver triste, textos amorosos para quando estiver carente e cartas inesperadas no meio da semana.
          Namore um cara que escreve e massageie seu ego vendo outras mulheres dizerem que adorariam que os namorados delas escrevessem assim. Namorando um cara que escreve você não vai entender como suas amigas conseguem namorar engenheiros, médicos e analistas de sistemas, nem como elas conseguem acham bonitas frases copiadas de algum “As cem melhores frases de amor de todos os tempos” ou alguma carta feita com retalhos de Neruda, Pessoa e Vinicius. E por fim, namorar um cara que escreve é namorar um cara descolado, que sabe que “namorar um cara que escreve” não é a forma correta, e sim “namore um cara que escreva”, mas, mesmo assim, ele acha que do primeiro jeito fica muito mais bonitinho e descolado.

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Porque a punheta matou a literatura erótica 16/06/11

Você, senhorita dos seus vinte, trinta e poucos anos que me lê, já viu um membro túrgido e intumescido? E você, jovem mancebo, já conheceu alguma mulher ruborizada, com seios túrgidos e coxas hesitantes? Aposto que não. A literatura erótica morreu. A facilidade de acesso ao pornô na internet matou a literatura erótica. Se antes tínhamos o Carlos Zéfiro (não é da minha época, eu já comprava nos sebos) e as revistinhas de contos eróticos, hoje com dois cliques se chega e um vídeo de alguém(s) comendo alguém(s). Simples assim.

Se antes falar em seios túrgidos, coxas hesitantes ou membros intumescidos faziam o leitor se excitar, hoje nos poucos textos eróticos que se vê na internet vemos paus metendo em bucetas, mulheres gritando como se estivessem sendo estripadas e homens que se meterem um pouco mais forte perfuram a camada pré-sal.

A literatura erótica antigamente não tinha como único objetivo servir de apoio à masturbação, como alguns contos e textos de hoje em dia. Eles tinham o objetivo de excitar, despertar a imaginação. Eu tenho uma teoria sobre isso: eu acho que esta geração que acha tão normal participar de surubas, ficar com homens, mulheres, animais, vegetais e minerais – essa geração talvez seria mais comedida nestas formas menos, digamos, ortodoxas de sexo, se tivessem tido acesso à literatura erótica – não pornô. Porque pra fazer uma suruba não é preciso criatividade, só uma boa dose de cara de pau, e de caras, e de paus. Mas as estórias de antigamente eras criativas, inspiravam as pessoas a fazerem coisas novas. Ao contrário da pornografia da internet, que só instiga a putaria.

A maior prova disso é que se checarmos as estatísticas – se é que existe alguma – veremos que vídeos pornô são visto por apenas alguns segundos. Por que? Preciso explicar mesmo? Eu não lia Carlos Zéfiro tocando punheta. Eu não via Milo Manara tocando punheta. Era excitante, instigante, dava umas idéias e tal. Aí hoje em dia você entra num site de vídeos pornô, vê uma anão com uma cinta-caralha comendo um ala da seleção russa de vôlei vestido de Praga do Xou da Xuxa, toca uma punheta e pronto, acabou.

É triste, pois a literatura erótica é uma área difícil, o escritor cria na fronteira entre o vulgar e o excitante. Já hoje em dia contos “eróticos” se resumem a cunhadas que dão para os cunhados, mulheres que dão para os pedreiros e amigos que se descobrem gays e transam felizes no vestiário. Nada mais. Tempo suficiente para uma punheta. Ninguém quer se inspirar, se excitar nada. Não se tem tempo. A literatura erótica resiste em nichos. Tem coisa boa na internet, sem dúvida. Mas infelizmente os “vazou na net: balconista da padaria transa com o patrão” ou “perdeu o celular e as fotos vazaram na net” fazem mais sucesso hoje em dia. E os contos eróticos podem perfeitamente virar “parágafos eróticos” que ninguém vai notar. Ainda vão servir ao seu propósito perfeitamente. E nunca mais veremos mulheres ruborizadas, com seios túrgidos e coxas hesitantes, mas sim mulheres abrindo as pernas sem calcinha no banco de trás do carro enfiando o dedo na boca como se fossem fazer uma endoscopia com o dedo médio. Triste.

Ler o Restante

O brasileiro e a necessidade de provar que o outro está sempre errado 13/06/11

Quem costuma me ler em algum lugar sabe que eu não sou nem um pouco patriota. Por dois motivos básicos: primeiro, acho idiota se orgulhar de algo sobre a qual você não teve NENHUMA ingerência (a sua nacionalidade, no caso); e segundo que – ao contrário do que gritam os ufanistas iludidos – não tenho lá muitos motivos pra me orgulhar do Brasil. As razões para este último argumento me parecem meio óbvias.
Mas a razão que me fez escrever este texto hoje não é nenhum destes dois argumentos. Há algum tempo eu ando refletindo sobre as atitudes das pessoas umas com as outras e percebi que o Brasil está se tornando – em velocidade de cruzeiro – um país cada vez mais intolerante e intransigente, mas não no âmbito estatal, mas no âmbito pessoal. As pessoas estão cada vez menos tolerantes, e cada vez mais querendo empurrar suas verdades e não-verdades goela abaixo dos outros, como um remédio ruim mas que vai fazer bem. Fazer bem ao ego do empurrador, que se faça registrar.
O brasileiro, via de regra, se preocupa mais em destruir um argumento do que em construir um. Em criticar do que em construir. Em falar mal do que não gosta do que falar bem do que gosta. E o pior: sem o menor embasamento. Crítica ou discussão com embasamento são justificadas, e fazem bem. Sem embasamento, é mera vontade de, me desculpem pelo termo, encher o saco. Eu mesmo tenho um amigo – meu melhor amigo – que é o exato oposto de mim. Pensem em um humanista, defensor dos direitos humanos, que não mata nem mosca e é totalmente paz e amor? É ele. Agora pensem em mim como um conservador de direita, liberal, a favor da pena de morte e que defende que as pessoas possam ter armas em casa. Agora imaginem que eu sou padrinho do filho dele. E sou de verdade. E discutimos durante horas, às vezes durante dias, em e-mails que contabilizam as novecentas mensagens. Mas sempre com respeito, embasamento, e sem querer impor ao outro a nossa opinião.
Diferente da maioria das pessoas hoje em dia, que age como os portugueses querendo convencer os índios de que eles faziam as coisas do jeito certo, e que se você não faz do jeito deles, você é um selvagem e não merece seu respeito. É o sujeito que critica a Globo mas só assiste outro canal pra ver esporte e novela. É o cara que odeia política porque político não presta mas não sabe o nome de 2 Ministros. É o cara que fala horas sobre justiça e lei, mas não faz idéia de quantas instâncias a justiça brasileira possui. É o cara que acha filme nacional uma merda mas só vê filme de porrada, aventura e blockbuster americano. É o cara que fala mal do Paulo Coelho mas o último livro que leu foi Dom Casmurro, na sexta série. É o caso clássico do sujeito que insiste em falar mal da Veja o tempo todo, mas não lê nem revista de fofoca. Sem embasamento, sem objetivo de discutir idéias, com a mera intenção de criticar e provar o quanto a opinião dele é certa, mesmo que não embasada, vazia e inócua.
E é por isso que, infelizmente, me envolvo em cada vez menos discussões e “conversas”, tanto pessoalmente quanto na internet. Porque no final, ao invés de verem a discussão como uma conversa onde se discute um tema, abalisadamente, com respeito e argumentos, as pessoas vêem uma discussão como um duelo à moda faroeste: no final, só pode ter um em pé. Touché. Em tempo: aposto minha mão direita – a do controle remoto – que 90% das pessoas que falam mal da Veja ou do Paulo Coelho não conseguem me dar argumentos PLAUSÍVEIS, REAIS E ABALISADOS sobre isso. Muito menos conseguem usar “abalisadamente” e “abalisados” duas vezes em um texto só.

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